Espaço reservado para a divulgação de informações e estudos sobre a sanfona de 8 baixos no Brasil. The brazilian eight basses button accordion blog. fole de 8 baixos, gaita-ponto de 8 baixos, acordeón diatónico, accordéon diatonique, diatonic accordion, acordeon diatônico etc.
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22 de ago. de 2021
23 de jan. de 2016
Hermeto Pascoal - Agreste (1978)
Nos compassos iniciais desta sublime suíte orquestral de Hermeto, podemos ouvir seu pai, o Pai Pascoal, tocando seu fole de oito baixos. Poucos segundos que valem a raridade do registro.
22 de jun. de 2015
Hermeto Pascoal - Forrozão dos Oito Baixos
Hoje é aniversário de 79 anos de Hermeto Pascoal.
Só isso já seria motivo para um dia de alegria e muita música. Hermeto,
mais do que um músico, sempre encarnou o próprio espírito da música,
tal a sua musicalidade. A todos nós, músicos e admiradores daquilo que
chamamos por música, é uma alegria tê-lo por perto, tocando, compondo
novas e intrincadas melodias, improvisando em pianos e bacias. Então, em
homenagem ao aniversário de Hermeto, um forró no fole de oito baixos,
durante seu aniversário de 75 anos, lá eu estava no meio da festa, quatro anos atrás! Aniversário de 75 anos de Hermeto Pascoal.
A sanfona utilizada por Hermeto pertenceu a seu pai, e antes de tocar a
música "Forrozão dos Oito Baixos", Hermeto lembrou de uma passagem
engraçada de seu pai num vôo de avião para a Argentina, no final da
decada de 1970.
"Papai morava no bairro Jabour e um dia nós fomos tocar na Argentina e o papai
com essa mesma sanfoninha. Chegou na hora, eu não lembro qual era a
companhia de aviação, nós sentamos, aí a aeromoça chegou assim bem
delicadamente e disse: "Moço, por gentiliza, o senhor tem que me dar
esse instrumento para eu levar lá para cima, porque o senhor não pode
viajar com ele no colo". Meu pai falou pra ela na maior simplicidade do
mundo: " Minha filha, esse instrumento aqui, pra você levar lá pra cima,
você tem que me levar também." Aí, ficou aquele empate dentro do avião,
o avião já se preparando para decolar, aí eu falei pro papai: "Papai,
deixe ela levar, que ela toma cuidado". Aí papai disse assim: "Meu
filho, pra eu largar esse oito baixos aqui, eu tenho que ir junto, pra
onde ele for eu tenho que ir junto". Aí chamaram a aeromoça novamente, e
ela deixou ele viajar com o oito baixos. E ele viajou com o oito baixos
agarrado assim".
mais informações: sanfonade8baixos.blogspot.com
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25 de jun. de 2012
Hermeto Pascoal - A vida é um show part 13
Parabéns Hermeto! 76 anos de muita luz, inspiração e muito som!!!
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2 de abr. de 2012
25 de jun. de 2011
Hermeto - Forrozão dos Oito Baixos
A sanfona utilizada por Hermeto pertenceu a seu pai, e antes de tocar a música "Forrozão dos Oito Baixos", Hermeto lembrou de uma passagem engraçada de Seu Pascoal num vôo de avião para a Argentina, no final da decada de 1970.
"Papai morava no bairro Jabour e um dia nós fomos tocar na Argentina e o papai com essa mesma sanfoninha. Chegou na hora, eu não lembro qual era a companhia de aviação, nós sentamos, aí a aeromoça chegou assim bem delicadamente e disse: "Moço, por gentiliza, o senhor tem que me dar esse instrumento para eu levar lá para cima, porque o senhor não pode viajar com ele no colo". Meu pai falou pra ela na maior simplicidade do mundo: " Minha filha, esse instrumento aqui, pra você levar lá pra cima, você tem que me levar também." Aí, ficou aquele empate dentro do avião, o avião já se preparando para decolar, aí eu falei pro papai: "Papai, deixe ela levar, que ela toma cuidado". Aí papai disse assim: "Meu filho, pra eu largar esse oito baixos aqui, eu tenho que ir junto, pra onde ele for eu tenho que ir junto". Aí chamaram a aeromoça novamente, e ela deixou ele viajar com o oito baixos. E ele viajou com o oito baixos agarrado assim".
24 de jun. de 2011
Hermeto Pascoal 75 anos - Carta aberta a Hermeto Pascoal
Hermeto Pascoal, parabéns pelos seus setenta e cinco anos! Parabéns por sua inestimável contribuição à música brasileira. São setenta e cinco anos de música. Sim, pois já chegaste músico a este planeta, tu que és, utilizando as palavras de Theo de Barros, "o mais musical dos seres". E foi essa musicalidade esplêndida que desembarcou no Brasil, vindo, quem sabe, do Planeta Vênus, pois existem místicos que acreditam que tenha sido deste planeta que veio a arte dos sons para a Terra...mas isso não importa. O que importa é que chegaste á Lagoa do Canoa, em Arapiraca, Alagoas. Para aprender a música das bandas de pífano, dos violeiros, da sanfona de oito baixos, das ladainhas das rezas de defunto, dos reisados. Para revelar a música dos ferrinhos de seu avô que era ferreiro e de outros instrumentos não-convencionais que descobriste ainda em seus primeiros anos na terra: o cano de mamona, o talo de abóbora e as folhinhas. Para conhecer os bichos, tal como a Capivara, os sons dos sapos, dos pássaros e dos grilos. Os patos e os gansos que lembram saxofones, clarinetes e clarones. O canto do galo Aruã e olha que "tem porco na festa". Trouxe o ensinamento do "som da aura", pois, quando ainda menino, percebia música no jeito de falar das pessoas.
Muita gente, até hoje, acredita que não existe música em tudo, e esta é outra lição que trouxeste contigo, a de que "tudo é som"! Até mesmo o som dos astros e das estrelas, e o coração da terra pulsando continuamente. Até as panelas de Dona Ilza viravam música e viravam do avesso.Aliás, como dizia Itamar Assumpção, "viver é virar o avesso".
Aportaste numa familia musical, com os oito baixos do papai Pascoal, o irmão Zé Neto, também sanfoneiro arretado, mamãe Divina, enfim, uma família sonora que já trazia parte do repertório que te consagraria, tal como "O Gaio da Roseira": "O Gaio da Roseira, o gaio da roseira, o gaio da roseira, bela menina, o gaio da roseira". O menino foi crescendo, com sua oito baixos e seu pandeiro, com o irmão Zé Neto, tocando nas festas de pé-de-pau. Eram "Os meninos de Seu Pascoal".
Muita gente, até hoje, acredita que não existe música em tudo, e esta é outra lição que trouxeste contigo, a de que "tudo é som"! Até mesmo o som dos astros e das estrelas, e o coração da terra pulsando continuamente. Até as panelas de Dona Ilza viravam música e viravam do avesso.Aliás, como dizia Itamar Assumpção, "viver é virar o avesso".
Aportaste numa familia musical, com os oito baixos do papai Pascoal, o irmão Zé Neto, também sanfoneiro arretado, mamãe Divina, enfim, uma família sonora que já trazia parte do repertório que te consagraria, tal como "O Gaio da Roseira": "O Gaio da Roseira, o gaio da roseira, o gaio da roseira, bela menina, o gaio da roseira". O menino foi crescendo, com sua oito baixos e seu pandeiro, com o irmão Zé Neto, tocando nas festas de pé-de-pau. Eram "Os meninos de Seu Pascoal".
Depois, a vida levou-lhe para outros cantos, viramundo que és, foste para Recife, onde encontrou seu irmão de som, o também albino Sivuca. Lá tornou-se acordeonista destacado, e o ambiente da rádio proporcionou-lhe o contato com amplo repertório de choros, frevos, sambas-canções, e tudo aquilo que caísse em suas mãos.
Depois veio o Rio de Janeiro, na época uma cidade efervescente, os festivais de tevê, e o Quarteto Novo, um marco na música brasileira: Hermeto, Heraldo do Monte, Theo de Barros e Airto Moreira, que colocaram a música instrumental de pernas para o ar, numa mistura inusitada de música nordestina e samba-jazz.Você já havia descoberto ( e reinventado) o piano e a flauta que ensaiavas na igreja. A cúpula era um grande delay.
Daí para o mundo foi um pulo, e, através de Flora Purim, veio o primeiro álbum gravado nos Estados Unidos. Lá, despertou o interesse de músicos como o trompetista Miles Davies, que chamava-o carinhosamente de "albino louco".
A esta altura se consolidava o "bruxo dos sons", como certa vez escreveu a jornalista Ana Maria Baiana, utilizando esta expressão para denominar a alquimia sonora de Hermeto.
Poucos músicos atravessaram tantas fronteiras sonoras com uma proposta multi-cultural, que você batizou como "música universal".
Jamais me esqueceria de um certo dia de 1987, quando eu contava dezesseis anos, e fui, com uma turma de amigos, assisti-lo no Circo Voador. Era festa de aniversário do "bruxo". Ficamos estarrecidos com tudo aquilo e resolvemos ir ao camarim para saudá-lo. Ao chegar lá, recebi de alguám um buquê de flores - até hoje não entendi o porquê disso. A pessoa que me deu o buquê disse assim: - Leve isso ao Hermeto! Segui adiante, eu e o buquê, e quando me deparei com você, soltei, timidamente, um sussurro: - Hermeto, estas flores são para você! Em troca, recebi um abraço afetuoso e o mapa para chegar ao Jabour, naquele centro da música planetária que foi durante os anos 80 e 90 tornaram o Jabour o coração da música no Rio de Janeiro.
Hermeto, obrigado por tudo que você tem ensinado e generosamente ofertado ao mundo. Termino esta carta, utilizando uma saudação com a qual você assina muitas de suas partituras: - Tudo de bom sempre!
Daí para o mundo foi um pulo, e, através de Flora Purim, veio o primeiro álbum gravado nos Estados Unidos. Lá, despertou o interesse de músicos como o trompetista Miles Davies, que chamava-o carinhosamente de "albino louco".
A esta altura se consolidava o "bruxo dos sons", como certa vez escreveu a jornalista Ana Maria Baiana, utilizando esta expressão para denominar a alquimia sonora de Hermeto.
Poucos músicos atravessaram tantas fronteiras sonoras com uma proposta multi-cultural, que você batizou como "música universal".
Jamais me esqueceria de um certo dia de 1987, quando eu contava dezesseis anos, e fui, com uma turma de amigos, assisti-lo no Circo Voador. Era festa de aniversário do "bruxo". Ficamos estarrecidos com tudo aquilo e resolvemos ir ao camarim para saudá-lo. Ao chegar lá, recebi de alguám um buquê de flores - até hoje não entendi o porquê disso. A pessoa que me deu o buquê disse assim: - Leve isso ao Hermeto! Segui adiante, eu e o buquê, e quando me deparei com você, soltei, timidamente, um sussurro: - Hermeto, estas flores são para você! Em troca, recebi um abraço afetuoso e o mapa para chegar ao Jabour, naquele centro da música planetária que foi durante os anos 80 e 90 tornaram o Jabour o coração da música no Rio de Janeiro.
Hermeto, obrigado por tudo que você tem ensinado e generosamente ofertado ao mundo. Termino esta carta, utilizando uma saudação com a qual você assina muitas de suas partituras: - Tudo de bom sempre!
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Hermeto Pascoal
18 de jun. de 2011
17 de fev. de 2011
6 de dez. de 2010
Hermeto e Sivuca 1 - Solos
Hermeto Pascoal dando uma verdadeira aula de sanfona de 8 baixos. Nesta apresentação ele utiliza uma sanfona Hering em afinação natural G/C. Reparem a técnica de mão direita e o uso inventivo dos baixos da mão esquerda. Hermeto dialoga com a tradição mas conduz a sanfona por mares nunca dantes navegados sobretudo quanto ao aspecto rítmico.
video postado por bigfootpégrande no youtube.
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Hermeto Pascoal
15 de dez. de 2009
Hermeto Pascoal e a sanfona de 8 baixos
Olá amigos, abaixo transcrevo um texto que escrevi sobre a relação de Hermeto Pascoal com a sanfona, que foi publicado originalmente no blog forróemvinil.
*texto escrito pelo Léo Rugero.
Hermeto Pascoal nasceu em 22 de junho de 1936, no município de Lagoa da Canoa, que na época ainda era um distrito de Arapiraca, no estado de Alagoas. Filho de Pascoal José da Costa (Seu Pascoal) e Vergelina Eulália de Oliveira (Dona Divina).
Sobre a sua infância, o próprio Hermeto relata histórias muito curiosas. Suas lembranças denotam um menino que trazia consigo um dom especial, uma aguda sensibilidade para os sons. Assim, desde ferros, penicos, sons dos animais, das águas, o vento, as trovoadas, pessoas falando ao longe… para Hermeto, desde o início tudo era som. “Quando eu tinha sete para oito anos, meu avô (…) era ferreiro. Meu avô jogava fora os pedaços de ferro que sobravam. Eu pegava e escondia na dispensa da minha casa. Escondia para fazer som.”
Ou ainda, descrevendo outra faceta de seu avô: “Ele também consertava penicos. Quando ele consertava os penicos, eu batia para ver o som.”
Seu primeiro instrumento foi possivelmente uma flauta de mamona que ele mesmo construiu. Com a mesma curiosidade, tem a sua primeira instrução musical participando do folclore local, como os Reisados . Conta o próprio Hermeto, que auxiliava na confecção de fantasias.
Devido ao fato de ser Albino, era poupado do trabalho árduo de uma família de camponeses, no sol escaldante do agreste. Então, foi nos momentos de refúgio, aos meio-dias, à sombra das copas das árvores, ou na quietude do lar, que foi desenvolvendo sua musicalidade incomum.
A sanfona de 8 baixos foi uma herança que Hermeto, bem como seu irmão mais velho, José Neto, receberam do pai, Seu Pascoal. Quando ele se ausentava de casa, os dois meninos costumavam pegar escondida a sanfona que ficava guardada debaixo da cama no quarto de seus pais. Hermeto conta que, certa vez, seu pai chegou a casa e ouviu o som da Sanfona. Perguntou à esposa, Dona Divina, se o seu irmão que estava tocando. Ela, no entanto, respondeu que eram os meninos. Quem diria aqueles dois meninotes já estavam tocando mais que o velho Pascoal, afamado sanfoneiro das redondezas. Com isso, Hermeto, junto ao irmão Zé Neto, ganhou seu primeiro instrumento musical, uma Sanfona de 8 baixos.
Fora a música folclórica e os sons do ambiente em que vivia aliado à curiosidade de Hermeto em tirar som de todos os objetos possíveis, eis que surge uma nova influência muito marcante em sua formação musical: a música de Luiz Gonzaga, “O rei do baião”. Ao que parece, Gonzaga foi de influência avassaladora no Nordeste dos anos 40, não só do ponto-de-vista musical, bem como em relação à estima dos jovens prodigiosos do sertão, distante das rádios, que na época, eram o veículo obrigatório aos músicos que desejassem se profissionalizar. No entanto, o rádio nem mesmo havia chegado à Lagoa da Canoa.
“Na nossa época, o ídolo nosso era o Luiz Gonzaga. (…) os sanfoneiros (…) aprendiam as músicas (…) na cidade grande, em Arapiraca, em Maceió, e eles aprendiam um pedaço de cada música. Ninguém sabia uma música inteira, porque ninguém tinha vitrola. (…) Gramofone na feira, o cara levava um (…) e cobrava para rodar um disco de Luiz Gonzaga. Então, não dava tempo nem de decorar uma música toda.”
E aos poucos, o jovem Hermeto e seu irmão Zé Neto, são requisitados para tocar nos bailes populares (festas de pé-de-pau), casamentos, batizados, feiras, circuito obrigatório, escola dos tradicionais sanfoneiros nordestinos. “A festa de pé-de-pau é aquela festa feita ao ar livre que nós chamamos agora de pé-de-serra. (…) eles enfeitavam as árvores, mas na hora do baile mesmo, aí era pra dentro de uma casa.”
No repertório, canções folclóricas e músicas de Luiz Gonzaga, onde os dois meninos, Hermeto e Zé Neto, se revezavam entre a sanfona e o pandeiro. Animando estas festas, começava a carreira do gênio musical que anos mais tarde deixaria sua forte impressão digital registrada na música brasileira.
Mas Hermeto, que era conhecido na vizinhança por “Sinhô”, começava a chamar a atenção pela maneira peculiar como manejava a sua Sanfona de 8 baixos. E alguns comentavam com o seu Pascoal, pai de Hermeto: - ‘Seu Pascoal, não sei, sabe, o “Sinhô” é doido. (…) Ele ta tocando uma música, tá tão bonita, de repente ele faz um negócio lá que agente não entende. O Zé Neto toca mais simples…’A marca indelével de sua singularidade musical já começava a dar os seus primeiros sinais.
Desta época, Hermeto descreve um episódio no mínimo curioso. O menino Hermeto, com seus oito para nove anos, estava tocando sua sanfoninha de oito baixos na rua, e passou um homem, um desconhecido, que lhe pediu para tocar uma determinada música. Hermeto então respondeu: - Eu não sei não, seu moço. Não conheço essa música não! O moço então lhe disse: - Olha menino, eu só vou dar uma rodada. Quando eu voltar, se você não tocar a música, eu vou cortar o seu fole no meio. Hermeto, que como ele mesmo assume, “era um menino atrevido”, desafiou o desconhecido, dizendo: - Corta meu fole ao meio, corta que eu quero ver! Foi que o homem pegou a peixeira e atravessou o fole ao meio, deixando Hermeto com uma parte da sanfona em cada mão. Mais tarde, Seu Pascoal vendeu mais uma vaca para comprar uma sanfona com uma quantidade maior de baixos, por sugestão de um vizinho. Então, Zé Neto fez a longa travessia de Lagoa da Canoa à Maceió, para buscar a sanfona. Uma sanfona preta de 32 baixos. Com um mês já estávamos arrasando, tocando tudo que tinham direito, conta Hermeto.
De Lagoa da Canoa para o mundo
Mais tarde, já um adolescente, Hermeto muda-se para Recife, em Pernambuco, onde através do acordeonista Sivuca, ele e o irmão Zé Neto são contratados pela Rádio Tamandaré. No entanto, naquela altura, em 1955, Sivuca estava prestes a ir para o Rio de Janeiro tocar na Rádio Tupi, fazendo com o trio de albinos “O mudo pegando fogo” que seria formado por Hermeto, Zé Neto e Sivuca deixasse logo de existir. Deste modo, sendo Hermeto também um bom pandeirista, passou a ser sempre escalado para esta função na rádio, embora sempre tivesse esperanças de tocar a sanfona. Neste momento, Hermeto conhece Jackson do Pandeiro, que lhe dá um bom conselho: - ‘não toque pandeiro porque você nunca vai ser um pandeirista, e tem tudo para ser um grande sanfoneiro. Não fale nada, mas bote pé firme e não toque pandeiro.’ Em seguida, convocaram novamente para que Hermeto se apresentasse como o Sivuquinha do Pandeiro, ao que ele recusa com veemência. Resultado: 15 dias de suspensão para Hermeto e seu irmão, Zé Neto. Depois, Hermeto é transferido para uma sucursal em Caruaru e Zé Neto para Garanhuns.
Em Caruaru, Hermeto passa a dedicar-se quase exclusivamente ao acordeon, objetivando melhores trabalhos. No ano seguinte, eis que surge Sivuca em Caruaru, e foi tocar na rádio em que Hermeto trabalhava. No momento em que regia um conjunto numa apresentação, o acordeonista lhe desperta a curiosidade. Pergunta quem é o albino e lhe dizem que era um refugo da rádio da capital. Sivuca, que já era um músico respeitado e influente no Nordeste, promoveu um aumento de salário para Hermeto, convencendo os diretores da rádio que caso não aumentassem o ordenado do sanfoneiro albino, perderiam um ótimo músico. Dito e feito, batido o martelo, com o novo ordenado Hermeto pagou algumas dívidas e comprou um acordeon de boa qualidade.
Com este instrumento, participaria do disco “Batucando” com o Regional de Pernambuco do Pandeiro, em 1958, já no Rio de Janeiro. Logo em seguida, torna-se pianista da noite, acompanhando músicos como Fafá Lemos e através deste instrumento começa a consolidar a sua carreira.
Nos anos 70, Hermeto se consagra como um ícone da musica instrumental brasileira, combinando de forma singular a tradição de estilos musicais como o forró, o choro e a bossa-nova com improvisação jazzística e ousado experimentalismo, num rico caldeirão onde há espaço para todos os sons que povoam o rico universo de sua existência.
Sanfona de 8 baixos
Somente no final da década de 90, em seu álbum “Eu e eles”, que Hermeto gravaria seu primeiro solo de sanfona de 8 baixos, com a gravação de “Vai um chimarrão, tchê?”, bela homenagem ao gaiteiro gaúcho Renato Borguetti. A sanfona então ressurge no trabalho de Hermeto, tanto em gravações como nas apresentações ao vivo. No álbum, “Rapadura e chimarrão” gravado ao lado da esposa, a cantora Aline Morena, Hermeto repete a dose, só que de maneira mais generosa, e registra diversas músicas com a sanfona.
Baile Sanfonado, é um estudo de independência rítmica entre as duas mãos. Enquanto a mão esquerda executa um baixo obstinado, a mão direita desliza livremente sobre os botões. Garrote é uma composição originalmente gravada no disco ‘Festa dos Deuses’, e nesta adaptação de Hermeto, ganha vivacidade em andamento, rápida como um raio, escrita no compasso de sete tempos, incomum na prática musical brasileira. Em Baile de candieiro, Hermeto visita o ritmo ternário da rancheira de Albino Manique e Sérgio Napp, ao estilo da gaita-ponto gaúcha, transgredindo fronteiras territoriais.
Nas suas apresentações ao vivo, Hermeto tem se utilizado deste repertório notável, além de peças ainda não registradas em estúdio como ‘Forrozão dos 8 baixos’, um autêntico forró instrumental, com frases construídas em grupos de semicolcheias, que não difere em clima e agilidade dos forrós clássicos de mestres da sanfona de 8 baixos como Gerson Filho, Abdias e Zé Calixto.
Embora ainda seja uma obra pequena que tenha sido registrada, já deixa provas da contribuição do “bruxo” à Sanfona de 8 baixos no cenário internacional, apresentando variados recursos expressivos, e conciliando a tradição musical nordestina do fole de 8 baixos com a idiossincrática inventividade que sempre caracterizou o trabalho de Hermeto Pascoal.
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10 de dez. de 2009
Hermeto Pascoal - A vida é um show part 13
Hermeto nos 8 baixos - é um som ou é um sonho...
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7 de jul. de 2009
Hermeto Pascoal toca no Showlivre.com/2004
A música interpretada por Hermeto Pascoal e Aline Morena neste vídeo, é "Garrote". Hermeto, teve a sanfona de 8 baixos como primeiro instrumento, embora ao longo de sua carreira tenha a utilizado raramente. A partir de "Festa dos Deuses"(Selo Radio MEC, 1999), é que Hermeto retoma a "pé-de-bode", que está entre as suas mais profundas raízes musicais.
A afinação utilizada por Hermeto, é a "natural", afinação diatônica típica do Rio Grande do Sul.É uma adaptação da afinação diatônica italiana. Em Alagoas, onde nasce Hermeto, é uma afinação muito difundida, a julgar por outros sanfoneiros alagoanos como Gerson Filho, Edgar dos 8 baixos e Robertinho dos 8 baixos.
No caso de Hermeto, é interessante notar o uso que faz do instrumento. Ainda que se apoie na técnica tradicional, Hermeto consegue, como sempre parece conseguir, sair pela tangente, encontrar uma brecha para algum lugar desconhecido, ou melhor, pouco conhecido. Aqui, parece que este "lugar" é o compasso de sete tempos, incomum na cultura musical brasileira de modo geral.
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