24 de jun de 2012

Relançamentos de uma lenda do forró


Relançamentos de uma lenda do forró

Dois discos de um dos maiores tocadores de oito baixos

Publicado em 24/06/2012, às 06h00

José Teles



Ela abre num tom e fecha em outro, se o tocador não pegar o macete se enrola todo. Tem muito tocador de fole que começa a beber e acaba se complicando. O pior é que não há manual ensinando. Para mim é um instrumento em extinção, porque pouca gente está aprendendo o oito baixos. Eu estou velho para ensinar. Luizinho é que está com ideia de criar uma escola de oito baixos”. A afirmação é do paraibano Zé Calixto, 72 anos. O “Luizinho” a quem ele se refere é o seu irmão e também tocador de oito baixos Luizinho Calixto.
A família Calixto quase toda é de músicos. A história de Zé Calixto é idêntica a de tantos do seus contemporâneos. O pai, seu Dideu, foi músico: “No começo tocava triângulo nos sambas, depois aprendeu sanfona”. Calixto  é considerado um dos maiores tocadores de oito baixos vivo. Porém, embora seja um artista popular, é “cult”, admirado por uma minoria que possui seus discos, quase todos fora de catálogo.
Zé Calixto é uma das provas do descaso de que é alvo o forró. Com exceção de Luiz Gonzaga, cuja obra foi praticamente toda lançada em CD (e voltará a ser lançada em setembro, pela Sony Music), a imensa maioria da discografia do forró encontra-se fora de catálogo, incluindo aí os festejados Jackson do Pandeiro, Marinês e até o
próprio Dominguinhos. A pequena gravadora carioca Discobertas, que vem resgatando o catálogo da extinta Tapecar, trouxe de volta, em CD, dois discos de Zé Calixto, gravados naquela gravadora. Baile em sua
casa (1976) e Num fole de oito baixos (1977).
A Tapecar mantinha um catálogo razoável de forró, com nomes como Bastinho Calixto, Luiz Calixto, Trio Mossoró, Severino Januário (irmão de Luiz Gonzaga) e João Gonçalves, este último grande responsável pela moda do forró de duplo sentido, que começou engraçado e depois perdeu as estribeiras com Zenilton, Assisão e outros menos votados. No caso de Zé Calixto é o mais puro forró possível. São arrasta-pés daqueles que se tocavam em salas de reboco, de fazer poeira levantar. 
O Baile em sua casa tem repertório dividido entre os Calixto, marchinhas de roda, samba de latada, esta a única faixa cantada do disco, voz de Oseás Lopes (mais conhecido como o brega
Carlos André). Num fole de oito baixos, segue a mesma linha de forró para dançar. Estes discos na época eram comprados para animar quadrilhas, e noites juninas numa época cada vez mais distante. Zé Calixto, com maestria, acompanhado de um regional passeia pelo vocabulário do forró, indo de arrasta-pés, a xaxados,, chorinhos, marchinhas de roda.
A maioria estilos que não têm apelo para uma geração que cresceu obedecendo às palavras de ordem das bandas de fuleiragem, que por sua vez, apreenderam o cacoete dos grupos de axé. Dois lançamento que são uma gota d’água num oceano de milhares de discos de forró há anos fora de catálogo.

Um comentário:

  1. Leo,
    Esses acontecimentos alegram os amantes da Sanfona de 8 Baixos.
    Eu peguei o novo manual de para sanfonas de 8 Baixos com o próprio Luizinho calixto, mas até o presente momento não consegui entender as lições.

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