Com Respeito aos Oito Baixos

Com Respeito aos Oito Baixos
"Com Respeito aos Oito Baixos" é o documentário de estreia do músico e pesquisador Léo Rugero. Realizado através do Prêmio Centenário de Luiz Gonzaga 2012, o filme narra a trajetória da sanfona de oito baixos na música nordestina, contando com o depoimento de sanfoneiros e pesquisadores como Zé Calixto, Luizinho Calixto, Geraldo Correia, Anselmo Alves e Lêda Dias. Filmado nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro, consiste em um belo documento sonoro e visual da música nordestina. Para adquirir um exemplar do DVD, entre em contato conosco.

08/07/2011

Sanfoneiros fictícios: Baianinho da Sanfona

Texto: Leo Rugero

Colaboração de Everaldo Santana









No dia 27 de abril, postamos o disco "Sucessos de Luiz Gonzaga com Raimundo Mauricio e sua sanfona de 8 baixos". Conforme testemunho de Zé Calixto, Raimundo Maurício jamais existiu, tendo sido apenas um nome fictício criado pela gravadora. Assim como Zé Ranulfo de Serra Talhada, nome de fantasia que encobre a identificação do verdadeiro intérprete, Zé Henrique.
Uma das razões que as gravadoras utilizavam nomes fictícios se deve ao tipo de contrato que se estabelecia com o sanfoneiro, que recebia o cachê, ficando a gravadora isenta de retribuir os direitos conexos de venda de discos. Porém, nem sempre, isso ocorria por este motivo. As vezes, o mesmo sanfoneiro aparecia em gravações de dois selos fonográficos distintos. No entanto, tendo contrato de exclusividade com um determinado selo, não poderia aparecer em um disco de outra companhia. Foi o caso de Gerson Filho, que acompanhou a esposa, a cantora Clemilda, no disco "Forró sem briga", editado pela Discobrás, em 1965. Na ocasião, Gerson Filho mantinha contrato de exclusividade com a gravadora RCA-Victor, o que lhe impediria de ter seu nome publicado no disco da esposa. Deste modo, a solução foi criar um nome fictício: Betinho, nome de um sanfoneiro que provavelmente não existiu...
O problema é que muitos destes nomes ganharam vida própria, tornando-se "lendas" vivas da sanfona. É o caso de "Baianinho da Sanfona". Quando comecei a me interessar pela sanfona de 8 baixos da região Nordeste, perguntava a vários sanfoneiros se acaso conheciam o Baianinho da Sanfona. Ninguém sabia responder se ele havia mesmo existido.
Hoje, com a colaboração do colecionador Everaldo Santana, publicamos o disco "Forró sem briga vol.2" de 1978, editado pela gravadora Copacabana, e atribuído a Baianinho da Sanfona. Segundo Everaldo, "quem toca é o Gerson Filho, pois é quse impossível alguém imitá-lo tão bem". De fato, é perceptível o estilo do sanfoneiro alagoano neste belíssimo álbum, onde quase todos os gêneros do forró são contemplados. Forró, quadrilha, baião, xaxado, xote e mazurca. Até o samba matuto não ficou de fora. Temas inspirados, embora pouco conhecidos, e a sanfona é acompanhada por um regional de primeira, do qual destaca-se  o excelente violão de sete cordas, que, além das baixarias, divide-se com a sanfona no solo de alguns temas. Aparentemente, a afinação utilizada pelo sanfoneiro é a natural em dó e fá, que era utilizada por Gerson Filho nesta época, o que aponta para a hipótese de que Baianinho da Sanfona seja o nome do sanfoneiro alagoano. Porém, resta a dúvida...o que vocês acham?


http://www.4shared.com/file/0hGUWC7b/1978_-_Baianinho_da_Sanfona_-_.html

Um comentário:

  1. Neste disco eu tenho certeza que é o Gerson Filho quem toca todas as Faixas, pois seria quase impossível alguém imitá-lo tão bem.

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