19 de jun de 2014

Em memória de Negrão dos Oito Baixos


Sempre admirei o trabalho de Negrão dos Oito Baixos, desde que tomei conhecimento de seu trabalho. Instrumentista inventivo, aprecio particularmente a primeira fase de sua carreira, com ênfase mais instrumental. Sua destreza é lembrada por Zé Calixto, que afirmou por vezes que ele foi o principal sanfoneiro de oito baixos vindo da Bahia, ao lado do filho mais afamado deste estado, Pedro Sertanejo. Enock Lima me disse que Gonzagão gostava muito de seu dedilhado e parece que o rei do baião sabia das coisas. Infelizmente, sei pouco a respeito deste mestre do instrumento, e fico feliz que a matéria abaixo referencie o documentário "Com Respeito aos Oito Baixos". Se Negrão dos Oito Baixos foi lembrado é porque jamais haveria de ser esquecido. Onde quer que estejas, será semmpre fonte de inspiração aos sanfoneiros de oito baixos de hoje, ontem e sempre. Segura o fole Negão, que ele é seu.

                                                                                                                                  Léo Rugero
  

Água Fria – Comunidade onde nasceu e viveu Negão dos Oito Baixos quer mais apoio

maio 10, 2014 em Sem categoria
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A equipe do Girando Pela Bahia, visitou a Fazenda Jacaré, em Água Fria, distante 20 km da sede do município, as margens da principal estrada de acesso ao distrito de Pataíba, onde nasceu André Araújo, mais conhecido por Negão dos Oito Baixos, um dos inúmeros instrumentistas brasileiros à espera do merecido reconhecimento póstumo pelo conjunto de sua obra como destacado instrumentista, cantor e compositor. Negão morreu a dezenove anos vítima de câncer.
O GB encontrou o ex-vereador Jacó Cardoso da Silva (PMDB), hoje membro da Igreja Batista Lírio dos Vales, cantor gospel, gravou dois CDs evangélicos, mas não esquece do período que trabalhou fazendo a segunda voz no grupo de forró liderado pelo cunhado sanfoneiro, Negão dos Oito Baixos. Além de Jacó, Laudelino e Clemente, irmãos de Negão, também integrava o grupo.   
IMG-20140509-WA0010Jacó (foto) contou que o Negão ganhou muito dinheiro e naquele tempo trazia dentro de “sacolas”, pois não tinha risco de assalto. Ele lamenta apenas a falta de respeito das gravadoras que não pagavam o que é justo para o Negão e lembrou que foram gravados em São Paulo 21 LPs. Negão não deixou filhos.
Muito amigo de Luiz Gonzaga, Jacó disse que uma das últimas viagem que fez ao lado do Negão fora do estado, foi em 1989, foi a cidade de Juazeiro do Norte, para participar do velório e enterro do rei do Baião. Ele se emocionou ao falar sobre o enterro acompanhados por mais de 50 mil pessoas e cantou o estrofe de uma das músicas do Rei: “Minha vida é andar por esse país pra ver se um dia descanso feliz Guardando as recordações das terras onde passei. Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei”.
Negão morreu ao cinquenta anos e o último show foi realizado durante uma festa de Vaqueiros no Parque Manelito Argolo, em Entre Rios. Ao sentir mal, foi para São Paulo e depois voltou para Salvador, onde morreu.
Músicas conhecidas gravada pela gravadora Beverly, como selo AMC, no ritmo arrasta-pés “Quero me casar” e “Noite de São João”, contando com a participação especial da dupla caipira Mestiça e Zulmara, fizeram muito sucesso e Jacó disse que foi um disco muito bem produzido, com um instrumental afiado composto por violão, cavaquinho, afoxé, agogô, triângulo e zabumba.
 O Negão foi lembrado no documentário ” respeito aos Oito Baixos”, um documentário do músico e pesquisador Léo Rugero, realizado através do Prêmio Centenário de Luiz Gonzaga 2012. O filme narra a trajetória da sanfona de oito baixos na música nordestina, contando com o depoimento de sanfoneiros e pesquisadores como Zé Calixto, Luizinho Calixto, Geraldo Correia, Anselmo Alves e Lêda Dias  e foi filmado nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro, consiste em um belo documento sonoro e visual da música nordestina. Para adquirir um exemplar do DVD, entre em contato conosco.
André Araújo, mais conhecido como “Negrão dos Oito Baixos” foi um sanfoneiro baiano que atuou principalmente em São Paulo, aonde desenvolveu intensa carreira profissional desde o início da década de 1970 até o final dos anos 80, quando veio a falecer.
IMG-20140509-WA0015A comunidade onde viveu o Negão – Líderes das comunidades ao entorno a Fazenda da Jacaré, estiveram reunidos com o vereador Wagner Carneiro Ribeiro (PP), discutindo os problemas que envolve a região, ou seja, as comunidades de Bate e Não Escuta e Nova, que sofrem com a falta d’água, e estrada. Wagner destacou a força econômica da região, principalmente na questão da agricultura familiar e falta estrada de qualidade para escoamento dos seus produtos.
Redação: Girando pela Bahia

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