22 de abr de 2012

Folia de Reis da Mangueira

Ontem, pude participar do ensaio da folia-de-reis "Sagrada família da Mangueira" tendo a frente o mestre Hevalcy Ferreira da Silva.
Esta folia se originou no município de Laranjal, próximo à divisa entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Acompanhando o fluxo migratório das zonas rurais aos centros urbanos, a folia acabou sendo deslocada para o morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. Qual não foi minha surpresa em conhecer uma folia de reis em plena atividade, reunindo diferentes faixas etárias entre seus componentes, em plena região metropolitana do Rio de Janeiro.
A sanfona de oito baixos sempre foi um instrumento fundamental nesta folia de reis, ao lado da viola, violão e, eventualmente, cavaquinho. Infelizmente, com o falecimento de Seu Tata, o posto da sanfona de oito baixos ficou em aberto, devido a escassez de praticantes deste instrumento no Rio de Janeiro, sobretudo instrumentistas identificados com o estilo mineiro do calango e da folia. Deste modo, o instrumento tem sido gradualmente substituido pelo acordeom de 120 baixos, não apenas na folia de reis da Mangueira, bem como em tantas outras.
A folia possui duas sanfonas construídas por Seu Tão, tradicional sanfoneiro e construtor de Laranjal. São instrumentos peculiares, realmente confeccionados artesanalmente. Jamais havia visto acordeões confeccionados por um construtor particular. São instrumentos coloridos, de intensa luminosidade de cores. As duas fileiras de botões são dispostas em andares diferentes, conforme ainda são construídos instrumentos italianos, como Serenelli e Castagnari.
Além da sanfona e das cordas dedilhadas e palhetadas, os instrumentos de percussão brilham nesta folia. Afinal, estamos na Mangueira, terra de Cartola e Dona Zica, um dos principais núcleos da cultura afro-brasileira na zona metropolitana do Rio de Janeiro. A percussão é extraída de instrumentos da escola de samba: repique, surdo, caixa. Curiosamente, não são utilizadas as tradicionais caixas-de-folia. Por vezes, durante o ensaio, sentia em meu corpo a vibração dos tambores ou das vozes. Lembrei de uma professora alemã que dizia que às vezes é necessário um curativo "banho de som". Banhei-me ao som da folia de reis da Mangueira, saindo de lá com o espírito renovado.

2 comentários:

  1. oi leo eu sou omestre Hevalcy Silva e só tenho agradecer o apoio a divulgação e a moral em mostrar e registrar o nosso trabalho nós da folia de reis SAGRADA FAMILIA DA MANGUEIRA RJ só temos a agradecer a os santos reis e o glorioso São sebastião por colocar pessoas emportantes e ilustres com grandes conhecimentos musicais e culturais em nosso convivio.

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  2. Mestre Hevalcy,

    do mesmo modo, só tenho a agradecer aos santos reis por ter colocado a folia em minha trilha por esta vida. Experiência que muito tem contribuído não apenas a nível artístico como no plano espiritual e afetivo.

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