Com Respeito aos Oito Baixos

Com Respeito aos Oito Baixos
"Com Respeito aos Oito Baixos" é o documentário de estreia do músico e pesquisador Léo Rugero. Realizado através do Prêmio Centenário de Luiz Gonzaga 2012, o filme narra a trajetória da sanfona de oito baixos na música nordestina, contando com o depoimento de sanfoneiros e pesquisadores como Zé Calixto, Luizinho Calixto, Geraldo Correia, Anselmo Alves e Lêda Dias. Filmado nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro, consiste em um belo documento sonoro e visual da música nordestina. Para adquirir um exemplar do DVD, entre em contato conosco.

09/04/2011

Com quantos baixos se faz um 8 baixos? texto escrito por Leo Rugero

Entre os instrumentistas que se destacaram no mundo artístico da sanfona de oito baixos da região Nordeste, nem todos tocavam sanfonas de oito baixos. Isso mesmo! Na verdade, muitos sanfoneiros adotaram os acordeões mistos, nos quais a mão direita conserva as caracteristicas de duas ou três fileiras de botões diagonais, dentro do sistema bi-sonoro, ou "voz trocada": abre uma nota e fecha outra. Porém, a mão esquerda possui "baixaria" uni-sonora, tal como o acordeom de teclados. Por isso, estes instrumentos são denominados mistos: mão direita bi-sonora e mão esquerda uni-sonora. Vamos a alguns exemplos:
1) Manoel Maurício: O sanfoneiro pernambucano, dono de uma velocidade invejável, utilizava uma Todeschini com duas fileiras de mão direita em afinação transportada, e 24 baixos uni-sonoros para a mão esquerda. Foi este o modelo básico que acompanhou-lhe durante toda a carreira artística, a julgar pelas capas de seus discos.
Observem a fotografia da capa do disco "Agreste em Festa", lançado pela gravadora Esquema, nos anos 1970. À direita da capa, a mão esquerda manejando os 24 baixos uni - sonoros. Esta "baixaria" permite uma gama melodica maior para a mão esquerda, tendo sido adotada por outros sanfoneiros, tal como o alagoano Gerson Filho.
A partir de 1972, Gerson começaria utilizar, assim como Manoel Maurício, também uma Todeschini 24 baixos. A diferença é, que no caso de Gerson, sua sanfona se manteve com a afinação "de fábrica", o que corresponde à afinação gaúcha, chamada, entre os nordestinos de "natural" ou "grega".
Vejam abaixo, na capa de "Oito baixos Brasileiros volume 4", Gerson Filho com uma sanfona Todeschini de 24 baixos vermelha, que lhe acompanharia até o final de sua carreira.
No entanto, o caso mais extremo é o de Pedro Antônio da Silva, o Pedro Sertanejo. Ainda que sendo rememorado por músicos como Dominguinhos e Sivuca, como um dos maiores "tocadores" de 8 baixos, Pedro também adotou um modelo misto, com três fileiras de botões para a mão direita e, inicialmente, 24 baixos. Porém, com o passar do tempo, foi aumentando sua baixaria, até chegar à 80 baixos uni-sonoros, como podemos observar na fotografia abaixo.

O interessante  é constatar que nunca houve distinção terminológica clara dos instrumentistas pelo número da baixaria, predominando a descrição "oito baixos"mesmo para os sanfoneiros adeptos dos modelos mixtos. É o caso ilustrativa de Edgar dos "oito baixos", posando com uma Todeschini de 48 baixos!

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