10 de jun. de 2014

XIII Fórum de Forró encerra ao som da sanfona dos oito baixos


09/06/14 - 09h13

XIII Fórum de Forró encerra ao som da sanfona dos oito baixos

Durante três dias o XIII Fórum de Forró, com o tema "Forró Temperado", inspirado na música que ficou conhecida
na voz da cantora Elba Ramalho, reuniu forrozeiros, artistas, compositores e interessados da área, no Teatro Atheneu.
O Fórum, este ano, homenageou cinco ícones: o sanfoneiro, Zé Calixto, os compositores Antônio Barros e Cecéu,
o  cantor e compositor, Rogério e cantor e compositor, Edgard do Acordeon.
"A escolha do tema desta edição deve-se a importância da valorização do artista como compositor.
O Forró Temperado é uma música bastante conhecida em todo Brasil e é de autoria da paraibana Cecéu.
 A musicalidade nordestina tem ultrapassado limites há muito tempo e com o Fórum de Forró podemos
 homenagear e reconhecer a importância do artista e discutir nossa cultura", justificou a vice-presidente
 da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (SEC/Funcaju), Aglaé Fontes.
Entre os dias 4, 5 e 6 de junho foi debatido a identidade da música genuinamente nordestina e sua
relevância na história de um povo que encanta através dos diversos ritmos. "Desde 2001 participo
do Fórum de Forró, sou pesquisador da cultura popular e encontro aqui uma riqueza de histórias e tradição.
Poder conferir a mesa redonda, palestras, homenagens para os grandes nomes da música popular nordestina
é um momento de agregar conhecimento, além de assistir as apresentações musicais com grandes encontros
como Luizinho Calixto e Robertinho dos Oito Baixos é para ser gravado para sempre", explicou o professor
de história, André Vieira Santana.
De acordo com o idealizador do Fórum de Forró, Paulo Corrêa este evento teve como objetivo estudar a música
nordestina, além de propagar conhecimento. "Sempre pensei em um espaço para discussão e valorização
 da música nordestina. As letras das músicas, os instrumentos, os personagens, além de envolver os interessados
 do tema, fazem com que a gente conheça nossa própria história cultural", disse.
"Estou muito feliz em participar desta edição do fórum. São anos tocando com os maiores nomes da música nordestina,
este é um momento de agradecer a todos que fazem parte deste evento, primeiro pela homenagem e depois
 por valorizar o artista e inspira outras pessoas. Muito obrigado", salientou o instrumentista dos oito baixos, Zé Calixto.
A novidade desse ano foi à oficina "Sanfona dos Oito Baixos", ministrada pelo Luizinho Calixto, um dos principais
nomes deste seguimento. "É gratificante ver que a sanfona dos oito baixos está viva. Existem pessoas
interessadas em aprender e levar adiante esse instrumento típico do Nordeste.
 Participar do Fórum trazendo pela primeira vez esta oficina é ótimo, porque reúnem interessados e músicos", disse.
A noite de homenagens e resgates históricos contou ainda com a palestra do escritor Léo Rugero.
 "É raro momentos como este, que abrem espaço para debater sobre o forró. Discutir a respeito deste instrumento 
e resgatar toda a tradição, permite que a nova geração conheça e possa pesquisar sobre a sanfona dos oito baixos", 
disse.
O XIII Fórum do Forró encerrou com os agradecimentos da vice-presidente da Funcaju, Aglaé Fontes e entrega 
dos Troféus Gerson Filho, além da participação musical da dupla Antônio Barros e Cecéu cantando a música
 "Forró Temperado" e o encontro musical mais esperado da noite com Robertinho dos Oito Baixos, Luizinho Calixto, 
Zé Calixto, Léo Rugero e os alunos da oficina "Sanfona dos Oito Baixos".


clique para ampliar

clique para ampliar
clique para ampliar



A

Falece em Laranjal o "Seo Tão", famoso fabricante de sanfonas de oito baixos


Bela homenagem do mestre da folia de reis "Sagrada Família da Mangueira" Hevalcy Ferreira da Silva em virtude da passagem de Sebastião Félix das Chagas, conhecido como "Seo Tão", fabricante de sanfonas de Minas Gerais.
Infelizmente, não tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, mas hoje guardo comigo uma de suas sanfonas de oito baixos, construída em 2002 e outrora pertencente a Folia de Reis "Sagrada Família". O instrumento, afinado em fá maior e si bemol, é curioso sob todos os aspectos, devido a originalidade de sua confecção. Nele, está guardada a sonoridade da sanfona mineira, do calango, da folia, da chula e da cantoria. Siga com Deus, Seu Tão, em seu caminho iluminado. Agradeçemos sua contribuição indelével a continuidade da tradição da sanfona de oito baixos no Brasil. 
Abaixo, o texto de Mestre Hevalcy.
O maior sanfoneiro de folia de reis que eu ja vi e ouvi tinha cada estribilhos lindos!

Faleceu neste domingo na cidade de Laranjal (30 Km de Muriaé), Sebastião Félix das Chagas, uma importante personalidade, conhecida como “Sr. Tão Sanfoneiro” que dedicava também aos trabalhos da igreja. Tão Sanfoneiro ficou conhecido ainda através de reportagens da TV Integração e TV Alterosa. A neta Cristiane Ribeiro agradece pelas manifestações de pesar. O sepultamento aconteceu nesta tarde de segunda-feira.


Luthier: Sebastião Félix das Chagas _Sr. "Tão"_ de Laranjal (MG)
O LUTHIER DAS FOLIAS


Sebastião Félix das Chagas __Sr. Tão_ nasceu em 1914, em Laranjal (MG). Filho de um carpinteiro tocador de sanfona, “seu Tão” nos diz que sua

" profissão é arte musical. Realmente, a música é a alegria da gente, remédio pro corpo da gente, né. A música é uma coisa muito necessária pra mim."

Além de sanfoneiro, seu Tão era sineiro e compositor: "Eu tenho muita música e cantoria. E as minhas músicas têm o sentido da vida, da vida humana."

Conheça um pouco mais sobre a fascinante trajetória deste "luthier das folias" no curta (3 mim) intitulado "Som da Rua: Seu Tão"

UM POUQUINHO DE SANFONA


A sanfona de oito baixos é tradicionalmente utilizada nas Folias de Reis;

Vai com Deus Sr.Tão tocar sua 14 baixos de fabricação propiia ao lado de Deus pai!
e obigado por seu empenho e habilidades na influencia e autenticidade de nossa folia de reis mineira.


Mestre Hevalcy

31 de mai. de 2014

XIII Fórum de Forró

Na primeira semana de junho, mais precisamente nos dias 4, 5 e 6, ocorrerá o XIII Fórum de Forró, promovido pela Fundação de Cultura de Aracajú.
Na ocasião, será homenageado o sanfoneiro paraibano Zé Calixto, último remanescente da primeira geração fonográfica da sanfona de oito baixos e um dos mais representativos sanfoneiros nordestinos de todos os tempos. Luizinho Calixto estará realizando uma oficina e realizando uma apresentação, onde demonstrará, mais uma vez, seu virtuosismo. Também terei a honra de participar deste evento, falando sobre a pesquisa etnomusicológica que engendrou uma dissertação de mestrado e, posteriormente, um filme e um livro sobre a tradição nordestina da sanfona de oito baixos.
Abaixo, o folder do evento.
E vamos nóis...

24 de mai. de 2014

Com Respeito aos Oito Baixos - matéria na revista Casa e Campo

Belíssima e cuidadosa matéria publicada na revista Casa e Campo sobre o filme e o livro "Com Respeito aos Oito Baixos". Escrito por Claudia Magno, foi publicada em fevereiro deste ano e agora compartilho aqui no blog. Agradeço a redatora da revista, Samanta Dias, por sua sensibilidade na escolha do tema.












5 de mai. de 2014

OITO BAIXOS DO LÉO RUGERO - um cordel de Adão de Souza Lina


Entre as homenagens que tenho recebido pelo meu trabalho pioneiro de pesquisa sobre a sanfona de oito baixos, eis que surge um cordel do amigo Adão de Souza Lina, outro apaixonado pela arte do fole de oito baixos. Obrigado Adão.



OITO BAIXOS DO LEO RUGERO
O homem nasce com à música,
Primeiro inventou a flauta,
Cheng A.C lá na China,
Se a memória não falta;
Na Alemanha Harmônica,
E Rússia do astronauta.

França e Itália acordeon,
Toda Europa floresceu
Bandoneon Argentina;
No Brasil ela cresceu,
Gaita Ponto, no R Sul
Foi pra nordeste Dedeu.

Sudeste, veio A Silva,
Zé Cupido, do calango
Tio Bilia missioneiro,
A. S, marcha candango
Espalhou Brasil todo,
Fez forró para Pres. Jango.

Pé de Bode no nordeste,
Lampião tocou sanfona,
Bandoleiro Volta Seca,
Também tocava na zona,
Para os cabras namorar,
Debaixo de uma lona.

Seu Januário com seus filhos,
Zé Gonzaga, Severino
A sanfoneira Chiquinha
Luís, fez forró granfino,
Mané Vitor, no escuro
Ajudou Trio Nordestino,

Sivuca, H Paschoal,
E Waldick Soriano
Mais o Milton Nascimento,
Forró metropolitano,
Do fole de oito baixos,
Camarão pernambucano.

Mestre Pedro Sertanejo,
Com o forró pernambucano
Geraldo Correia, fez festa
No sertão paraibano,
Manoel Maurício foi bom,
Oito Baixos Alagoano.

Irmãos Kalixtos são feras,
Zé poeta da oito baixos
Bastinho e Luizinho,
Harmônicas em prelúdios,
Dominam a Pé de bode,
Paraíbas cabras machos.

Gerson Filho e Negrão,
Que tocava gamadinha,
Seu Adolfinho no choro,
Com forró na fazendinha,
Do Gerson, Zé Piatã,
Zé H canavierinha.

Leo Rugero também toca,
Maior incentivador,
Da oito baixos Brasil,
Um grande pesquisador,
Fez filme ainda um livro,
É fiel respeitador.

(Adão Desousalina)
Curtir · · Promo

19 de abr. de 2014

A metodologia para o ensino da sanfona de oito baixos na Europa no Século XIX - texto de Léo Rugero

Neste momento em que se reanimam os esforços individuais de alguns instrumentistas na organização de material didático para o ensino da sanfona de oito baixos, devemos conduzir nosso olhar ao passado, a procura de referências que podem estar perdidas nas prateleiras empoeiradas de sebos ou bibliotecas.
Pois, se hoje o acordeon diatônico é um instrumento praticamente obsoleto - a exceção do Sul do Brasil, onde a tradição do instrumento se mantém viva, isto se deve ao fato de que, ao menos em nosso país, a prática do acordeon diatônico arrefeceu mediante as possibilidades técnicas e mecânicas do acordeon-piano e do acordeon cromático.
Uma das premissas que cercam a prática musical deste instrumento é a de que a sanfona de oito baixos não possui metodologia escrita. A transmissão oral de seus conteúdos teria gerado a impressão de que técnicas e repertórios foram transmitidos oralmente desde sempre. Se, em parte, isso constitui uma verdade, não nos parece necessariamente que este corpo repertorial tenha sido edificado pelas mãos de intrumentistas anônimos e pautados pela oralidade. Durante nossa pesquisa sobre os repertorios tradicionais do acordeon diatônico, nos deparamos com estruturas de recorrência - motivos, frases, técnicas e até mesmo melodias inteiras que haviam sido compartilhadas e recicladas no processo interpretativo e composicional de sanfoneiros, pressupondo a presença de fontes irradiadoras desta tradição sonora. Mediante este fato, não seria difícil imaginar a influência de alguns praticantes enquanto polos irradiadores deste corpo repertorial, como o caso do sanfoneiro paraibano João de Deus Calixto. Pai dos sanfoneiros Zé, João, Bastinho e Luizinho, João de Deus, mais conhecido como "Seu Dideus" foi uma figura exponencial na prática instrumental do fole de oito baixos na primeira metade do séc.XX. Seus filhos herdariam seus repertórios, que, por sua vez, haviam sido adaptações e estilizações de uma parte considerável dos repertórios tradicionais praticados no agreste e sertão paraibanos. O próprio João de Deus teria aprendido o ofício de sanfoneiro com o acordeonista paraibano Zé Tempero, considerado um dos precursores do estilo nordestino do acordeon diatônico de oito baixos.
Este caso ilustrativo de transmissão se torna ainda mais interessante quando nos deparamos com as "variações" - pequenas fórmulas introdutórias edificadas sobre motivos melódicos, arpejos e escalas, praticados pelos sanfoneiros como "aquecimento" e identificação de tonalidades. Parte considerável deste verdadeiro "tesouro" melódico e metodológico se encontra na pesquisa que edificou o documentário e o livro "Com Respeito aos Oito Baixos" de nossa autoria, editado em 2013 através do Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música.
Porém, se o olhar para o passado e seus desdobramentos de repertórios e práticas no processo adaptacional possuem um alto valor para a compreensão de como teriam se edificado os repertórios tradicionais seja realmente um interessante objeto de estudo, devemos ressaltar, que no momento em que o acordeon diatônico de duas carreiras de botões para a mão direita e oito baixos para a mão esquerda desponta em solo europeu, a metodologia impressa em livros e transmitida através de notação musical (tablatura e/ou partitura) foi algo importante e que arrefeceria com o predomínio dos acordeões unissonoros na virada do séc XX e o consequente declínio do acordeon diatônico entre as camadas mais privilegiadas economicamente. Olhar para estes documentos pode ser o vislumbre de uma das principais fontes irradiadoras de repertórios, técnicas e estéticas musicais que se amoldariam no processo adaptacional no estilo gaúcho da gaita-ponto, no estilo mineiro do calango e no estilo nordestino da sanfona de oito baixos "transportada", as três principais vertentes que envolvem a prática deste instrumento no Brasil. 
Entre os métodos publicados na Europa na segunda metade do séc XIX, está o "Novo Método de Acordeon de Irineo Echevarria", editado pelo autor em Aragon, Espanha e publicado em 1878. O estudo deste método pode conduzir a reveladores "insights" acerca de repertórios e técnicas. A primeira curiosidade deste trabalho é a transcrição musical estruturada em sistema de tablatura, mostrando a longevidade da escrita "prática" para instrumentos, tal como podemos verificar em métodos de alaúde escritos no séc.XVII. Neste caso, vale apontar o interessante sistema de tablatura com sinais gráficos da escrita musical - compassos, figuras de tempo e ritornelos.

Outra característica do método é a metodologia essencialmente prática, edificada sobre os repertórios, e se dividindo no acordeon de uma fileira de botões e o de duas fileiras. Na época, o modelo mais utilizado era a afinação dó/fá, substituída historicamente pela afinação sol/dó, mais brilhante e aguda. Abaixo, a planta de afinação diatônica europeia transcrita por Mario Salvi, que se distingue da afinação diatônica mais difundida no Brasil, devido a presença de notas alteradas (sustenidos) nos primeiros botões de cada fileira e no quinto botão da carreira interna apresentar as notas sol/lá.
Por fim, a coleção de danças que compreende o método reforça a influência das danças praticadas nos salões nos bailes do final do séc.XIX, até hoje praticados nos repertórios europeus e das colônias. Entre essas danças, estão as polcas, valsas, habaneras e schotis, entre outras modalidades menos difundidas no Brasil, como a Redowa, muito praticada pelos acordeonistas de países hispano-americanos como o México, por exemplo.

Assim, concluímos que a influência dos conteúdos impressos nos métodos oitocentistas podem ter sido uma importante fonte irradiadora da prática  musical do acordeon diatônico em países europeus e em suas respectivas colônias, podendo ter norteado os conteúdos transmitidos posteriormente no processo de transmissão oral que delimitaria este instrumento no séc.XX.

18 de abr. de 2014

Cezar Ferreira - Com respeito aos 8 baixos



Nas palavras de Cezar Ferreira - Essa música é uma homenagem ao músico, pesquisador e cineasta Léo Rugero, e a seu filme, inspirado em dissertação de mestrado homônima, “Com Respeito aos Oito Baixos”. Obrigado Cezar, pela belíssima homenagem. 

22 de mar. de 2014

São Saruê Malungo

Olá amigos,

já estão no ar as páginas do myspace e do  soundcloud do"São Saruê Malungo", projeto que consiste no duo formado pelos músicos Cacau Arcoverde (percussão, voz, samplers e programação eletrônica) e Léo Rugero (sanfona de oito baixos, acordeon e violino).

Na proposta do duo, se fundem a contemporaneidade e tradição. De um lado, aspectos tradicionais da música nordestiva se fazem presentes, devido a intensa pesquisa etnográfica e profunda vivência de práticas musicais tradicionais que fazem parte do percurso destes dois músicos. Por outro lado, este trabalho flerta com experiências estéticas que abarcam outros campos da música, como a improvisação jazzística, o contraponto e a música eletrônica, o que se reflete na concepção estética dos arrajos e das criações musicais do duo.

Além de informações a respeito do projeto, podem ser ouvidas algumas faixas pré-mixadas do futuro CD a ser lançado pelo duo.
As páginas também incluem fotografias, imagens em xilogravura de Cacau Arcoverde e links de projetos relacionados a estes dois artistas.

Não deixem de dar uma conferida, acessando o link

https://myspace.com/saosaruemalungo

https://soundcloud.com/saosaruemalungo/cocosarua





28 de jan. de 2014

Lançamento do livro "Com Respeito aos Oito Baixos" de Léo Rugero

Em dezembro de 2013 ocorreu o lançamento do livro "Com Respeito aos Oito Baixos" de Léo Rugero. A realização deste trabalho foi viabilizada pelo Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música 2012. O livro é o resultado de uma pesquisa inédita que se estendeu entre 2007 e 2012, e que teve como principais frutos a dissertação de mestrado defendida pelo autor na Escola da Música da UFRJ em 2011 e a realização do filme documentário de media metragem "Com Respeito aos Oito Baixos". 

O lançamento do livro foi realizado na programação do Festival Pernambuco Nação Cultural em sua edição especial "Viva Gonzagão 2013" ocorrida em Exu, Pernambuco, entre os dias 6 e 15 de dezembro. No dia 12 de dezembro ocorreu o "I Encontro de Sanfonas de 8 Baixos de Seu Januario" na Fazenda Araripe. Este evento especial contou com a presença de Seu Bilino dos Oito Baixos, um dos últimos remanescentes desta prática musical na região do Araripe, além das ilustres presenças de Luizinho e Zé Calixto, indubitavelmente, as maiores expressões da sanfona de oito baixos no Brasil.
O evento foi documentado pela jornalista Maria Réupi, que publicou algumas matérias, entre as quais uma que foi intitulada "Quando a Sanfona de Oito Baixos ainda teima em tocar", que conta um pouco sobre esta pesquisa.
Na ocasião, estive presente, não apenas na condição de autor, bem como, demonstrando um pouco do que aprendi e incorporei ao longo de tantos anos de  convivência e aprendizado com mestres como Zé Calixto, Luizinho Calixto e o saudoso Arlindo dos Oito Baixos.
O livro "Com Respeito aos Oito Baixos" é uma edição do autor, subsidiada pela Funarte/Ministério da Cultura e pode ser adquirida diretamente com o autor através do blog sanfonade8baixos.blogspot.com ou diretamente com o autor pelo email leorugero@gmail.com. A loja Tropicália Discos também está fazendo a distribuição do livro e do DVD.
Abaixo, algumas fotografias do lançamento, clicadas pelo fotógrafo Costa Neto do SeCult de Pernambuco.





30 de nov. de 2013

Pé Duro dos 8 Baixos no Quarta Parada



Raridade postada pelo amigo Everaldo Santana no youtube. Compartilho aqui em homenagem ao sanfoneiro Pé Duro, que fez sua passagem recentemente. Que beleza de forró!

27 de nov. de 2013

1o Encontro de Sanfonas de 8 baixos de Seu Januário


Olha aí pessoal, mais uma conquista da sanfona de oito baixos!

Dentro da programação do Festival Pernambuco Nação Cultural 2013 já está confirmado o primeiro "Encontro de Sanfonas de 8 baixos do Seu Januário", que será realizado na Fazenda Araripe, localizada em Exu, outrora morada da família Gonzaga.
Viva os oito baixos de Januário!!!
Para mim, será uma honra, não apenas estar exibindo o filme "Com Respeito aos Oito Baixos" novamente em Exu, bem como estar ao lado de meu mestre Zé Calixto e de Luizinho Calixto, dois expoentes máximos do fole de oito baixos nordestino.
O evento também contará com a participação de Seu Bilino de Moreilândia, último remanescente do fole de oito baixos no sertão do Araripe.

Vamos em frente!!!

DIA 12 DE DEZEMBRO – QUINTA – FEIRA

I Encontro de sanfonas de 8 Baixos de Seu Januário.
Falando com Arlindo, Severino, Chiquinha, Zé Gonzaga
Programação
16horas: Roda de prosa com Sanfoneiros de 8 baixos e pesquisadores e homenagens aos seguidores dos 08 baixos
18horas: Exibição do Documentário e Livro “Com respeito aos 8 baixos” do Cineasta e sanfoneiro Léo Rugero;
20horas: Show com Bilino dos 8 baixos
22horas: show com: Zé Calixto, Luizinho Calixto e Leo Rugero
Local: Fazenda Araripe
1

21 de nov. de 2013

Os 8 Baixos do Leo Rugero



Published on Nov 20, 2013 texto de Everaldo Santana
Leo Rugero é Cineasta e Músico; há mais de 5 anos que ele está envolvido com projetos em prol da Sanfona de 8 Baixos. Primeiro escreveu um livro e agora fez um filme "Com Respeito aos 8 Baixos" onde narra toda a trajetória da Sanfona de 8 Baixos, passando por Januário pai do Luiz Gonzaga, João de Deus pai do Zé Calixto, e todos os Sanfoneiro da Família Calixto. O filme tem as participações de membros da Família Gonzaga, família Calixto, Abdias, Geraldo Correia, Antonio da Mutuca e vários outros Sanfoneiros. O filme foi rodado nos Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro. O Leo já apresentou o Filme no Nordeste, Rio de Janeiro e veio a São Paulo para apresentar o Filme durante o Festival Rootstok.
Estive com o Leo Rugero no festival Rootstok e senti que temos algo em comum: gostamos demais da Sanfoninha de 8 Baixos. Ele começou tocando 8 Baixos com afinação Natural no estilo "Gaita Ponto" usado no Sul do Brasil. Como ele narra no seu Filme, depois que conheceu Zé Calixto sua vida mudou e passou a gostar mais ainda do Fole de 8 Baixos. Comprou outra Sanfona e deu para Arlindo dos 8 Baixos fazer o transporte de afinação no estilo nordestino, a mesma afinação usada pela grande maioria dos tocadores de 8 Baixos inclusive o próprio Arlindo, Zé Calixto, Geraldo Correia e muitos outros. Atualmente o Leo toca em duas afinações diferentes da Sanfona de 8 Baixos e ministra aulas deste instrumento; ele esta envolvido em um projeto da Secretaria da Cultura do Rio de Janeiro.
Após sua apresentação no Rootstok o Leo saiu do palco tocando junto com o Lene dos 8 Baixos numa passeata pelo Parque até o Auditório onde seria exibido o seu Filme.

O Filme "Com Respeito aos 8 Baixos" é um presente aos simpatizantes do "Pé de Bode"; o Leo me presenteou com um exemplar do filme, e ao vê-lo novamente em casa me emocionei novamente; é um belíssimo trabalho. Parabéns ao Leo e toda sua equipe de produção.

20 de nov. de 2013

Lene dos 8 Baixos - No Festival Rootstok 2013





Publicado em 18/11/2013  texto de Everaldo Santana

No dia 16 de Novembro estive no Festival Rootstok no município de Juquitiba em São Paulo. Este ano o Rootstok ocorreu nos dias 15, 16 e 17 de Novembro de 2013. Esta é a primeira vez que vou ao Rootstok e gostei bastante; é um Mega evento em prol do Forró Pé de Serra e conta com a participação das melhores Bandas de Forró do Brasil. Fui convidado pelo Ivan Dias organizador deste evento que me pediu para convidar alguns Sanfoneiros de 8 Baixos pois o Músico e Cineasta Leo Rugero viria ao Festival para apresentar o seu Filme "Com Respeito aos 8 Baixos". Convidei então alguns dos meus amigos Sanfoneiros de 8 Baixos que não puderam ir alegando motivos particulares.
Fui então com o Lene dos 8 Baixos, o zabumbeiro Pinguim e o ritmista Aparecido, ambos forrozeiros da velha guarda que tocaram e gravaram com Zé Paraíba e Trio Nortista.
O Lene dos 8 Baixos tocou músicas de sua autoria e depois saiu do palco tocando junto com o Leo Rugero levando o pessoal para assistir ao filme no Auditório do Parque.
Para mim o Filme "Com Respeito aos 8 Baixos é um excelente trabalho sobre a Sanfona de 8 Baixos; um trabalho pioneiro que levou 5 anos para ficar pronto.
A Sanfona de 8 Baixos não é um instrumento comercial, por isso tem pouca divulgação, mas existem muitos simpatizantes como os jornalistas Anselmo Alves e Leda Dias, a família Calixto que praticamente todos os seus membros tocam Fole de 8 Baixos, o próprio Leo Rugero que vem lutando contra a extinção desta Sanfoninha. Eu gosto muito do Fole de 8 Baixos, e apesar de possuir sanfonas há mais de 20 anos, não aprendi a tocar; portanto faço a minha parte gravando vídeos de Sanfoneiros de 8 Baixos e postando na Internet.

19 de nov. de 2013

Leo Rugero - No Festival Rootstok 2013



Publicado em 18/11/2013 texto de Everaldo Santana

Obrigado Everaldo Santana, por ter prestigiado as apresentações de sanfona de oito baixos e o lançamento do filme "Com Respeito aos Oito Baixos" no Festival Rootstock 2013, captando e editando trechos das apresentações de Léo Rugero e Lene dos Oito Baixos. Fundamental a presença de pessoas como você para fortificar o reaquecimento do fole de oito baixos no contexto dos forrós.


Leo Rugero é Cineasta e Músico; há mais de 5 anos que ele está envolvido com projetos em prol da Sanfona de 8 Baixos. Primeiro escreveu um livro e agora fez um filme "Com Respeito aos 8 Baixos" onde narra toda a trajetória da Sanfona de 8 Baixos, passando por Januário pai do Luiz Gonzaga, João de Deus pai do Zé Calixto, e todos os Sanfoneiro da Família Calixto. O filme tem as participações de membros da Família Gonzaga, família Calixto, Abdias, Geraldo Correia e vários outros Sanfoneiros. O filme foi rodado nos Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro. O Leo já apresentou o Filme no Nordeste, Rio de Janeiro e veio a São Paulo para apresentar o Filme durante o Festival Rootstok.
Estive com o Leo Rugero no festival Rootstok e senti que temos algo em comum: gostamos demais da Sanfoninha de 8 Baixos. Ele começou tocando 8 Baixos com afinação Natural no estilo "Gaita Ponto" usado no Sul do Brasil. Como ele narra no seu Filme, depois que conheceu Zé Calixto sua vida mudou e passou a gostar mais ainda do Fole de 8 Baixos. Comprou outra Sanfona e deu para Arlindo dos 8 Baixos fazer o transporte de afinação no estilo nordestino, a mesma afinação usada pela grande maioria dos tocadores de 8 Baixos inclusive o próprio Arlindo, Zé Calixto, Geraldo Correia e muitos outros. Atualmente o Leo toca em duas afinações diferentes da Sanfona de 8 Baixos e ministra aulas deste instrumento; ele esta envolvido em um projeto da Secretaria da Cultura do Rio de Janeiro.
Na sua apresentação no Festival Rootstok o Leo tocou músicas do Januário pai do Gonzagão e até Forró do Zé Calixto.

1 de nov. de 2013

Zé Calixto e Léo Rugero na escola de música Villa-Lobos

Por iniciativa de Norma Nogueira e Nerisa Aldrigui, foram realizadas duas apresentações com ênfase na arte da sanfona de oito baixos, na Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, nos dias 23 e 25 de outubro. No dia 23, além da exibição do filme "Com Respeito aos oito baixos", houve a apresentação de Léo Rugero com o grupo Guaracha Forrozeira, apresentando uma fusão entre o forró e ritmos latinos como o merengue e a cumbia, de certo modo, atualizando e revitalizando uma experiência sonora inicialmente idealizada pelo sanfoneiro Abdias na virada da década de 1970, que se refletiu em discos como "Na Ginga do Merengue"e que repercutiu nos repertórios de sanfoneiros como Geraldo Correia, Arlindo dos Oito Baixos e até mesmo Zé Calixto, que gravou alguns merengues no disco "8 baixos de ouro", lançado pela Fontana, em 1972. Além de Léo Rugero, a Guaracha Forrozeira é composta por Lars Hockerberg (sanfona de 120 baixos), Rodrigo Sebastian (baixo elétrico), Milena Sá (pandeiro e zabumba), Victor Guiraldo (congas) e Mackio Gabriel (timbalito). No dia, o grupo contou com as participações especialíssimas de Enock Lima (triângulo), Henry Lentino (bandolim) e Rodrigo "Biscoito" (rabeca).
No dia 25, foi a vez de Zé Calixto, que ao lado de Valter Silva (violão de sete cordas) e Elias (pandeiro) realizou uma apresentação inesquecível, lembrando êxitos de sua profícua carreira fonográfica. A apresentação contou com as participações de Léo Rugero (sanfona de oito baixos) e Rodrigo "Biscoito" (rabeca).
Enfim, foi inesquecível esta verdadeira "Festa dos Oito Baixos". Que, daqui em diante, possam ocorrer novos eventos trazendo à baila a belíssima arte do fole de oito baixos!
Abaixo, os cartazes e algumas fotografias do evento.


Léo Rugero e Zé Calixto (foto: Luzia de Mendonça)



A Guaracha Forrozeira (foto: Kenavo Junti)

                                                  Zé Calixto e Valter Silva (foto: Luzia de Mendonça)


 
Elias, Léo Rugero, Zé Calixto e Valter Silva (foto: Luzia de Mendonça)



25 de out. de 2013

Arlindo dos Oito Baixos (1941 - 2013)



Arlindo dos Oito Baixos (1941 - 2013)
 Léo Rugero

Arlindo Ramos Pereira nasceu em Engenho Rubi, Pernambuco, no dia 16 de abril de 1941. Conhecido artisticamente como Arlindo dos oito baixos, se tornou uma das principais referências do instrumento.
Seu primeiro contato com a sanfona de oito baixos foi através de seu pai, José Ramos Pereira, um carpinteiro especializado na confecção de rodas e cangas de carroça. Com a idade de 10 anos, Arlindo começou “a mexer” no instrumento, contrariando seu pai.Conheci Arlindo dos Oito Baixos em agosto de 2009, durante a pesquisa de campo que engendrou minha dissertação de mestrado sobre a sanfona de oito baixos na região Nordeste. Foi Zé Calixto quem sugeriu que o procurasse. Então, chegando à Recife, a casa de Arlindo, no bairro de Dois Unidos, foi a primeira parada de viagem. Lembro de minha alegria ao chegar àquela casa, misto de residência, casa de forró, oficina e escola. A vida de Arlindo era o forró e a sanfona, tudo girava ao redor disso. Portanto, aquele ambiente era um verdadeiro centro desta irradiação sonora. O propósito inicial era gravar uma entrevista, o que acabou não funcionando...marinheiro de primeira viagem, não havia me atentado ao fato de que em Recife, as tomadas são ajustadas para 220 volts. Coloquei minha mesa de som na tomada e instantâneamente, Arlindo comentou: - estou sentindo um cheiro de queimado...Não deu outra...minha fonte, ajustada para os 110 volts utilizados no Rio de Janeiro foi carborizada. Porém, tive sorte. Não perdi a mesa de som que sobreviveu intacta e ainda ganhei a oportunidade de retornar à casa de Arlindo algumas vezes para refazer a entrevista e até mesmo fazer "negócio", pois acabei comprando uma de suas sanfonas, a velha Hohner em afinação transportada,  instrumento que desde então me acompanha em minha travessia sonora.
Lembrar de Arlindo Ramos Pereira é recordar de uma figura simples, afável, o "mestre do Beberibe" como Gonzaga o definiu, filho da zona da mata pernambucana, que conservou ao longo da existência de muitas lutas, conquistas e agruras, a calma e sabedoria de um menino dos canaviais, sempre aberto às descobertas e as diferenças.
Pensar em Arlindo é lembrar também da generosidade de Luiz Gonzaga, verdadeiro rei que sabia como ninguém reconhecer os talentos que sem a sua mão, poderiam estar imersos na poeira dos sertões. Pois lembro da história que Arlindo sempre contava de como e quando conheceu Gonzagão.  Foi numa das apresentações de “Coruja e seus tangarás”, que Arlindo teve a oportunidade de conhecer aquele que seria seu padrinho artístico, Luiz Gonzaga. Arlindo se lembra do impacto de ter conhecido o “Rei do baião”, quando o grupo realizou a abertura de uma apresentação de Gonzaga em Recife.

"Depois da nossa apresentação, eu fiquei defronte ao palco esperando o Luiz Gonzaga. Aí ele chegou com a sanfona e começou a tocar. Depois de trinta minutos, ele disse: “Eu vou chamar a Marinês.” Aí, Marinês subiu ao palco. Então, Gonzaga disse: “Cadê eu pra acompanhar Marinês? Eu só gosto de acompanhar as minhas músicas”. Aí, o Coruja disse: “Gonzaga, o meu sanfoneiro tá aí. Se você quiser, eu chamo ele”. Gonzaga então disse: “Chame ele”. Coruja me chamou, eu tava bem de frente pro palco, aí subi. Eu acompanhei Marines em três músicas".

Luiz Gonzaga, além de ter apreciado a performance de Arlindo, soube que o sanfoneiro era um bom artesão. De fato, Arlindo havia aprendido com seu padrinho o ofício de restauro e afinação de sanfonas. Sendo assim, Gonzagão tratou um conserto com Arlindo, para que fossem afinadas algumas notas. No dia seguinte, conforme o combinado, Luiz Gonzaga foi à casa de Arlindo, então localizada na Avenida Beberibe. Segundo Arlindo, “ele chegou lá às dez horas, eu nem acreditava que ele ia. Ele levou a sanfona para eu ajeitar a voz que estava ruim”. Concluído o conserto, Luiz Gonzaga aprovou a afinação e perguntou a Arlindo quanto era o serviço. Arlindo, então lhe respondeu: “Não é nada! O serviço foi muito pouco”. No mesmo instante, Gonzaga olhou para Arlindo, mirou os quatro cantos da casa e disse: “Você não está em condições de trabalhar de graça ainda não, e eu sou quem não quero. A minha intenção era lhe ajudar”. Prontamente, Gonzaga abriu a bolsa e deixou um pacote de dinheiro que Arlindo não ganharia em seis meses de trabalho. Como lembra o sanfoneiro, “eu fiquei abestalhado, aí disse: - Não, não, eu não quero esse dinheiro não!”. Então, Gonzaga respondeu a Arlindo: “Se você não quiser, eu vou dar à sua mulher, que sua mulher não é besta, não”.
Com o impulso de Gonzaga, Arlindo se estabilizou como artesão e sanfoneiro, De tal modo ele desenvolveria um equilíbrio entre as duas atividades, que foi condecorado como “O artesão da sanfona”.
Na década de 1970, a sanfona de teclado se tornou predominante em seu trabalho profissional e Arlindo se tornou muito requisitado como músico de estúdio em programas radiofônicos e gravações.
Certo dia, Arlindo conversou com Luiz Gonzaga, pedindo-lhe uma oportunidade para gravar um disco. Gonzaga aconselhou Arlindo a retomar o fole de oito baixos. Então, Arlindo adquiriu uma nova sanfona de oito baixos e começou a praticar. Depois de alguns meses, Gonzaga lhe perguntou: “Como é, Arlindo, você tá tocando alguma coisa?”, ao que Arlindo respondeu: “Tô tocando umas besteirinhas...” Na ocasião, Luiz Gonzaga era diretor do departamento de música nordestina da RCA. Em 1981, Arlindo, acompanhado do zabumbeiro Quartinha, se dirigia ao estúdio da gravadora RCA, em São Paulo, para as gravações de seu primeiro disco, que contou com a participação de Dominguinhos na produção e direção artística. O título do disco também foi sugestão de Luiz Gonzaga. Arlindo conta como isso ocorreu.

Quando foram fazer a ficha técnica do disco, eles escreveram “Arlindo do acordeon”.[1] Aí, mostraram à Gonzaga: “Gonzaga, olhe a ficha técnica do Arlindo”. Aí, ele olhou assim e disse: “Não, eu não quero isso não. Eu quero Arlindo dos oito baixos, pode tirar isso aí”.

Além do nome artístico, o titulo do álbum também foi obra de Gonzaga: “O mestre do Beberibe”. Desde então, Arlindo despontou como um dos mais respeitados solistas de sanfona de oito baixos, com expressiva atuação fonográfica, intensificando a influência do choro e do frevo em seu repertório. Também é um requisitado afinador e tornou-se uma figura proeminente na estruturação profissional do forró em Recife, à frente “Forró do Arlindo” no bairro Dois Unidos. Entre os seus filhos, estão dois destacados instrumentistas, o percussionista Raminho e o baixista Adilson. Ao lado da esposa, Odete Regina Macedo, compartilhou um caminho de cinco décadas de matrimônio, e uma vida dedicada à família, ao forró e à sanfona de oito baixos. Salve Arlindo e obrigado por tudo que nos deixou...


[1] Devemos lembrar que Arlindo do acordeon foi o nome artístico de Arlindo durante a década de 1970, que marca a fase de sua carreira em que era músico de estúdio, dedicando-se ao acordeon.


5 de out. de 2013

Milèna au Festin dou Pouort 2013, Nissa (Gigi de Nissa)




A jovem acordeonista franco-brasileira Milèna Pastorelli iniciou seus estudos aos nove anos, tendo como professor Guilherme Maravilhas, o Mará, sanfoneiro do Forroçacana. Filha de um músico francês, Gigi de Nissa, e de uma bailarina brasileira, Leonora Runsem, o contato de Milèna com o Brasil e a música brasileira - em especial, a nordestina, tem sido constante ao longo de sua formação musical.
Neste ano, tive oportunidade de conhecê-la, através de Guilherme Maravilhas, para que o substituísse como professor. Então, tive a grata surpresa de conhecer esta talentosa musicista, o que, inclusive, motivou nossa ida à residência de meu mestre, Zé Calixto, para que a conhecesse e abençoasse a futura acordeonista que revela caminhos vindouros à sanfona de oito baixos.
Neste lindo vídeo, Miléna aparece ao lado de seu pai, o compositor francês Gigi de Nissa e seu conjunto, no Festival de Pouort, ocorrido recentemente.