16 de ago. de 2013

Com Respeito aos Oito Baixos - lançamento do filme


  Entre os dias 8 e 28 de julho, estive na região Nordeste para algumas exibições de lançamento do filme "Com Respeito aos Oito Baixos". Este filme foi viabilizado através do Prêmio Funarte Centenário de Luiz Gonzaga 2012. Filmado nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro, o argumento principal do filme consiste em refazer o percurso da pesquisa de campo empreendida durante minha dissertação de mestrado homônima, defendida na Escola de Música da UFRJ, na área de musicologia.
As filmagens foram realizadas entre setembro e outubro de 2012, num trajeto percorrido desde o sertão do Araripe ao Agreste paraíbano. Mais informações sobre a elaboração do filme no link http://www.forroemvinil.com/filme-documentario-com-respeito-aos-oito-baixos
As exibições ocorreram nos seguintes lugares: 13 de julho, estreia oficial na Praça da Matriz em Exu, município do Araripe pernambucano e cidade natal de Luiz Gonzaga; 17 de julho, Arcoverde, no Ponto de Cultura Orquestra Sertão; 24 de julho, Recife, no restaurante Arriégua. 
Durante a viagem foram concedidas entrevistas em programas de rádio, televisão e jornais, no intuito não apenas de divulgar o filme, mas de estimular a renovação da prática da sanfona de oito baixos na região Nordeste.

13 de julho - Exu

Em Exu, a exibição do filme recebeu o apoio da Secretaria de Cultura e Esportes do Exu. Não poderíamos deixar de mencionar Lello Santana, que, de imediato, se prontificou para organizar o lançamento do filme e da secretária de cultura de Exu, Helenilda Moreira, cujo empenho e dinamismo deve servir de exemplo a pessoas que assumem postos de autoridade na área cultural.

                                                   Telão montado especialmente para a estreia do filme em Exu

A estreia em Exu contou com a abertura realizada pelos alunos do Projeto Asa Branca, coordenado por Aline Justino. O encerramento terminou em forró aquecido nos oito baixos com Joquinha Gonzaga e Léo Rugero.

Da esquerda para a direita: Marlla Tavares, Joquinha Gonzaga, Helenilda Moreira e Léo Rugero; Na 1a foto acima, Lello Santana ao fundo.

17 de julho - Arcoverde

Arcoverde, conhecido como "Encruzilhada do Sertão", é um encantador município do sertão central pernambucano. No passado, a condição de entreposto comercial fez desta cidade um ponto de cruzamento de vaqueiros, cangaçeiros, comerciantes, índios, negros escravizados dos engenhos de cana, enfim, um verdadeiro cadinho cultural. Isso faz desta cidade um ambiente efervescente de um centro urbano, embora seja um município relativamente pequeno. Em Arcoverde, devo especiaias agradecimentos ao grande músico e amigo Cacau Arcoverde, cuja música espelha e sintetiza as impressões que tive de sua cidade natal. A exibição em Arcoverde não poderia ter sido mais oportuna, tendo sido seguida por um bate-papo com a atenta plateia e no final, um forró com a participação de Cacau ao zabumba e mais dois mestres de coco. Inesquecível!

                                                                            Léo Rugero e Cacau Arcoverde
A exibição ocorreu no Ponto de Cultura Orquestra Sertão, coordenado por Lula Moreira e Cacau Arcoverde. 

24 de julho - Recife

Por fim, foi realizada a exibição em Recife, no restaurante Arriégua de Luiz Ceará, ponto de encontro de forrozeiros na capital pernambucana. Com um palco improvisado em meio ao restaurante, as ilustres presenças de Anselmo Alves, Lêda Dias, Truvinca e Severino dos Oito Baixos conferiu certa sobriedade à exibição. Infelizmente, não houve registro fotográfico do evento. 

A trajetória do filme segue adiante, tendo já confirmado em novembro, a exibição no festival Rootstock, em São Paulo.

E vamos em frente...

9 de ago. de 2013

8º Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis


terça-feira, 28 de maio de 2013

O 8º Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis foi o maior de todas as edições

O Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis, edição 2013, foi o nosso grande festival, com mais investimentos do Sesc, mais parceiros, maior divulgação na mídia local e nacional. Fomos notícia no G1, site oficial do Sesc, jornal O Diário de Teresópolis, TVs de Teresópolis e até sites de fortaleza como o Festaleza.
O festival foi brilhante desde a abertura oficial com o produtor Cândido Neto que abriu o evento e tocou a Milonga para as Missões e Stereo Love com os parceiros acordeonistas Alex Wey e André Gandra. Logo depois foi a vez do grande acordeonista Rafael Meninão e o Trio Rapacuia que é o Rafael, o Rogério e o Fernando, uma galera nota 1000.
Depois do Trio chegou a vez da atração mais esperada da noite: a cantora cearense Amelinha que levou a platéia ao delírio com canções inesquecíveis dos anos 80 e outras do DVD novo Janelas do Brasil. Amelinha estava linda no palco acompanhada por sua banda maravilhosa que além de levar o público a cantar seus antigos sucessos, também levou a galera a dançar muito já no clima de São João cantando marchinhas como "Olha pro céu meu amor, Gemedeira e Romance da Lua, dentre outras". Foi uma noite inesquecível para as mais de 800 pessoas que lotaram o Sesc Teresópolis.


No segundo dia (24/05) tivemos o lançamento do filme "Com Respeito aos 8 Baixos" do pesquisador Léo Rugero que conversou com o público e fez uma bela apresentação de 8 baixos acompanhado do percussionista Anderson Sabagini, seguindo com o Forró Tradição no Sesc Café com os nossos grandes acordeonistas veteranos Seu Timbira, Seu Zé Lopes, Seu Edson do Acordeom e Batista do Forró, ícones da sanfona na região serrana do Rio de Janeiro.


O terceiro dia começou cedo com a oficina de acordeom com Marcelo Caldi, reunindo músicos e interessados no instrumento. Mais tarde o Marcelo Caldi lançou o seu livro "Luiz Gonzaga, tem Sanfona no Choro" com a presença do coautor Fernando Gasparini, e às 17 horas foi o momento mais esperado que é quando se apresentam os acordeonistas de Teresópolis e alguns pontos do estado do RJ. Se apresentaram as acordeonistas Sônia Pries e Erocedes, e os acordeonistas Daniel Vieira, Amado Rodrigues, José Lopes, Geraldo Pereira, Batista do Forró, Seu Timbira, Leandro Lopes, Edson do Acordeom, André Gandra, Alex Wey e Cândido Neto. Todos tocaram a música Asa Branca no final como tem sido nestes 8 anos. Esta apresentação do sábado começou às 17h e terminou às 20 h e 20 minutos.





O 8º Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis terminou no domingo (26/05) com um show lindo do Marcelo Caldi, pra lavar a alma. O show do Caldi é muito bom, a platéia vibrou e já tinha muita gente dizendo que ele tem que voltar no próximo ano. O cara toca, canta e compõe muito bem... é um show que só você assistindo pra se ter uma ideia. BRAVO!!!


ENTREVISTA COM LÉO RUGERO CINEASTA E MÚSICO

4 de jul. de 2013

Filme "Com Respeito aos Oito Baixos" estreia confirmada em Exu

Olá amigos,

está confirmada a estreia do filme "Com Respeito aos Oito Baixos" em Exu, Pernambuco, cidade natal de Luiz Gonzaga!
A exibição será realizada no dia 13 de Julho, na Praça Padre João Batista, em frente a Igreja Matriz. às 19:00. 



23 de jun. de 2013

Zé Calixto no São João


Amanhã, dia 24, apresentação de Zé Calixto no São João de Campina Grande!!!
Acompanhe o Maior São joão do Mundo AO VIVO

http://saojoaodecampina.com.br/

http://saojoaodecampina.com.br/aovivo

16 de jun. de 2013

O fole roncou


Matéria originalmente publicada no blog "Amálgama"


A história e as histórias da música nordestina

Livro lançado recentemente soma elementos importantíssimos para a afirmação da memória da música do Nordeste.
“O fole roncou! – Uma história do forró”, de Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues
Tenho vergonha de dizer que o tema deste livro foi em grande parte novo para mim, afinal sou professor de História da Música Brasileira, e essa disciplina vem sendo marcada por uma inominável quantidade de exclusões que se praticam em seu nome. Existe uma tradição consolidada como mainstream em torno do samba carioca dos anos 1920-40, retomada a partir da miríade de crônicas jornalísticas e histórias da música popular brasileira que vão surgindo a partir da década de 1950, e que servem como ponto de apoio para a retomada do que Caetano chama de “linha evolutiva”: a partir da Bossa Nova, toda a modernização que resulta na sigla MPB se faz com base no samba tradicional/tradicionalizado de décadas anteriores. Esse processo todo está mais do que bem descrito/analisado no texto clássico de Napolitano e Wasserman (pdf aqui).
Ou seja, para chegar-se ao consenso de que Música Popular Brasileira é sinônimo de tudo o que veio da tradição do samba, procedeu-se uma violência simbólica excludente, deixando de fora, por exemplo, a música caipira/sertaneja, o rock brasileiro, e também a música nordestina. Por tudo isso, escrever uma história da música nordestina é uma ação política fundamental, e o livroO fole roncou! – Uma história do forró, de Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, traz uma grande contribuição. Afinal, para que a música nordestina receba o lugar que merece na nossa memória cultural e na História da Música Brasileira, é necessário fazer o que já vem sendo feito com o samba há uns oitenta anos: escrever sobre ela.
Só por isso, já é importante ler o livro lançado recentemente pela Zahar. Mas isso também não exime os autores das responsabilidades sobre os problemas da edição. Vou então dividir o livro em duas abordagens: primeiro falo dos defeitos, para terminar falando das qualidades.
O grande problema do livro é o mesmo de vários outros de mesmo teor. Por exemplo, tem uma história do rock que resenhei aqui no Amálgama tempos atrás com problemas parecidos. Sendo jornalistas, os autores escrevem o livro num formato de reportagem infinita, como se estivessem escrevendo para um jornal, só que sem aquelas irritantes limitações de espaço. Faltou aos autores a necessária formação em música e em história para conseguir dar a abordagem merecida para um assunto com essa importância. (Mas como o pessoal que tem a tal formação necessária não está trabalhando nisso, que bom que alguém vem cobrir as indesculpáveis lacunas.)
Termino de ler o livro e continuo sem saber quase nada sobre a música nordestina. Sei muito sobre o anedotário de vários artistas importantes do gênero (na verdade, o forró como gênero nem mesmo se afirma no livro, ficando apenas como um gancho no título). Sei dos problemas conjugais de cada um, que tipo de dor sentiram quando morreram, como se conheceram os vários parceiros importantes de sua música. Não sei quase nada da possibilidade de confirmar as informações do livro, pois os autores têm o péssimo hábito de não indicar de onde vêm as informações. É claro que a maioria do público não vai querer interromper a leitura para ficar conferindo essas coisas, mas notas de fim de capítulo resolveriam muito bem o problema – vão a elas apenas os leitores especializados, que querem confirmar as informações. Também não é completa a bibliografia que vem ao final, pois várias obras mencionadas ao longo do livro não aparecem lá.
Tem muita coisa que vem de acervos de jornais, e como estes não são corretamente indicados, muitos dados ficam como informação perdida. Não daria nenhum trabalho indicar nome do jornal e data da matéria para quem precisasse ir atrás de algum ponto. Também tem muita informação que claramente saiu de depoimentos. Alguns eles indicam serem os gravados pelo MIS-RJ, e isso dá para investigar; mas acredito que eles tomaram muito depoimento de gente importante próxima aos artistas citados, o que acabamos não tendo certeza. Esse tipo de informação acurada daria mais valor ao livro. A não explicitação das fontes de pesquisa joga tudo numa imensa dúvida, que diminui demais o valor do trabalho. Isso fica ainda mais prejudicado quando os autores partem do pressuposto de que tudo precisa ser explicado, desde os detalhes da infância dos artistas até a história das cidades de onde eles se originaram. Obviamente, boa parte desse tipo de informação está envolta numa nuvem de mistificação, e os autores têm uma boa fé excessiva quanto ao que apuraram de fontes incertas.
Tirando esses problemas, o livro assoma com grandes qualidades. Como eu já disse no início, a música nordestina é solenemente ignorada nos livros de História da Música Brasileira. O compromisso de certos autores com algum tipo de “bom gosto” duvidoso os leva às exclusões inaceitáveis. São o mesmo tipo de gente que tinha o apelido “pau de arara” ou “paraíbas” para os migrantes que vieram fazer uma vida melhor no Sudeste (Rio e São Paulo) e acabaram trazendo uma imensa tradição musical local para dentro do mercado fonográfico e para tudo o que se concebe como “música brasileira”. Nada é mais brasileiro do que a música nordestina, afinal, a colonização começou por lá, e o sertão é ponto onde as tradições mais antigas estão bem sedimentadas e arraigadas. Quando isso se encontra com as violentas transformações modernizadoras de meados dos século XX, surge essa música pujante.
O livro segue a trilha de artistas pouco estudados, começando com Luiz Gonzaga, seguindo por Marinês e Jackson do Pandeiro. Tudo já na década de 1950, quando o Baião se consolida como gênero fonográfico. A obra segue a trilha do “esquecimento” desses artistas frente às novidades da indústria fonográfica dos anos 1960, e pega o ponto de recuperação da velha guarda a partir de novas gerações que se inseriram na MPB, como Fagner ou Elba Ramalho – o primeiro ligando-se profundamente a Gonzagão, e a última a Marinês.
Para mim, as partes mais interessantes do livro são as descrições dos processos de produção de Abdias nas gravadoras do Rio de Janeiro e o surgimento do forró moderno nas mãos de Emanuel Gurgel, com sua banda Mastruz com Leite e sua gravadora Som Zoom na Fortaleza dos anos 1990. Também foi muito útil descobrir, entre as poucas fontes de pesquisa corretamente indicadas, um livro que parece trazer a abordagem que estou procurando: Forró no asfalto (2003) é mais mais acadêmico e mais fundamentado; e a dissertação Com respeito aos 8 baixos (pdf), que me parece trazer uma abordagem musicológica bem na linha do que os departamentos de música deveriam estar correndo fazer.
Então fica assim: é urgente ter mais gente estudando o assunto, e o blog de Leonardo Rugero, que escreveu a dissertação mencionada acima pode ser um bom ponto de partida, cheio de links para lugares onde se acham mais informações, gravações, vídeos e tal. O livro O fole roncou! vai ser uma leitura importante, mas quem quiser estudar o assunto não vai poder ficar só com isso.
::: O fole roncou! – Uma história do forró :::

15 de jun. de 2013

Heleno dos Oito Baixos no São João


Publicado em 12/06/2013 21:24 por Henrique França
A primeira atração a subir no palco do maior e melhor São João do mundo foi o sanfoneiro e compositor pernambucano Heleno dos oito baixos. Com seu fole de oito baixos o artista esquentou a multidão que aguardava ansiosa pelo o arrasta-pé do dia dos namorados. Nem mesmo os 20 graus de temperatura desanimou a galera que marcou presença no pátio “ Luiz Lua Gonzaga” e se jogou no forró.
DSC_0016Heleno dos oito baixos no palco do maior e melhor São João do mundo (Foto: Anderson Stevens )
DSC_0010Heleno dos oito baixos (Foto: Anderson Stevens )
DSC_0007(Foto: Anderson Stevens )
DSC_0022Heleno dos oito baixos esquentando a galera no São João de Caruaru (Foto: Anderson Stevens )

28 de mai. de 2013



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Encontro de Sanfoneiros movimentou o SESC Teresópolis no fim de semana


Amelinha foi uma das atrações do Encontro de Sanfoneiros (Fotos: Jeferson Hermida)


Atração de destaque da programação cultural do SESC Teresópolis, o 8º Encontro de Sanfoneiros reuniu grandes nomes da sanfona entre quinta-feira, 23, e domingo, 26 de maio. Sucesso de público e com programação diversificada, o evento contou com oficina de acordeão, lançamento do filme ‘Com respeito aos oito baixos’, de Leonardo Rugero, e do livro ‘Tem sanfona no choro’, de Marcelo Caldi, foram algumas das atrações dos quatro dias do evento.

Destaque para a cantora cearense Amelinha, que abriu o encontro com o show ‘Janelas do Brasil’, nome do seu mais recente DVD. Com 40 anos dedicados à música, Amelinha atingiu o auge da fama no início dos anos 80 com a canção ‘Foi Deus que fez você’, destaque no Festival MPB 80, da Rede Globo.

Os acordeonistas de Teresópolis Cândido Neto – idealizador e produtor do evento – e Alex Wey, que são professores na rede municipal de ensino, foram os primeiros a se apresentar no Encontro. Os veteranos Seu Timbira e Zé Lopes também subiram ao palco. Os dois são freqüentadores assíduos do Encontro de Cultura de Raiz, lançado em abril de 2009 pela Secretaria Municipal de Cultura com o objetivo de resgatar e valorizar artistas da cultura popular.

Também mostraram seu talento os acordeonistas André Gandra, Rafael Meninão, Seu Edson do Acordeão e Batista do Forró.