9 de fev de 2016

'Não vai cair, vai continuar', diz Heleno dos 8 Baixos sobre legado da sanfona

'Não vai cair, vai continuar', diz Heleno dos 8 Baixos sobre legado da sanfona

Sanfoneiro é um dos homenageados do São João de Caruaru, Agreste de PE.
Ele conta a história e as dificuldades que passou até alcançar o sucesso.

Thays EstarqueDo G1 Caruaru
Heleno dos 8 Baixos, músico (Foto: Thays Estarque/ G1)Heleno iniciou a carreira em Caruaru, onde construiu uma escola de sanfona (Foto: Thays Estarque/ G1)
O músico Heleno dos 8 Baixos, de 54 anos, é um dos homenageados do São João de Caruaru, Agreste de Pernambuco, ao lado do Mestre Manuel Eudócio e Eduardo Campos. Tendo bagagem que inclui a indicação ao Grammy em 1991, com o disco “Brasil Forró”, ele afirmou em entrevista ao G1 que a celebração é um presente de Deus. "É uma grande coisa para qualquer artista, mas principalmente para mim que sou da terrinha”, completa.
Nascido no Sítio Boqueirão, em Ibirajuba, Heleno teve um começo difícil, conta que a família não tinha condições financeiras e que estudou somente até a 4ª série em um grupo educacional - quando um professor reúne crianças e adolescentes da localidade para ensinar todas juntas, em uma mesma sala de aula montado no próprio sítio. “A única coisa que me arrependo nessa vida e que tenho inveja é de não ter estudado mais. O conhecimento é o bem mais precioso do homem”.
A gente nunca sabe de tudo,
os que dizem que sabem
estão mentindo”
Heleno, músico
Vindo de uma família de ciganos, relata que a música sempre esteve presente na casa. “Minha mãe cantava coco de roda, meu pai tocava vários instrumentos e meu irmão na sanfona. Eu mesmo comecei no berimbau de lata e passando por gaita de boca”. Porém, fez questão de afirmar a real paixão: a sanfona de 8 baixos. “No meio de 50 sanfonas, é ela que faz a diferença”.
Aos 12 anos, Heleno foi apresentado a Manoel Maurício, um sanfoneiro conhecido no meio musical por ter um jeito próprio de tocar. Com ele, morou na cidade de Belo Jardim até os 15 anos e aprendeu a tocar os 8 baixos. “Já com idade, tinha uma mania de só me ensinar à meia-noite”, relembra. Autodidata, o músico não sabe ler partituras, mas o mestre ensinou os dois tipos de afinações: a usada no Rio Grande do Sul e na Europa e a Nordestina. "Mesmo já tendo lançado CDs, não deixei de aprender com Manoel até sua morte. A gente nunca sabe de tudo, os que dizem que sabem estão mentindo”, acredita.
Início em Caruaru
A música só se tornou um meio de vida quando se mudou para Caruaru. “Construí minha primeira casa na Rua Macaparana, Cohab I. Foi onde criei minha família. “Passei muita dificuldade. Tinha um ponto na Rua Matriz que os artistas iam para conseguir shows. Ficava sentado o dia todo esperando que aparecesse algo”.
Na chamada "Capital do Agreste", o conforto ainda estava distante e Heleno diz que chegou a passar fome. Contudo, o carinho pela cidade é tanto que ela foi a escolhida para a construção de uma escolinha, com intuito de perpetuar os ensinamentos que aprendeu. Fica no Bairro Vassoural. “Estou muito orgulhoso dessa semente que estou plantando. Agora, estou aprontando a nova geração”, em referência aos alunos e um em especial David, um jovem de 15 anos com quem vai se apresentar no dia 24 de junho, no São João de Caruaru. “É uma riqueza, um presente saber que a sanfona dos 8 baixos não vai cair, vai continuar”, acredita.
Atualmente, o artista possui seis sanfonas e cada uma recebe o nome de uma pessoa que foi importante durante a caminhada até o sucesso. Com orgulho, mostra a mais recente aquisição, que tem um segredo especial. Heleno afirma que a francesa Serafini é a única no mundo com duas afinações, o sol dó e o sustenido si. “Só existe duas, essa e outra que está na minha casa em São Paulo. Junto com Marque Serafini, criei esse modelo de um sonho que tive”, confidencia.

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