14 de fev de 2016

SEU ELIAS DANIEL tocador de fole dos Pontões de Pombal

Enviado em 29 de out de 2011

SEU ELIAS DANIEL, GRANDE PERCA NO FOLCLORE POMBALENSE. Seu Elias Daniel, homem pacato, doce e sereno, sinônimo da força negra revigorada na energia solar do nosso sertão abrasador. Quando puxava o seu fole de oito baixos conduzia com maestria "Os negros dos pontões" que fazem anualmente o translado do rosário numa bonita procissão e que enchem de lágrimas os olhos de quem assiste aquele espetáculo popular vivido a céus abertos, de passos lentos, cabeçinha inclinada para o lado com o peso do tempo sobre as costas caminha em noites calmas pela Getulio Vargas tendo como fundo musical as novenas da matriz do Bonsucesso. Já de bengala na mão e sobre a cabeça o seu chapéu de massa era um transeunte quase que invisível aos olhos desta nova geração mais que deixa um legado cultural riquíssimo para seus amigos, filhos e porque não dizer todos aqueles que queiram beber da sua fonte inesgotável de sabedoria popular. Acordamos mais tristes é verdade porque o pássaro que enfeitava o bando colorido que pousava no largo da igreja do rosário agora voa sozinho, seu ultimo vôo abrindo as asas para um novo céu com a certeza que cumpriu a sua missão nesta penosa caminhada terrena. Voa seu Elias Daniel, voa embalado nas valsinhas que o senhor tanto tocou, voa conduzido por milhares de anjos que neste momento devem está fazendo o último túnel de varas coloridas e maracás tilintando para festejar a sua chegada. Não foi preciso galgar os degraus do capitalismo para demonstrar riquezas, pois a sua maior riqueza era a humildade, a serenidade e a religiosidade que se fazia alicerce para a sua estadia no meio de nós. Era um Daniel, era um ser iluminado, era um artista rústico que teve o privilégio de subir nos maiores palcos deste estado e porque não dizer deste país, e o que mais nos impressiona era a "primazia" mais que acertada no título do trabalho do cantor e compositor" Luizinho Barbosa" ao denominar este seguimento musical de raízes. Seu Elias era inocente como uma criança, não havia malicia em seu falar nem a ganância fruto da ignorância e perdição dos homens do nosso tempo, pois ao término de cada apresentação sentava-se na espera daqueles que o conduziam sem dizer se quer uma só palavra. Quantas lembranças me vem a mente neste instante, das nossas viagens para a capital, ao BNB Cultural de Sousa PB, as inesquecíveis FENART e os ensaios no CENTRO LIVRE DE ARTE POPULAR --POMBAL PB. Conheci um Elias pai, amigo, mestre, sereno que transmitia-nos a paz apenas com um simples toque de olhar, um Elias responsável que mesmo já tendo a saúde tão debilitada nunca se negou a empunhar o seu fole para dar seqüência a coreografia dos negros dos pontões numa farra quase que tribal. Voa Mestre Elias Daniel voa e prepara-nos uma valsinha para nos recepcionar na última viagem que faremos para lhe encontrar.

AUTOR: *Zé Ronaldo ( Professor e Artista Popular ).

nego lé dos oito baixos são domingos de pombal pb

13 de fev de 2016

Abdias - Oito baixos pra frente





Para não deixarmos passar em branco a data de aniversário de Dominguinhos, que estaria completando 75 anos no dia 12 de fevereiro, que tal este"Oito Baixos pra frente", parceria de Dominguinhos e Anastácia, na interpretação do mestre Abdias dos Oito Baixos, em 1971

10 de fev de 2016

MANOEL DE ELIAS - NOVELA GABRIELA 1975




Publicado em 29 de dez de 2015 no youtube

Video onde aparece Manoel de Elias na novela "Gabriela" de 1975.
Cantor. Compositor. Acordeonista. Irmão do também compositor e sanfoneiro Zé de Elias. Pai de Chiquinha do Acordeom. Autodidata, incentivado pelo pai, que era músico, começou a aprender sanfona de 8 baixos aos 5 anos de idade. Ainda jovem, mudou-se com a família para Santa Cruz (RN), onde exerceu a profissão de afinador de sanfonas. Faleceu aos 95 anos de idade, no município de Belford Roxo (RJ), em decorrência de um câncer de próstata. Na época, era considerado o mais velho dos sanfoneiros de 8 baixos.

9 de fev de 2016

MEU CANARINHO - MINHA BEIJA FLOR

'Não vai cair, vai continuar', diz Heleno dos 8 Baixos sobre legado da sanfona

'Não vai cair, vai continuar', diz Heleno dos 8 Baixos sobre legado da sanfona

Sanfoneiro é um dos homenageados do São João de Caruaru, Agreste de PE.
Ele conta a história e as dificuldades que passou até alcançar o sucesso.

Thays EstarqueDo G1 Caruaru
Heleno dos 8 Baixos, músico (Foto: Thays Estarque/ G1)Heleno iniciou a carreira em Caruaru, onde construiu uma escola de sanfona (Foto: Thays Estarque/ G1)
O músico Heleno dos 8 Baixos, de 54 anos, é um dos homenageados do São João de Caruaru, Agreste de Pernambuco, ao lado do Mestre Manuel Eudócio e Eduardo Campos. Tendo bagagem que inclui a indicação ao Grammy em 1991, com o disco “Brasil Forró”, ele afirmou em entrevista ao G1 que a celebração é um presente de Deus. "É uma grande coisa para qualquer artista, mas principalmente para mim que sou da terrinha”, completa.
Nascido no Sítio Boqueirão, em Ibirajuba, Heleno teve um começo difícil, conta que a família não tinha condições financeiras e que estudou somente até a 4ª série em um grupo educacional - quando um professor reúne crianças e adolescentes da localidade para ensinar todas juntas, em uma mesma sala de aula montado no próprio sítio. “A única coisa que me arrependo nessa vida e que tenho inveja é de não ter estudado mais. O conhecimento é o bem mais precioso do homem”.
A gente nunca sabe de tudo,
os que dizem que sabem
estão mentindo”
Heleno, músico
Vindo de uma família de ciganos, relata que a música sempre esteve presente na casa. “Minha mãe cantava coco de roda, meu pai tocava vários instrumentos e meu irmão na sanfona. Eu mesmo comecei no berimbau de lata e passando por gaita de boca”. Porém, fez questão de afirmar a real paixão: a sanfona de 8 baixos. “No meio de 50 sanfonas, é ela que faz a diferença”.
Aos 12 anos, Heleno foi apresentado a Manoel Maurício, um sanfoneiro conhecido no meio musical por ter um jeito próprio de tocar. Com ele, morou na cidade de Belo Jardim até os 15 anos e aprendeu a tocar os 8 baixos. “Já com idade, tinha uma mania de só me ensinar à meia-noite”, relembra. Autodidata, o músico não sabe ler partituras, mas o mestre ensinou os dois tipos de afinações: a usada no Rio Grande do Sul e na Europa e a Nordestina. "Mesmo já tendo lançado CDs, não deixei de aprender com Manoel até sua morte. A gente nunca sabe de tudo, os que dizem que sabem estão mentindo”, acredita.
Início em Caruaru
A música só se tornou um meio de vida quando se mudou para Caruaru. “Construí minha primeira casa na Rua Macaparana, Cohab I. Foi onde criei minha família. “Passei muita dificuldade. Tinha um ponto na Rua Matriz que os artistas iam para conseguir shows. Ficava sentado o dia todo esperando que aparecesse algo”.
Na chamada "Capital do Agreste", o conforto ainda estava distante e Heleno diz que chegou a passar fome. Contudo, o carinho pela cidade é tanto que ela foi a escolhida para a construção de uma escolinha, com intuito de perpetuar os ensinamentos que aprendeu. Fica no Bairro Vassoural. “Estou muito orgulhoso dessa semente que estou plantando. Agora, estou aprontando a nova geração”, em referência aos alunos e um em especial David, um jovem de 15 anos com quem vai se apresentar no dia 24 de junho, no São João de Caruaru. “É uma riqueza, um presente saber que a sanfona dos 8 baixos não vai cair, vai continuar”, acredita.
Atualmente, o artista possui seis sanfonas e cada uma recebe o nome de uma pessoa que foi importante durante a caminhada até o sucesso. Com orgulho, mostra a mais recente aquisição, que tem um segredo especial. Heleno afirma que a francesa Serafini é a única no mundo com duas afinações, o sol dó e o sustenido si. “Só existe duas, essa e outra que está na minha casa em São Paulo. Junto com Marque Serafini, criei esse modelo de um sonho que tive”, confidencia.

6 de fev de 2016

Multiciência: Como é bom saber e poder tocar uma sanfona

Publicado originalmente em http://multicienciaonline.blogspot.com.br/2015/06/como-e-bom-saber-e-poder-tocar-uma.html?spref=bl


Como é bom saber e poder tocar uma sanfona


Por Brena Souza
  

Luiz Gonzaga foi o precursor e criador do baião, por isso ganhou o posto de rei. Também agregou o xote, o forró e as marchinhas juninas puxando o fole que aprendeu com o pai Januário. E levou toda essa mistura para e dentro e fora do Brasil. Gonzagão utilizou o instrumento para difundir a cultura nordestina por meio de suas composições, numa época em que esses gêneros não eram tão conhecidos nacionalmente e chegou até a enfrentar o preconceito principalmente no sudeste. Só que sua música e de parceiros vingou com grandes discos e clássicos que fazem parte da história da MPB, a exemplo de Asa Branca e Assum Preto.


Instrumento vira paixão de jovens seguidores, como Renan Mendes.

Hoje, percebe-se que a versatilidade da sanfona ou acordeon traduz os diversos ritmos desde o forró pé-de-serra à música clássica, atraindo variados públicos. No São João, há uma efervescência cultural que multiplica seguidores de Gonzaga puxando o fole por onde passa. Muitos com zabumba e triângulo. Em Juazeiro-BA, o músico Raimundinho do Acordeom lembra com saudade dos tempos em que surgiu aos 17 anos, seu interesse pelo instrumento.

“Passei a infância no sertão, no povoado de Riacho da Massaroca, em Curaçá. Na casa dos meus parentes quase sempre tinha uma sanfona. Aconteciam sempre os bailes que o saudoso Vicente do Riacho fazia e era o cara que quando fazia o forró a noite de São João durava três dias de festa. Então eu nasci nesse terreiro”, conta Raimundinho. 

Dominguinhos
O músico que está no mercado desde os anos 70, falou ainda sobre suas influências do cenário musical nordestino. “O rei Luiz Gonzaga foi o primeiro a fazer sucesso com o, xote, xaxado, as modas juninas. Eu alcancei Luiz Gonzaga como o primeiro, depois veio Marinês, Dominguinhos e os filhotes dele”. 

Engana-se quem pensa que somente toca sanfona aqueleque almeja seguir uma carreira musical. O engenheiro agrônomo Rafael Borges, 28, disse que seu interesse pelo acordeom surgiu quando ainda estava na faculdade. Desde então, se apaixonou pelo instrumento. “Comecei por influência do meu curso, o pessoal gostava muito de forró então fui entrando nesse círculo. Deixei de amar o violão e a bateria e comecei a tentar aprender a sanfona”, explica.

Apaixonado pela cultura nordestina, ele não esconde o prazer ao tocar o instrumento. “A sanfona liga a regionalidade da pessoa à música e ao prazer que você sente quando desenvolve aquilo que gostamos. Gosto tanto de tocar bateria, como de tocar violão, mas me entusiasmo mais com o acordeom”, destacou.

Targino Gondim, músico e idealizador do Festival Internacional da Sanfona
O instrumento ícone da cultura popular nordestina também revela seu viés erudito, quando se torna parte integrante de concertos. Tanto que na segunda edição do “Festival Internacional da Sanfona”, realizado em 2010, as cidades irmãs de Juazeiro-BA e Petrolina-PE, no Vale do São Francisco, receberam o acordeonista italiano Mirco Patarini aplaudido por todo o público ao mostrar seu talento nos acordes clássicos.

A queridinha das festas juninas - O pesquisador e músico, Leonardo Rugero Peres, em seu ensaio “A sanfona de oito-baixos na música instrumental brasileira”, publicado no site Músicos do Brasil, descreve como a queridinha das festas juninas surgiu. A sanfona de oito-baixos originou-se no século XIX na Europa, mas foi se inserindo em vários países e recebendo diferentes nomes, inclusive no Brasil. Em 1829, que o inventor vienense CyrillDemian batizou de “acordeom” o instrumento que mais tarde aperfeiçoado, seria um ícone cultural em vários países e em diferentes ritmos.

Aqui no Brasil ela é gaita-de-ponto, cabeça-de-égua, pé-de-bode, fole de oito-baixos entre outras nomenclaturas, e é incessantemente tocada nas festas juninas do Brasil.

Sanfona ou Acordeom? – Eis a questão que ronda a cabeça de muitos que se interessam por conhecer o instrumento. Leo Rugero responde em seu ensaio, para não deixar dúvidas aos apaixonados pelo instrumento. Sanfona e acordeom são instrumentos diferentes. Segundo Leo, a sanfona de oito-baixos possui como característica marcante, a bissonoridade. Isso significa que abrindo o fole (parte onde estão as pregas do instrumento) um botão corresponde a uma nota, e fechando a outra. Ou seja, o movimento do fole determina a nota. Já no acordeom de teclado, cada tecla produz uma nota independente da abertura do fole.

Para quem gosta do som do acordeom, ouça Luiz Gonzaga e a eterna Respeita os oitos baixos do teu pai

SEU ZÉ CUPIDO , MARSAL E MIRA CUPIDO - O TICO DO CALANGO

29 de jan de 2016

Texto – Com respeito aos oito baixos

Leo Rugero e Ze Calixto p
*Texto enviado pelo Léo Rugero
A sanfona de oito baixos é um dos instrumentos matriciais do forró, sendo o instrumento que marca a infância de Luiz Gonzaga e a fundamentação do estilo da sanfona nordestina.
De acordo com o musicologo paraibano Batista Siqueira, a sanfona de oito baixos teria substituído a viola de arame, se tornando o principal instrumento solista nos bailes rurais da região Nordeste na virada do Séc.XX.
Nesta região, este pequeno acordeon de origem vienense, composto por vinte e um botões para a mão direita e oito botões para a mão esquerda, seria mais conhecido como “harmônica de oito baixos”, “fole de oito baixos”, “pé de bode”, “concertina” ou, simplesmente, “ fole”.
 Luiz Gonzaga, descrevendo os talentos de seu pai, Januário, descreve que ele “tinha duas habilidades, pegava no bacamarte e tocava sanfona, para divertir a cabroeira nos dias de sábado e domingo”. Conseqüentemente, também foi o primeiro instrumento do rei do baião. Em 1920, quando contava com apenas oito anos de idade, Gonzaga adquiriu sua primeira sanfona, um fole de oito baixos da marca alemã Koch. Portanto, embora este instrumento tenha se difundido por toda a região Nordeste, foi mais precisamente na Fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, em Pernambuco, que o fole de oito baixos entraria definitivamente para a história da música nordestina.
O velho Januário, não era apenas um afamado sanfoneiro, também sendo reconhecido como um requisitado afinador de sanfonas. Então, durante sua infância e adolescência, o menino Gonzaga cresceu entre os pequenos foles de oito baixos e seus intrincados sistemas de botões. Luiz Gonzaga descreve em suas memórias que se “aproveitava das velhas harmônicas” que seu pai consertava, e, aos poucos, já era capaz de tocar “qualquer marca, qualquer tipo, fosse simples, si bemol ou semitonada”.
Naquela época, no Nordeste, ainda não haviam se difundido os modernos acordeões com teclados de piano para a mão direita e 120 baixos para a mão esquerda, que se tornariam o instrumento principal do forró pé de serra, sobretudo a partir da consagração fonográfica e radiofônica de Luiz Gonzaga, anos mais tarde, no final da década de 1940.
“Si bemol” ou “transportada” é a designação popular para a afinação específica que se consagraria como a maneira nordestina de afinar as sanfonas de oito baixos. Até hoje, a origem deste sistema é algo que se perde na noite dos tempos. Examinando sanfonas remanescentes da época de Januário, foi possível constatar que esta afinação já estava presente na região Nordeste ainda nas primeiras décadas do séc.XX, como atesta a história oral relatada por Luiz Gonzaga.
O repertório tradicional da sanfona de oito baixos da região Nordeste se constituiria basicamente de música predominantemente instrumental relacionada às danças praticadas nos bailes rurais nos albores do séc.XX. Parte considerável destas danças eram de origem européia, tal como a scottish – que se transformaria em xote, e a quadrilha – que se tornaria o arrasta-pé. Porém, também surgiriam danças de possível origem autóctone, como o xaxado e o baião – este último, presenciado por Euclides da Cunha em seu relato sobre a Guerra de Canudos, no final do séc.XIX. O poeta e jornalista Bráulio Tavares reforça esta perspectiva, ressaltando que os “forrós sertanejos eram animados quase sempre por música instrumental.(…) Além dos temas instrumentais, também surgia um grande número de canções folclóricas, que estavam na memória de todos, e eram cantadas em conjunto”.
Para muitos, o repertório de sanfona de oito baixos corresponde ao que há de mais antigo e tradicional no baile nordestino. Provavelmente, esta crença reforça a impressão de que a sanfona de oito baixos esteja constantemente associada ao passado rural e arcaico, ainda que se considere que tenha substituído instrumentos predecessores como a viola, o pife e a rabeca.
Em 2012, por intermédio do Prêmio Centenário de Luiz Gonzaga da FUNARTE, pude realizar um sonho, que foi a filmagem de um documentário de media metragem sobre a sanfona de oito baixos na região Nordeste. A idéia deste filme era refazer o percurso de minha pesquisa de campo que havia permeado a dissertação de mestrado intitulada “Com Respeito aos Oito Baixos”, realizada na Escola de Música da UFRJ, entre 2009 e 2011.
Através do incentivo da FUNARTE, pude, ao lado de dois cinegrafistas – Débora Setenta e Marcílio Costa, um assistente de câmera – André Fontes e um motorista – Silvério Candido, retornar à Paraíba, Ceará e Pernambuco, em alguns dos principais cenários por onde a sanfona de oito baixos continua a ser tocada e reinventada, através das mãos de hábeis tocadores. No filme, se destacam as participações de Joquinha Gonzaga, representando a dinastia da família Gonzaga; de Nego do Mestre, sábio conhecer do passado musical da região Nordeste; de Zé Calixto, Luizinho Calixto, Geraldo Correia e Arulindo dos Oito Baixos, importantes sanfoneiros reconhecidos por suas atividades profissionais como grandes solistas deste difícil instrumento; de jovens tocadores como Antonio da Mutuca e Ivison Santos, prova viva de que o “roncado” dos oito baixos ainda ressoam forte no solo nordestino.
Para mim, o maior trunfo deste projeto foi ter sido realizado o lançamento oficial deste documentário na Praça da Matriz, em Exu, cidade natal de Luiz Gonzaga, no dia 12 de junho de 2013, graças a Lello Santana, Marlla Teixeira e Helenilda Moreira, então secretária de Cultura do município de Exu. Foi como retornar ao solo sagrado, “de onde veio o baião” e levar a história ao caminho de volta para o cenário de onde surgiu aquele ser iluminado chamado Luiz Gonzaga do Nascimento, que, caso não tivesse existido, provavelmente, não estaríamos dançando, cantando, tocando, escrevendo e falando sobre forró, tal como fazemos hoje em dia no Brasil.
Assim, “Com Respeito aos Oito Baixos” é uma viagem ao âmago, ao cerne que sustenta e fundamenta os primórdios da sanfona na região Nordeste.

Video 8 Baixos Cabaçal - Mará e seus 8 Baixos e a banda cabaçal dos Irmã...

27 de jan de 2016

BAU DOS 8 BAIXOS

Bau dos oito baixos era o nome artístico de Sebastião Moraes(1939 - 2002), representativo sanfoneiro caruaruense.
Seu maior êxito fonográfico foi a música virtuosística "Botão Variado", brilhantemente gravada por Abdias em 1975.
Era conhecido por sua performance espalhafatosa, que incluía números circenses, onde realizava toda sorte de evoluções coreográficas com o fole de oito baixos. Este raríssimo vídeo registra este aspecto de suas performances.


Forró no Asfalto 1986 Gerson Filho e Lourinho do Acordeon.

Clemilda e Gerson Filho regressariam ao Nordeste no final da década de 1970, fixando-se em Aracajú, Sergipe. Desde então, comandariam um programa televisivo chamado "Forró no Asfalto". Nesta edição, de 1986, temos Gerson Filho, indubitavelmente, o maior divulgador da sanfona de oito baixos em afinação natural. Uma lenda do forró que se encontra esquecida.


Forró no Asfalto 1986 Gerson Filho e Lourinho do Acordeon.

23 de jan de 2016

Hermeto Pascoal - Agreste (1978)

Nos compassos iniciais desta sublime suíte orquestral de Hermeto, podemos ouvir seu pai, o Pai Pascoal, tocando seu fole de oito baixos. Poucos segundos que valem a raridade do registro.


22 de jan de 2016

Passeando nos 8 baixos: Ivison Jovem músico pernambucano lança seu primeiro registro

http://culturabrasil.cmais.com.br/colunas/lancamentos/passeando-nos-8-baixos-ivison

Pé Duro dos 8 Baixos - Retrospectiva

A HARMÔNICA

O músico e pesquisador Antônio Anselmo tem resgatado uma das vertentes menos difundidas do acordeon diatônico no Brasil, o estilo que se difundiu no estado do Acre. Vale a pena observar este registro!

20 de jan de 2016

JUCA BINIOTTO CANTANDO CALANGO NO GRUPO ETA CALANGO NO FESTIVAL VALE DO ...

Os 8 Baixos do Leo Rugero




Em 2013, tive a oportunidade de participar do festival Rootstock, em São Paulo. Na ocasião, realizei o lançamento de meu documentário "Com Respeito aos Oito Baixos",. Além da exibição do filme, houve uma pequena apresentação, que contou com as inesperadas participações especiais de Lene dos Oito Baixos, entre outros músicos do mundo do forró. Na ocasião, Everaldo estava lá, não apenas documentou o evento como postou no youtube, através de seu canal "fole de 8 baixos", um dos maiores canais de vídeos da rede.



Publicado em 25 de nov de 2013

Leo Rugero é Cineasta e Músico; há mais de 5 anos que ele está envolvido com projetos em prol da Sanfona de 8 Baixos. Primeiro escreveu um livro e agora fez um filme "Com Respeito aos 8 Baixos" onde narra toda a trajetória da Sanfona de 8 Baixos, passando por Januário pai do Luiz Gonzaga, João de Deus pai do Zé Calixto, e todos os Sanfoneiro da Família Calixto. O filme tem as participações de membros da Família Gonzaga, família Calixto, Abdias, Geraldo Correia, Antonio da Mutuca e vários outros Sanfoneiros. O filme foi rodado nos Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro. O Leo já apresentou o Filme no Nordeste, Rio de Janeiro e veio a São Paulo para apresentar o Filme durante o Festival Rootstok.
Estive com o Leo Rugero no festival Rootstok e senti que temos algo em comum: gostamos demais da Sanfoninha de 8 Baixos. Ele começou tocando 8 Baixos com afinação Natural no estilo "Gaita Ponto" usado no Sul do Brasil. Como ele narra no seu Filme, depois que conheceu Zé Calixto sua vida mudou e passou a gostar mais ainda do Fole de 8 Baixos. Comprou outra Sanfona e deu para Arlindo dos 8 Baixos fazer o transporte de afinação no estilo nordestino, a mesma afinação usada pela grande maioria dos tocadores de 8 Baixos inclusive o próprio Arlindo, Zé Calixto, Geraldo Correia e muitos outros. Atualmente o Leo toca em duas afinações diferentes da Sanfona de 8 Baixos e ministra aulas deste instrumento; ele esta envolvido em um projeto da Secretaria da Cultura do Rio de Janeiro.
Após sua apresentação no Rootstok o Leo saiu do palco tocando junto com o Lene dos 8 Baixos numa passeata pelo Parque até o Auditório onde seria exibido o seu Filme.

O Filme "Com Respeito aos 8 Baixos" é um presente aos simpatizantes do "Pé de Bode"; o Leo me presenteou com um exemplar do filme, e ao vê-lo novamente em casa me emocionei novamente; é um belíssimo trabalho. Parabéns ao Leo e toda sua equipe de produção.

3 de ago de 2015

Forró no Asfalto 1986 Gerson Filho e Lourinho do Acordeon.



No ano de centenário de Gerson Filho, eis que o amigo Paulo Correa nos oferece a digitalização de um trecho de uma performance ao vivo de Gerson Filho no programa "Forró no Asfalto", que era apresentado por ele e Clemilda. Uma maravilha assistir um raríssimo vídeo deste grande representante do fole nordestino. Pura alegria e descontração com acompanhamento de acordeon e um grupo de ritmistas da pesadíssima! Será que o menino do agogô é o Robertinho? A animação da festa é marcada pela empolgadíssima Clemilda, ainda no auge de sua forma. Presente aos admiradores do legado do grande sanfoneiro alagoano.



21 de jul de 2015

Em PE, famílias de Arlindo, Selma e Abelardo lutam para manter legado


21/07/2015 08h17 - Atualizado em 21/07/2015 08h17

Em PE, famílias de Arlindo, Selma e Abelardo lutam para manter legado

Arlindo dos 8 Baixos e Selma do Coco queriam preservar ritmos do estado.
Casa de Abelardo da Hora deve virar museu, segundo sonhos dos filhos.

Vitor Tavares Especial para o G1 PE
Familiares de Arlindo dos Oito Baixos, Abelardo da Hora e Selma do Coco idealizam projetos para manter legado artístico (Foto: Luna Markman / G1 - Katherine Coutinho/G1 - Rafael Passos/Secom-JP)Familiares de Arlindo dos Oito Baixos, Abelardo da Hora e Selma do Coco idealizam projetos para manter legado artístico (Foto: Luna Markman / G1 - Katherine Coutinho/G1 - Rafael Passos/Secom-JP)
Nos últimos anos, Pernambuco perdeu grandes ícones de sua cultura. Ariano Suassuna, Abelardo da Hora, Reginaldo Rossi, Selma do Coco, Dominguinhos, Arlindo dos Oito Baixos, Mestre Camarão. Nomes que consolidaram o estado como polo musical e artístico no cenário nacional e que fizeram de suas vidas patrimônio de uma época e de um povo. Após a morte, o que deveria ser permanente – a memória – acaba se enfraquecendo diante da falta de apoio e da presença de espaços e símbolos que honrem o legado que cada um deixou, depois de décadas de produção cultural.
Escutar a música e as histórias de Selma do Coco, contemplar as esculturas de Abelardo da Hora ou dançar um forró dominical aos moldes do que Arlindo dos Oito Baixos fazia. São ideias que familiares e produtores dos artistas tentam manter acesas, mesmo diante de um cenário não muito animador de crise e de pouco investimento no âmbito cultural. Em comum, os três projetos visam a valorização e perpetuação do legado desses artistas pernambucanos que morreram recentemente. Em diferentes estágios para se tornarem concretas, as propostas seguem no papel, mas se mostram essenciais para que a história não se perca na desinformação.
Abelardo da Hora Filho está a frente do instituto que preserva a memória de seu pai (Foto: Vitor Tavares / G1)Abelardo da Hora Filho está à frente do instituto que preserva a memória de seu pai (Foto: Vitor Tavares / G1)
Família de Abelardo quer casa-museu
Foi em 2006 que um dos maiores artistas plásticos do Brasil, Abelardo da Hora, adquiriu um terreno ao lado de sua casa, no bairro da Boa Vista, no Recife, para construir a sede do instituto que leva seu nome. A ideia era fazer uma construção arrojada, para abrigar salas dedicadas a diversos tipos de arte, além de expor permanentemente peças do seu acervo.
Hoje, o local entre as ruas do Sossego e Cardoso Ayres ainda é um grande vazio. Tem apenas duas cobertas e guarda algumas das obras de Abelardo. Em setembro de 2014, o então governador de Pernambuco, João Lyra Neto, compareceu ao velório do artista e prometeu ajudar no que fosse possível para consolidar o Instituto Abelardo da Hora. Quase um ano se passou e, frente à desesperança quanto ao apoio institucional, a família decidiu vender a área e se dedicar à casa onde Abelardo morava.
A ideia é fazer uma casa-museu, com pé-direito alto e onde os visitantes possam ver algumas obras originais, além de conferir o local em que o artista trabalhava e descansava. Lá, estão peças de temática social, como “Flagelo”, “Sem Terra e Sem Vez”, “A Fome e o Brado”, sem falar nas tradicionais esculturas de mulheres em poses sensuais. “Nos sete meses que se passaram, o entendimento da família foi em manter essas obras todas juntas, e não dividir para os filhos. A gente entende que arte de Abelardo é do Recife, de Pernambuco e do Brasil, não de uma família”, destacou Abelardo da Hora Filho.
Esculturas estão espalhadas pela casa de Abelardo, que deve se transformar num museu (Foto: Vitor Tavares / G1)Esculturas estão espalhadas pela casa de Abelardo, que deve se transformar num museu
(Foto: Vitor Tavares / G1)
Ao todo, no local há cerca de 1,5 mil obras, entre esculturas e desenhos. E novos trabalhos de Abelardo ainda aparecem, a cada procura pelos antigos móveis. Recentemente, o filho achou, nas gavetas do pai, 80 desenhos inéditos, todos sobre terreiros de umbanda e orixás. Nos corredores estão esculturas de todos os tipos, e casa está intocada, do jeito que o mestre deixou.
Espaço onde seria erguida a sede do Instituto Abelardo da Hora deve ser vendido (Foto: Vitor Tavares / G1)Espaço onde seria erguida a sede do Instituto
Abelardo da Hora deve ser vendido
(Foto: Vitor Tavares / G1)
O Instituto Abelardo da Hora, além de querer construir o museu, mantém atividades para a preservação da memória. No Recife, por exemplo, existem cerca de 600 obras de Abelardo espalhadas pela cidade, em espaços públicos e privados. Algumas dessas obras, através de uma manutenção malfeita, perdem as características originais. Antes de morrer, o artista ainda deixou alguns projetos em andamento, que devem ser levados adiante pela família, como a Torre Cinética na Praça da Torre, monumento derrubado na ditadura militar; o busto de Gregório Bezerra; e uma obra no Hospital da Mulher da Prefeitura do Recife.
“Impressionante como a memoria do povo é curta, por isso a gente realmente tem que lutar pela preservação da memória da grande figura que foi meu pai. Mas não há nenhum diálogo entre nós e poder público, até porque não há recursos para nada. Quando a gente tiver uma brecha, vamos buscar”, comentou Abelardo da Hora filho. Para agosto, está prevista uma exposição inédita do artista na Caixa Cultural do Recife, em celebração aos 90 anos de nascimento.
A casa de Abelardo da Hora segue aberta para visitação, mas de forma agendada. Os interessados devem entrar em contato através do número 3221-0773.
Dona Odete e o produtor Roberto Andrade lamentam não conseguir manter festas de forró em Dois Unidos (Foto: Vitor Tavares / G1)Dona Odete e o produtor Roberto Andrade lamentam não conseguir manter festas de forró em Dois Unidos (Foto: Vitor Tavares / G1)
Casa arrumada, mas sem Forró do Arlindo
Todos os dias, a viúva de Arlindo dos Oito Baixos, dona Odete Macedo, arruma o espaço destinado ao forró que o marido construiu nos fundos de sua casa, em Dois Unidos, Zona Norte do Recife. O espaço ganhou até uma placa nova, segundo dona Odete há cerca de dois meses, identificando como ponto de difusão da cultura nordestina. Só que, sem dinheiro e sem nenhum tipo de apoio, dona Odete e o produtor de Arlindo, Roberto Andrade, pararam as atividades do espaço no último mês de março.
O Forró do Arlindo foi criado em 2000, como um encontro de amigos. Foi crescendo e virou um espaço de efervescência do forró na Zona Norte, reunindo nomes como Marinês, Santanna e Dominguinhos. O espaço também preservava a sanfona dos oito baixos, modelo diferenciado usado por poucos forrozeiros. Organizar a festa em que batia ponto todos os domingos era a coisa que mais dava prazer em Arlindo, até quando a saúde dele permitiu. O pernambucano morreu em setembro de 2013, após problemas decorrentes de diabetes.
O cenário hoje no Forró do Arlindo é um misto de organização e abandono. As mesas estão organizadas, as toalhas floridas fazem a decoração, e o chão é varrido constantemente. A estrutura, entretanto, padece.  O maior problema é no telhado, que está solto em algumas partes, com goteiras e podendo causar até um acidente. “Eu venho aqui, arrumo, porque qualquer pessoa que pedir para ver como é o espaço, ele está todo ajeitadinho. Todo dia eu organizo, mas não posso mais me comprometer com as festas”, falou dona Odete.
Espaço do Forró de Arlindo sofre com falta de estrutura (Foto: Vitor Tavares / G1)Espaço do Forró de Arlindo sofre com falta de estrutura (Foto: Vitor Tavares / G1)
A vontade de manter o forró existe, além de criar um espaço de preservação para a sanfona dos oito baixos, com oficinas regulares. O problema é que, ganhando apenas uma aposentadoria, Odete não pode garantir a festa. Precisa ter capital de giro para alugar som, pagar artistas, bancar os bares e as comidas. “Arlindo sempre queria manter a tradição que ele ajudou a propagar até quando pôde, dá uma tristeza ver isso aqui sem movimento”, destacou Roberto Andrade.
Produtor de Arlindo nos últimos 15 nos de vida do forrozeiro, Roberto tem a ideia de transformar o espaço em um polo junino, além de ter uma programação anual de festas e também oficinas de sanfoneiros. Ele prepara uma maratona de reuniões com os governos estadual e municipal para tentar viabilizar algum projeto. Pensa, inclusive, em criar tours dedicados ao forró no Recife, com visitação no espaço. Para este ano, pelo menos uma grande festa deve acontecer: o 15º aniversário do local, em setembro.
Casa de Arlindo recebeu placa informativa da Prefeitura, mesmo sem ter mais programação (Foto: Vitor Tavares / G1)Casa de Arlindo tem placa informativa da Prefeitura,
mesmo sem ter mais programação
(Foto: Vitor Tavares / G1)
Desde que Arlindo morreu, dona Odete não foi procurada oficialmente por nenhum representante do governo para conversar. A época de São João passou e, com ela, a tristeza de não conseguir fazer as festas no período mais querido pelos forrozeiros. “Recebi muitas ligações, as pessoas pedindo que eu organizasse, que é uma pena não ter mais. O povo lembra muito ainda dele, sempre me procuram, mas o espaço não estou conseguindo manter. Mas se Deus quiser isso aqui vai voltar a ser o que era”, disse a viúva. Em 2012, Arlindo dos 8 Baixos ganhou o titulo de Patrimônio Vivo de Pernambuco.

A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura, disse que, por se tratar de um espaço privado, a família precisa apresentar um projeto da Fundação de Cultura da cidade, com contrapartidas sociais, para receber apoio. Em relação à placa que dona Odete diz ter sido colocada este ano, a Secretaria de Turismo e Lazer informa que foi instalada no primeiro semestre de 2014, através de um projeto de sinalização turística.
Casa de Selma do Coco tem pintura no muro indicando espaço cultural (Foto: Vitor Tavares / G1)Casa de Selma do Coco tem pintura no muro indicando espaço cultural (Foto: Vitor Tavares / G1)
Briga de família e os sonhos de Selma
Enquanto estava viva, até o último mês de maio, Selma do Coco dizia aos netos que sonhava em ter espaço dedicado ao coco em Olinda. Ela, que ajudou a difundir o ritmo pelo Brasil, queria perpetuá-lo mesmo depois que partisse. A cantora também se tornou Patrimônio Vivo do estado em 2012.
O problema da família de Selma do Coco está em torno da casa onde ela morava, no bairro do Amparo, em Olinda. A cantora viveu no local até seus últimos dias, com um dos seus netos, Alexandre. O G1 foi ao imóvel, que tem o nome “Espaço Cultural” no muro, mas o neto se limitou a dizer que não poderia conversar com a reportagem por orientação de advogados. Informou, entretanto, que gostaria de manter viva a memória de Selma.
Outro grupo de netos e parentes de Selma, por sua vez, já tem um projeto na cabeça. Querem um ponto de cultura destinado ao ritmo pernambucano. “Ela sempre manifestou interesse em fazer algo, mas, por questão de idade e alguns problemas, preferiu deixar quietinho. A ideia é difundir o coco de roda, até o Japão, mostrar quem era Selma através do resgate das cantigas antigas. A gente quer mostrar quem foi Selma: negra, pobre, vendedora de tapioca e cerveja para manter a sobrevivência”, disse Jaqueline Leite, nora de Selma do Coco
Viúva aos 33 anos, a cantora só teve três filhos, todos falecidos, mas criou diversos sobrinhos e netos. Trabalhou com música para manter todos. De acordo com os parentes, a partir de julho, eles vão tentar organizar o projeto para tentar verba junto aos governos estadual e federal. Ainda não há definição sobre a casa onde ela morava, pois a briga está na Justiça. “Ela engrandeceu não só a família, mas Pernambuco, levando o coco de roda para mundo”, finalizou Jaqueline.
Em nota, a Prefeitura de Olinda informou que, até o momento, não existe projeto para preservação da memória de Selma do Coco, mas que realiza seminários e encontros destinados ao coco na cidade.
Procurada pelo G1, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) não deu retorno até a publicação desta reportagem.

22 de jun de 2015

Hermeto Pascoal - Forrozão dos Oito Baixos

Hoje é aniversário de 79 anos de Hermeto Pascoal.
Só isso já seria motivo para um dia de alegria e muita música. Hermeto,
mais do que um músico, sempre encarnou o próprio espírito da música,
tal a sua musicalidade. A todos nós, músicos e admiradores daquilo que
chamamos por música, é uma alegria tê-lo por perto, tocando, compondo
novas e intrincadas melodias, improvisando em pianos e bacias. Então, em
homenagem ao aniversário de Hermeto, um forró no fole de oito baixos,
durante seu aniversário de 75 anos, lá eu estava no meio da festa, quatro anos atrás! Aniversário de 75 anos de Hermeto Pascoal.

A sanfona utilizada por Hermeto pertenceu a seu pai, e antes de tocar a
música "Forrozão dos Oito Baixos", Hermeto lembrou de uma passagem
engraçada de seu pai num vôo de avião para a Argentina, no final da
decada de 1970.


"Papai
morava no bairro Jabour e um dia nós fomos tocar na Argentina e o papai
com essa mesma sanfoninha. Chegou na hora, eu não lembro qual era a
companhia de aviação, nós sentamos, aí a aeromoça chegou assim bem
delicadamente e disse: "Moço, por gentiliza, o senhor tem que me dar
esse instrumento para eu levar lá para cima, porque o senhor não pode
viajar com ele no colo". Meu pai falou pra ela na maior simplicidade do
mundo: " Minha filha, esse instrumento aqui, pra você levar lá pra cima,
você tem que me levar também." Aí, ficou aquele empate dentro do avião,
o avião já se preparando para decolar, aí eu falei pro papai: "Papai,
deixe ela levar, que ela toma cuidado". Aí papai disse assim: "Meu
filho, pra eu largar esse oito baixos aqui, eu tenho que ir junto, pra
onde ele for eu tenho que ir junto". Aí chamaram a aeromoça novamente, e
ela deixou ele viajar com o oito baixos. E ele viajou com o oito baixos
agarrado assim".
mais informações: sanfonade8baixos.blogspot.com

17 de jun de 2015

Homenagem ao Centenário de Gerson Filho (1915 – 2015) – Léo Rugero


Homenagem ao Centenário de Gerson Filho (1915 – 2015) – Léo Rugero


O ano de 2015 marca uma data importante para a música nordestina: o centenário de Gerson Argolo Filho, artisticamente conhecido como Gerson Filho. 
Nascido em 12 de maio de 1915, na Fazenda Mundéis, no Município de Penedo, no Estado de Alagoas, Gerson Filho foi o primeiro solista de oito baixos no estilo nordestino, a gravar profissionalmente em disco.
Em 9 de abril de 1953, com a gravação em disco de 78 rotações das músicas “Maracanã”e “Quadrilha da Cidade”, através da gravadora Todamérica, Gerson Filho inauguraria a era fonográfica da sanfona de oito baixos nordestina, abrindo caminho para outros solistas do instrumento, que despontariam em seguida, tais como Pedro Sertanejo, Severino Januário, Zé Calixto e Abdias.
Tão somente este pioneirismo  asseguraria um lugar central de Gerson Filho na história do fole de oito baixos na região Nordeste. No entanto, o sanfoneiro alagoano edificaria uma das carreiras mais sólidas na história do forró, se constituindo em um dos mais representativos solistas da sanfona de oito baixos da região Nordeste.  Também seria um destacado compositor, tendo obras gravadas por Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Fagner, entre outros nomes representativos da cultura musical nordestina. 
Indubitavelmente, Gerson Filho foi o primeiro solista de oito baixos a obter reconhecimento artístico além do restrito âmbito de atuação dos sanfoneiros nos bailes rurais e de periferias urbanas. Através do rádio e do disco,  se consagraria, tornando-se uma referência da sanfona de oito baixos no contexto midiático de apropriação e adaptação fonográfica desta tradição sonora.
A interessante biografia deste sanfoneiro merece ser resgatada, bem como sua vasta obra composicional, dispersa em dezenas de fonogramas registrados ao longo de cinco décadas de carreira profissional.
A história musical de Gerson Filho principia em sua infância, e, desde o primeiro momento, foi marcada pelo amor à primeira vista por aquele que seria seu instrumento de fé e trabalho: a sanfona de oito baixos.
Ao completar dez anos, Gerson Filho foi enviado pela família aos cuidados de uma tia, para que completasse seus estudos na escola pública. Por volta desta época, teria ocorrido seu primeiro contato com o fole de oito baixos. Certo dia, viu passar perto da escola onde estudava, o sanfoneiro Zé Moreno, que teria causado impacto ao menino.
Algum tempo depois, Gerson Filho pediria a Zé Moreno para tomar parte de seu conjunto. Já haviam dois ritmistas ao encargo do pandeiro e do gonguê, e Gerson ficaria responsável pelo ganzá. Durante o convívio com Zé Moreno, Gerson Filho aprenderia aos poucos a manejar o complexo instrumento, aproveitando os intervalos dos bailes e funções nas quais participavam, para descobrir os segredos entre o fole e os botões. 
Certa noite de São João, Zé Moreno havia sido contratado para fazer dois bailes no mesmo dia e horário. Então, solicitou ao jovem aprendiz que assumisse o posto de sanfoneiro em um dos bailes. Com a aceitação pública do jovem talento, dava-se o início de uma longa carreira.
No entanto, ainda que tenha adquirido notoriedade como sanfoneiro entre as comunidades que circundavam o município de Penedo, a música constituía apenas uma das atividades profissionais do jovem, que também trabalhou como feirante e até mesmo proprietário de um cabaré com o insólito nome de “Orgia Lua Branca”.
Em busca de novos horizontes, Gerson Filho se deslocaria ao Rio de Janeiro em 1948, numa longa viagem carregada de percalços. É difícil imaginar como deve ter sido a receptividade ao trabalho do jovem sanfoneiro na Guanabara. Devemos lembrar que nesta época, ocorria a definitiva consagração de Luiz Gonzaga no Rio de Janeiro e, consequentemente, em todo o pais. Porém, o fole de oito baixos era um instrumento praticamente desconhecido no Rio de Janeiro, circunscrito às práticas de músicas tradicionais como o calango e a folia de reis, concentrados nas periferias da região metropolitana. Alem disso, Gerson Filho era adepto da afinação natural, que restringe o instrumento à pratica de melodias diatônicas, minimizando enormemente suas chances de inserção no rádio como acompanhador de cantores ou à frente de regionais de choro.  
Em 1949, participaria do programa  “Caminho da Glória”, e logo depois seria admitido no programa "A Hora Sertaneja”, apresentado pelo radialista Zé do Norte.
No entanto, seria apenas algum tempo mais tarde, que a sorte brindaria a carreira do sanfoneiro, quando encontra casualmente num ponto de ônibus, a famosa dupla Venâncio e Corumbá, que trabalhava profissionalmente com o agenciamento de artistas nordestinos. Acompanhando a dupla, Gerson se apresentaria em circos e clubes, iniciando o processo de consolidação de sua carreira artística.
Em 1953, surge o primeiro contrato fonográfico com a Todamérica, onde começa a produzir discos de 78 rotações. Entre as primeiras músicas gravadas por Gerson, estava uma quadrilha, gênero musical que identificaria muito seu trabalho, devido ao êxito de suas criações e adaptações de temas tradicionais inspirados no gênero. Além disso, gravaria baiões, xaxados, calangos, xotes, valsas e mazurcas, predominantemente instrumentais e destacando pela primeira vez em disco a sonoridade  da harmônica de oito baixos, instrumento matricial no percurso histórico do acordeon na região Nordeste.
  Em 1957, pela mesma etiqueta, gravaria o disco “8 baixos”, primeiro disco em 33 rotações e 10 polegadas de um solista de fole de oito baixos. O disco continha algumas das faixas  anteriormente lançadas em 78 rotações agrupadas em um único disco, novidade mercadológica da época.



No ano seguinte, pelo efêmero selo VASP, lançaria o primeiro long-play, legitimando seu caminho de pioneirismo. No entanto, sua carreira decolaria definitivamente, através do contrato com a RCA, importante gravadora que divulgaria seu trabalho para todo o Brasil, tendo sido talvez o único solista de oito baixos que tenha sido reconhecido além do âmbito do público de forró, devido a receptividade de suas gravações entre o público do Sudeste. Possivelmente, uma das principais razões para isso, era a fidelidade de Gerson Filho à afinação natural, associada aos repertórios advindos de tradições musicais distintas, como a gaúcha e mineira. O uso deste sistema de afinação ampliaria a expansão de seu repertório entre os praticantes deste instrumento oriundos de outras regiões do Brasil. Isso se refletiria em discos como "O Rei dos 8 baixos", em que o repertório flertava com músicas do repertório gaúcho e paulista, como a rancheira "Mate amargo".
Em 1964, quando trabalhava na Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, Gerson Filho conheceu a jovem Clemilda, então garçonete de um restaurante próximo à rádio.  Do namoro surgiria uma união de 28 anos, na vida e na arte.
 

Em 1969, o casal mudaria para Aracaju, voltando à região Nordeste definitivamente. Através de um programa de rádio chamado Forró no Asfalto, Aracaju se tornaria o quartel general da dupla, que, no entanto, continuaria a produzir seus discos no Rio de Janeiro e em São Paulo, que concentravam majoritariamente os estúdios profissionais de gravação até o final da década de 1980. A partir de 1971, Gerson Filho assinaria contrato com a gravadora Continental, onde permaneceria até o final de sua carreira.
A fidelidade  à afinação natural, a alegria contagiante e corpórea de suas performances, o uso de melodias tocadas nos baixos (notas graves) da sanfona e a criação de melodias marcantes - muitas das quais inspiradas em motivos tradicionais de sua terra natal, são algumas das características que fizeram de Gerson Filho uma das principais referências do fole de oito baixos da região Nordeste.
O músico faleceu em 1994, deixando vasta fonografia e uma identidade peculiar. O sanfoneiro Robertinho dos Oito Baixos, filho do casal Gerson Filho e Clemilda, pode ser apontado como o natural sucessor artístico, tendo herdado a arte do fole com seu pai, embora não tenha firmado  carreira profissional de sanfoneiro.
Que esteja sempre viva a música saltitante e alegre de Gerson Argolo Filho, ou melhor, Gerson Filho, “o rei dos oito baixos”, levantando a poeira dos salões pelos forrós de todo o mundo afora.