14 de dez. de 2014

Desabafo

Mesmo diante de minha contribuição crítica para o acordeon no Brasil - sobretudo o acordeon diatônico, vulgarmente chamado de fole, gaita ponto ou sanfona de oito baixos, mediante as comemorações do nascimento de Luiz Gonzaga, institucionalizado como "Dia Nacional do Forró", fiquei decepcionado por não ter sido convidado para participar de nenhum evento neste final de ano. Que esteja aqui registrado meu desabafo. Tenho a consciência do valor concreto de minha atuação no processo de revalorização do fole, sobretudo no estilo nordestino, sobre o qual se concentrou minha pesquisa e atuação nos últimos anos. Hoje, observo o crescente redimensionamento deste instrumento, que estava esquecido e vilipendiado por circunstâncias várias. Enfim, não me estenderei por demais, apenas lamentarei a falta de gratidão e companheirismo que tenho observado. É com tristeza que fecho este ano de 2014,  sem ter a certeza de que perseverarei nesta luta, pois, talvez, a relevância de minha pesquisa tenha fechado um ciclo, e cabe a mim, procurar outro rumo por onde caminhará minha existência futura, sabendo, conscientemente, de tudo o que foi semeado. Que novos ventos tragam novos ares e a esperada renovação ao fole de oito baixos...

21 de out. de 2014

Arcênio dos 8 Baixos - Lembrando o Negrão dos 8 Baixos

O Fole Roncou: EDITORIAL - ESPAÇO PARA OS SANFONEIROS DE 8 BAIXOS...

EDITORIAL - ESPAÇO PARA OS SANFONEIROS DE 8 BAIXOS - PROGRAMA 09


Espaço para os sanfoneiros de 8 baixos
25 de maio de 2013
No
dia de hoje queremos dividir com vocês, caros ouvintes, a nossa preocupação com
a falta de espaço para os sanfoneiros de 8 Baixos apresentarem seus trabalhos.
Temos acompanhado de perto, nos últimos 10 anos, em função de nossa pesquisa
sobre o fole, a luta dos mestres e dos novos talentos para serem reconhecidos
no mercado musical, porque sua arte está acima dessa conjuntura que reflete
muito a política cultural dos governantes, e é essa política que define na
maioria das vezes em nossa terra quem tem espaço e visibilidade.
A
arte desse instrumento de memória oral esteve bem perto de se perder há alguns
poucos anos atrás. Graças à garra de Arlindo dos 8 Baixos se dedicando a tocar,
ensinar, consertar e afinar os foles; à Luizinho Calixto que, junto com a
primeira gestão do Memorial Luiz Gonzaga, do Pátio de São Pedro do Recife,
realizou as primeiras oficinas para repassar o conhecimento do instrumento de
forma mais sistematizada em um método pioneiro que ele próprio vem
desenvolvendo; à Heleno dos 8 Baixos, que junto com Valdir Santos e João Bento,
montaram a primeira escola permanente para o ensino de 8 baixos no bairro de Vassoural,
em Caruaru, para as crianças e jovens da comunidade, tendo um de seus alunos, o
Ivison, já realizado turnê na Europa;
À
Heleno Truvinca, que passou vinte anos esquecido no Rio de Janeiro, mas agora
retoma sua carreira como um dos poucos, talvez o único a tocar as duas
afinações para este instrumento, e mostrou esse saber que é nosso patrimônio
cultural em mais de 100 apresentações pelo país afora através do SESC no
projeto SONORA BRASIL; à coragem de Roberto Andrade, de realizar o 1º Encontro
de Sanfoneiros de 8 Baixos no Recife; à Marcos Veloso, que continua realizando
o Encontro de Sanfoneiros do Recife, este ano na sua 16ª edição, sempre
convidando e homenageando os tocadores de fole; aos mestres de Santa Cruz do
Capibaribe, a Terra dos 8 Baixos, que retomaram a autoestima pelo instrumento,
criando a Orquestra Sanfônica de 8 Baixos daquela cidade. E tantos outros
anônimos amantes do instrumento que se dedicam a colecionar e divulgar em
sites, ou através de outros meios, a produção fonográfica e a história desses
artistas, como o pesquisador carioca Leo Rugero, essas sementes brotaram, e
hoje, as crianças e jovens voltaram a se interessar pelo instrumento, como o
Trio OS  CAÇULAS DO 8 BAIXOS, de Caruaru,
que já faz shows pela cidade.
É
toda uma rede que permanece invisível para o grande mercado da música, e com
tristeza vemos a dificuldade de inserção desses artistas nas grades de
programação do São João das nossas cidades. Os cachês propostos para alguns
poucos mestres consultados é aviltante, depois de tantos anos de luta e
preservação de nossa identidade musical, enquanto alguns expoentes de uma
música sem tradição e lastro são aclamados e agraciados com cachês exorbitantes
e numerosas apresentações. Precisamos repensar certas exigências que são colocadas
para os artistas receberem pelo seu trabalho, como a comprovação de cachês
anteriores. Como os novos podem comprovar cachês? Como os veteranos podem ter
um cachê mais decente, se estão atrelados à média do que foi proposto em anos
anteriores? É uma política de congelamento de cachês para os menos influentes,
com a desculpa de visibilidade e espaço?
Deixamos
aqui nosso desconforto e indignação com o tratamento que vem sendo dado aos
nossos mestres e artistas do fole de 8 baixos.
Esperamos
que essa arte continue resistindo até que possa existir com o reconhecimento
que merece.



Anselmo
Alves e Lêda Dias

19 de out. de 2014

'Los Gauchos de Roldán' Share Down-Home Dance Music Tradition From Rural...

Pampeana (Milonga) Walter Roldan y Jose Curbelo and Friends

Mario Mascarenhas e sua sanfona de 8 baixos

Quem diria...navegando pela Internet, encontrei uma fotografia do filme "O canto da Saudade"de Humberto Mauro, lançado em 1952. O protagonista era ninguém menos do que Mario Mascarenhas, célebre acordeonista, que ficou conhecido para a posteridade por sua intensa atividade como professor de acordeon na década de 1950.. Deixou vasta bibliografia, que inclui desde um famoso método até antologias de músicas populares e transcrições para acordeon de obras originalmente compostas para piano. A curiosidade na foto é a de Mascarenhas tocando uma sanfona de oito baixos Hohner. Acima, a atriz e protagonista do filme, a atriz Claudia Montenegro.

Segue a sinopse do filme:

"Coronel Januário candidata-se a prefeito da cidade. Maria Fausta, afilhada do coronel, é cortejada por Galdino, acordeonista da região, mas namora João do Carmo às escondidas do pai. Durante a campanha eleitoral, a moça desaparece. Após intensas buscas, Galdino a localiza, junto com seu namorado, em um esconderijo arrumado pelos padrinhos. O casal retorna e o coronel promove o casamento. Durante a festa, percebe a ausência de Galdino, que havia partido. Segundo a lenda da região, em certos dias, quem passa perto do canavial pode ouvi-lo tocando, triste, a sanfona, saudoso do amor da cabocla." (ALNS/DFB)