4 de mar de 2012

Chasque Nativo - o retrato da tradição gaúcha


Chasque Nativo - o retrato da tradição gaúcha
Folha do Oeste
2/3/2012 09:49:12
ALMOÇO
O Departamento Artístico do CTG Porteira Aberta, por meio de suas Invernadas de danças, 
realizará dia 10/03, um Almoço. informações com os coordenadores artísticos e na secretaria 
do CTG (3622-4204).      

JANTAR EM HOMENAGEM
O CTG Porteira Aberta promoverá no dia 27 de abril deste ano, Jantar Dançante em homenagem 
às Mães. A animação estará sob a responsabilidade de João Luiz Corrêa e Grupo Campeirismo. 
As mesas já estão à venda pelos fones: (49) 3622-4204 (secretaria do CTG), 9131-5112 (patrão
Emílio) e 9104-7680 (secretária do CTG).

INDUMENTÁRIA DA PRENDA
A mulher gaúcha, até 1750, usava o Tipoy, um vestido longo, de algodão, de dois panos costurados 
entre si, com duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Para apertar o tipoy,
 sobre a cintura era usado um cordão chamado chumbe. Após, entre outros trajes, a mulher 
usou o chiripá como saia. De 1820 a 1870, a mulher gaúcha usou vestido de seda ou veludo, 
botinhas fechadas, travessa nos cabelos, leque, meias brancas e xale. Era a influência européia. 
A mulher campesina usava uma saia e um casaquinho, meias, cabelos soltos ou trançados, 
sapatos fechados, e ao pescoço um pequeno triângulo de seda chamado Fichu. A partir de 1870,
 a mulher vestiu-se de forma variada, nas cidades, nas campanhas, sofrendo as influências dos 
povos aqui chegados. Com o surgimento do Movimento Tradicionalista Gaúcho, adotou-se o 
vestido de prenda. Era o ressurgimento dos modelos antigos que melhor caracterizavam 
a sobriedade e a beleza da mulher gaúcha. De chita, o vestido de prenda conserva a simplicidade 
da mulher gaúcha, sem afetar a beleza de um ser de padrões morais superiores. Vestido de chita, 
sapato simples e uma flor no cabelo, a prenda gaúcha é o mais original quadro de beleza, 
pintado pela natureza. Existem pesquisas mais aprofundadas da indumentária feminina 
quanto a cores e tipos dos tecidos dos vestidos usados pelas prendas mirins, juvenis, 
adultas e veteranas, quanto aos modelos e comprimentos dos vestidos, roupas de baixo, 
calçados e suas cores, enfeites e adornos para os cabelos, maquiagem, etc.

GAITA-PONTO E FOLE DE OITO BAIXOS
O acordeão diatônico (ao abrir o fole pressionando um botão, obtemos uma nota musical e, 
ao fechar o fole, teremos outra nota), com botões bissonoros (que produzem dois sons 
diferentes a depender do movimento do fole, ou unissonoros) foi amplamente difundido no Brasil,
 principalmente nas comunidades rurais, até meados do século passado, quando entra em 
declínio com a popularização dos modelos maiores. Diz-se que durante a década de 1950, 
período de ouro do acordeão no Brasil, funcionavam aproximadamente trinta e duas fábricas 
espalhadas nas regiões Sul e Sudeste. Adaptando-se às características culturais de 
cada região brasileira, o modelo de oito baixos com duas carreiras de botões na mão direita 
é o mais popular.
Conforme o pesquisador Leo Rugero: no sul do Brasil é conhecida como gaita-ponto, 
gaita de duas conversas ou cordeona de oito baixos. Já no nordeste, atende por fole de oito baixos, 
concertina, realejo, harmônico ou pé-de-bode. Na região Sudeste, sobretudo Minas Gerais, 
é popularmente conhecida como cabeça-de-égua. No Espírito Santo, pode ser chamada de bandona,
e no interior do Rio de Janeiro muitas vezes conhecida como testa de ferro ou concertina.
Por aí a fora pode carregar outros apelidos como botoneira, gaita de colher ou verduleira.
Enfim, tantas denominações diferentes para um mesmo instrumento. O acordeão diatônico no Brasil
 é mais conhecido por sanfona (Peres. 2009. P. 3). Esse mesmo pesquisador 
aponta que a chegada, ao sul do Brasil, da gaita-ponto ou gaita de voz trocada deve-se
principalmente aos italianos, que já a trouxeram bem desenvolvida (1875),
com duas carreiras de botões. Sua grande popularidade
 provocou o surgimento da indústria de acordeões nacional. Outra possibilidade indica a chegada 
do instrumento um pouco antes (1845), com imigrantes alemães. Com o desembarque dos brummer,
cerca de dois mil soldados alemães foram contratados para lutar contra o ditador argentino
Manoel Rozas. 
O uso da sanfona entre os militares torna-se comum naquela década. Terminada a guerra, 
muitos desses soldados teriam permanecido no país como gaiteiros (sanfoneiros), 
tocando suas polcas, valsas, mazurcas e schottisch em bailes, festas de casamento e batizados. 
(fonte revista Sonora Brasil sotaques do fole).

VANEIRA
Origina-se da habanera, que é um ritmo cubano de danças e canções, nome este dado 
em referência a esta capital Havana (La Habana). Seu compasso é binário, de moderado a lento,
ritmo que foi se popularizar no século XIX e foi muito utilizado por compositores franceses e
 espanhóis. No Brasil, influenciou não somente os ritmos do Rio Grande do Sul, mas também outros,
 como o samba-canção. No Rio Grande do Sul, a nossa vaneira adotou nomenclaturas diversas, 
como vaneirinha, vaneirão ou ainda limpa-banco. Dançada assim, com marcação 2 e 2 
(dois prá cá e dois prá lá), nos salões do Rio Grande do Sul, dançada puladinha (no que lembra
o passo do bugio) ou arrastada, esta marcação é feita em qualquer direção. O homem inicia com 
o pé esquerdo indo em diagonal; logo depois, o segundo passo é dado para frente, entre dois 
movimentos, o outro pé desloca-se levemente em um pequeno arrastar. Os pés partem de 
uma posição de postura inicial elegante, sendo que os primeiros passos são feitos como 
se quiséssemos formar um horário de dez para as duas.

Por Zeca Brizola (chasque@folhadooeste.com.br)

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