6 de fev de 2016

Multiciência: Como é bom saber e poder tocar uma sanfona

Publicado originalmente em http://multicienciaonline.blogspot.com.br/2015/06/como-e-bom-saber-e-poder-tocar-uma.html?spref=bl


Como é bom saber e poder tocar uma sanfona


Por Brena Souza
  

Luiz Gonzaga foi o precursor e criador do baião, por isso ganhou o posto de rei. Também agregou o xote, o forró e as marchinhas juninas puxando o fole que aprendeu com o pai Januário. E levou toda essa mistura para e dentro e fora do Brasil. Gonzagão utilizou o instrumento para difundir a cultura nordestina por meio de suas composições, numa época em que esses gêneros não eram tão conhecidos nacionalmente e chegou até a enfrentar o preconceito principalmente no sudeste. Só que sua música e de parceiros vingou com grandes discos e clássicos que fazem parte da história da MPB, a exemplo de Asa Branca e Assum Preto.


Instrumento vira paixão de jovens seguidores, como Renan Mendes.

Hoje, percebe-se que a versatilidade da sanfona ou acordeon traduz os diversos ritmos desde o forró pé-de-serra à música clássica, atraindo variados públicos. No São João, há uma efervescência cultural que multiplica seguidores de Gonzaga puxando o fole por onde passa. Muitos com zabumba e triângulo. Em Juazeiro-BA, o músico Raimundinho do Acordeom lembra com saudade dos tempos em que surgiu aos 17 anos, seu interesse pelo instrumento.

“Passei a infância no sertão, no povoado de Riacho da Massaroca, em Curaçá. Na casa dos meus parentes quase sempre tinha uma sanfona. Aconteciam sempre os bailes que o saudoso Vicente do Riacho fazia e era o cara que quando fazia o forró a noite de São João durava três dias de festa. Então eu nasci nesse terreiro”, conta Raimundinho. 

Dominguinhos
O músico que está no mercado desde os anos 70, falou ainda sobre suas influências do cenário musical nordestino. “O rei Luiz Gonzaga foi o primeiro a fazer sucesso com o, xote, xaxado, as modas juninas. Eu alcancei Luiz Gonzaga como o primeiro, depois veio Marinês, Dominguinhos e os filhotes dele”. 

Engana-se quem pensa que somente toca sanfona aqueleque almeja seguir uma carreira musical. O engenheiro agrônomo Rafael Borges, 28, disse que seu interesse pelo acordeom surgiu quando ainda estava na faculdade. Desde então, se apaixonou pelo instrumento. “Comecei por influência do meu curso, o pessoal gostava muito de forró então fui entrando nesse círculo. Deixei de amar o violão e a bateria e comecei a tentar aprender a sanfona”, explica.

Apaixonado pela cultura nordestina, ele não esconde o prazer ao tocar o instrumento. “A sanfona liga a regionalidade da pessoa à música e ao prazer que você sente quando desenvolve aquilo que gostamos. Gosto tanto de tocar bateria, como de tocar violão, mas me entusiasmo mais com o acordeom”, destacou.

Targino Gondim, músico e idealizador do Festival Internacional da Sanfona
O instrumento ícone da cultura popular nordestina também revela seu viés erudito, quando se torna parte integrante de concertos. Tanto que na segunda edição do “Festival Internacional da Sanfona”, realizado em 2010, as cidades irmãs de Juazeiro-BA e Petrolina-PE, no Vale do São Francisco, receberam o acordeonista italiano Mirco Patarini aplaudido por todo o público ao mostrar seu talento nos acordes clássicos.

A queridinha das festas juninas - O pesquisador e músico, Leonardo Rugero Peres, em seu ensaio “A sanfona de oito-baixos na música instrumental brasileira”, publicado no site Músicos do Brasil, descreve como a queridinha das festas juninas surgiu. A sanfona de oito-baixos originou-se no século XIX na Europa, mas foi se inserindo em vários países e recebendo diferentes nomes, inclusive no Brasil. Em 1829, que o inventor vienense CyrillDemian batizou de “acordeom” o instrumento que mais tarde aperfeiçoado, seria um ícone cultural em vários países e em diferentes ritmos.

Aqui no Brasil ela é gaita-de-ponto, cabeça-de-égua, pé-de-bode, fole de oito-baixos entre outras nomenclaturas, e é incessantemente tocada nas festas juninas do Brasil.

Sanfona ou Acordeom? – Eis a questão que ronda a cabeça de muitos que se interessam por conhecer o instrumento. Leo Rugero responde em seu ensaio, para não deixar dúvidas aos apaixonados pelo instrumento. Sanfona e acordeom são instrumentos diferentes. Segundo Leo, a sanfona de oito-baixos possui como característica marcante, a bissonoridade. Isso significa que abrindo o fole (parte onde estão as pregas do instrumento) um botão corresponde a uma nota, e fechando a outra. Ou seja, o movimento do fole determina a nota. Já no acordeom de teclado, cada tecla produz uma nota independente da abertura do fole.

Para quem gosta do som do acordeom, ouça Luiz Gonzaga e a eterna Respeita os oitos baixos do teu pai

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