28 de mai. de 2013



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Encontro de Sanfoneiros movimentou o SESC Teresópolis no fim de semana


Amelinha foi uma das atrações do Encontro de Sanfoneiros (Fotos: Jeferson Hermida)


Atração de destaque da programação cultural do SESC Teresópolis, o 8º Encontro de Sanfoneiros reuniu grandes nomes da sanfona entre quinta-feira, 23, e domingo, 26 de maio. Sucesso de público e com programação diversificada, o evento contou com oficina de acordeão, lançamento do filme ‘Com respeito aos oito baixos’, de Leonardo Rugero, e do livro ‘Tem sanfona no choro’, de Marcelo Caldi, foram algumas das atrações dos quatro dias do evento.

Destaque para a cantora cearense Amelinha, que abriu o encontro com o show ‘Janelas do Brasil’, nome do seu mais recente DVD. Com 40 anos dedicados à música, Amelinha atingiu o auge da fama no início dos anos 80 com a canção ‘Foi Deus que fez você’, destaque no Festival MPB 80, da Rede Globo.

Os acordeonistas de Teresópolis Cândido Neto – idealizador e produtor do evento – e Alex Wey, que são professores na rede municipal de ensino, foram os primeiros a se apresentar no Encontro. Os veteranos Seu Timbira e Zé Lopes também subiram ao palco. Os dois são freqüentadores assíduos do Encontro de Cultura de Raiz, lançado em abril de 2009 pela Secretaria Municipal de Cultura com o objetivo de resgatar e valorizar artistas da cultura popular.

Também mostraram seu talento os acordeonistas André Gandra, Rafael Meninão, Seu Edson do Acordeão e Batista do Forró.



A Gazeta Fluminense: Encontro de Sanfoneiros movimentou o SESC Teresópo...

A Gazeta Fluminense: Encontro de Sanfoneiros movimentou o SESC Teresópo...: Amelinha foi uma das atrações do Encontro de Sanfoneiros (Fotos: Jeferson Hermida) Atração de destaque da programação cultural do ...

26 de mai. de 2013

Com Respeito aos oito baixos

Prezados amigos:

Finalmente está saindo do forno o filme "Com Respeito aos Oito Baixos".
Este trabalho foi contemplado com o Prêmio Funarte Centenário de Luiz Gonzaga 2012.
Filmado nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro, o filme traz à luz algumas questões importantes sobre a trajetória do fole de oito baixos na Região Nordeste.
Em breve, as cópias estarão prontas para distribuição e venda.
Aos amigos que queiram mais informações sobre este trabalho, podem contactar-me pelo e-mail: leorugero@gmail.com

Abaixo, a ficha técnica e a sinopse do filme!



COM RESPEITO AOS 8 BAIXOS

Um filme de Léo Rugero
Direção geral: Léo Rugero
Direção de fotografia: Débora 70 e Marcílio Costa
Montagem: Débora 70, Júlia Sarraf e Léo Rugero
Câmera: Débora 70 e Marcilio Costa
Assistente de câmera e iluminação: André Fontes
Motorista: Silvério Candido
Produção executiva: Mila Schiavo
Finalização: Marcílio Costa


Com:  Joquinha Gonzaga, Mestre Pedro,  Vicente Telles, Anselmo Alves, Enock Lima, Lêda Dias, Nego do Mestre, Zé Calixto, Geraldo Correia, Luizinho Calixto, Antonio da Mutuca, Pedro Manú, Vinicius Antonio de Souza, João Cordeiro, Expedito Ferrugem, Aline Justino, Valdir Santos, Ivison Santos Silva, Orquestra Sanfônica de Oito Baixos de Santa Cruz do Capibaribe, Cirinéia Amaral, Thiago Calisto, João Calixto, Bastinho Calixto e José Alberto Salgado.

SINOPSE: Inspirado em dissertação de mestrado homônima, o filme “Com Respeito aos 8 baixos” refaz o percurso do músico e pesquisador Leonardo Rugero Peres (Léo Rugero) em sua pesquisa etnográfica. Filmado em setembro de 2012 nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro, a narrativa  se estrutura sobre breves capítulos que enfocam a influência da sanfona de oito baixos como instrumento solista no contexto dos bailes nordestinos, o aprendizado tradicional do instrumento, a mudança do aprendizado entre os jovens instrumentistas, a circulação dos repertórios tradicionais e o deslocamento de sanfoneiros para o Sudeste em função do êxito de Luiz Gonzaga no contexto fonográfico e radiofônico .

Duração: 40:55 (media metragem)



Escola de Sanfona de oito baixos em Campina Grande


Escola de sanfona

Campina Grande deve ganhar uma escola de sanfona de oito baixos no mês de junho. As aulas serão executadas em cursos livres de extensão, vinculados à Pró-Reitoria de Arte e Cultura da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Aulas vão acontecer na antiga Faculdade de Administração, localizada na Rua Getúlio Vargas, no Centro de Campina Grande.
O anúncio foi feito pelo reitor da UEPB, Rangel Junior, na entrega do 'Troféu Gonzagão' na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP), na última terça-feira à noite. Para o reitor Rangel Junior, implantar a escola de sanfona de oito baixos representa mais uma grande contribuição da UEPB para a valorização da cultura nordestina.
"A instituição, que já conta com o Museu Assis Chateaubriand (MAC) e vai entregar ao público paraibano, no próximo mês, mais um grande equipamento cultural, o Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), conhecido como Museu dos Três Pandeiros, reforça seu trabalho, feito em parceria com o Governo do Estado, com o compromisso de preservar as riquezas locais e fazer com que os valores sociais e culturais não se percam ao longo do tempo", frisou.
O sanfoneiro Luizinho Calixto estará à frente desta iniciativa e é o responsável pela elaboração de toda a proposta pedagógica do curso que vai beneficiar toda a população.

16 de mai. de 2013

Abdias, Zé Calixto e Luizinho Calixto



Já imaginaram Zé Calixto, Abdias e Luizinho Calixto tocando juntos? Isso aconteceu, algum tempo atrás, no programa "Som Brasil" de Rolando Boldrin, na década de 1980. Um pequeno trecho de "Botão variado" de Bau dos oito baixos e Ivan Bulhões.

Did you imagine Zé Calixto, Abdias e Luizinho Calixto playing together? This happened, sometime ago, in the legendary TV program called "SOM BRASIL". Just a little  of "Botão Variado" (Bau dos oito baixos, Ivan Bulhões). Enjoy it!

2 de abr. de 2013

Edilberto Bergamo

Recentemente, fui contactado pelo gaiteiro Edilberto Bergamo. Exímio gaiteiro, pude conhecer o trabalho deste músico em 2010, através de um técnico de som gaúcho. Bergamo confessou ter desenvolvido o interesse pela afinação nordestina, e isso foi o mote de nossa conversa. Recomendei-lhe que pudesse ler meu artigo "A sanfona de oito baixos e a música instrumental". Bergamo não apenas leu o texto, como escreveu uma nota elogiosa no facebook que a seguir transcrevo: "Já faz tempo que venho recolhendo informaçoes sobre a gaita de botao principalmente na musica gaucha. E hoje recebi um trabalho de qualidade chamado A SANFONA DE OITO BAIXOS, muito bem escrito de facil entendimento falando principalmente da gaita de botão na musica Nordestina mas lembrando dos gaúchos. Muito obrigado Leo Rugero, que lindo trabalho quando eu tiver o material pronto sobre a gaita gaucha gostaria muito do teu depoimento. E como diria o cantor e gaiteiro Pirisca Grecco A GAITA É A RAINHA DA FESTA! Nos temos o encargo de manter este instrumento VIVO."Então respondi a Bergamo com os segintes dizeres: "Prezado Edilberto Bérgamo, estas elogiosas palavras de incentivo se revestem de ainda maior valor simbólico, quando proferidas por um músico que não apenas representa a tradição da gaita-ponto, bem como é um de seus maiores representantes. Quando publiquei este primeiro esboço que é o trabalho "A sanfona de oito baixos na música instrumental" em 2008, uma das principais motivações que me conduziram a este verdadeiro mergulho na gaita de botão foi justamente a escassez de textos sobre a prática deste instrumento no Brasil. Passado algum tempo, sou cada vez mais grato ao acordeon diatônico, que entre nós veio a ser denominado de fole, sanfona, gaita ou pé-de-bode, pois, através dele, tenho recebido muito, não apenas musicalmente mas também humanamente, vindo aos poucos a conhecer as pessoas que mantém viva a tradição deste instrumento entre nós. Sim, como você disse, temos o encargo de manter este instrumento VIVO ! Vamos em frente!"
Creio que seja esse um de nossos maiores objetivos, fortalecer a corrente do acordeon diatônico praticado no Brasil.

17 de mar. de 2013

Heleno dos 8 Baixos e Chiquinho do Acordeon

Heleno dos oito baixos acompanhado por Chiquinho do Acordeon no Encontro de Mestres da Sanfona ocorrido há algum tempo atrás. Mais um excelente video compartilhado por Everaldo Santana.

10 de mar. de 2013

História do Acordeon no Séc XIX

A propósito do livro de Gorka Hermosa sobre a história do acordeon no séc. XIX, qual foi minha surpresa ao saber, através do próprio autor, que meu primeiro trabalho publicado on-line RUGERO PERES, Leonardo (2008): “A sanfona de oito baixos na música instrumental brasileira”, está entre as obras listadas na bibliografia pesquisada pelo autor. Claro, sinto-me feliz com isso, não apenas devido à natural vaidade decorrente do reconhecimento gradual de minha pesquisa, mas, principalmente, devido a contribuição deste trabalho para a ampliação de estudos sobre o acordeom diatônico no Brasil. Recentemente, em janeiro passado, o pesquisador Paddy League da Universidade de Boston, EUA, esteve no Rio de Janeiro com o propósito de conhecer Zé Calixto, exímo representante da sanfona de oito baixos da região Nordeste. Tendo intermediado o encontro, levei Paddy à Santíssimo, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, para que viesse a conhecer o afamado sanfoneiro paraibano. Tanto eu como Zé Calixto ficamos surpresos ao saber através do afável e talentoso musicologo americano, que os discos de forró instrumental digitalizados e compartilhados por blogs como "Forró em Vinil" e "Sanfona de 8 baixos" são baixados, ouvidos e apreciados na América do Norte, sobretudo entre a comunidade de brasileiros radicados alhures. Se, por um lado, isso é algo que nos felicita, resta ainda saber de que modo o mercado internacional poderá se abrir de forma efetiva para movimentar a ainda fragilíssima economia  que envolve o acordeon diatônico no Brasil,  salvo exceção à regra de Renato Borguetti, que avança gradualmente em seu reconhecimento enquanto instrumentista de gaita-ponto, sobretudo em países europeus.

9 de mar. de 2013

História do Acordeom no século XIX

Entre as novidades deste ano na área do acordeom diatônico, devemos destacar o lançamento do livro "The accordion in the 19th century"(O acordeom no século XIX) de Gorka Hermosa. Quem nos deu a dica foi o amigo Daltro Vieira, gaiteiro de Lages, Santa Catarina, que eventualmente tem figurado nas páginas deste blog.
No texto de apresentação do trabalho há maiores detalhes sobre o livro. Abaixo, minha tradução livre de um pequeno trecho da apresentação:

"Este livro é um estudo e análise da origem dos instrumentos de teclado com palhetas livres e seu desenvolvimento musical e organológico no século XIX.

No livro, apresentamos algumas novas ideias sobre a história destes onstrumentos e quebramos algumas das mais difundidas ideias sobre este tema escritas em importantes livros sobre a história do acordeom". Para obter o livro, deve-se entrar em contato com o próprio autor no seguinte link: http://gorkahermosa.com/web/img/publicaciones/Hermosa%20-%20The%20accordion%20in%20the%2019th.%20century.pdf





22 de fev. de 2013

Pedro Sertanejo - O Rei do Forró




Mais uma descoberta de Everaldo, através de Castanheiro!

21 de fev. de 2013

Pedro Sertanejo em Monte Santo



Interessante documentário narrando a visita de Pedro Sertanejo à Monte Santo, Bahia. Mais um achado de Everaldo Santana!!!

28 de jan. de 2013

Pé Duro - No Forró do Belem




Publicado em 26/01/2013 por Everaldo Santana no youtube
Pé Duro dos 8 Baixos iniciou sus carreira artística tocando no antigo Forró do Pedro Sertanejo na Rua Catumbi no bairro do Belém na cidade de São Paulo. Eu gosto muito de Sanfonas de 8 Baixos e sou fã do trabalho deste excelente Sanfoneiro. Pé Duro tem um estilo próprio de tocar que inspirou grandes sanfoneiros de 8 Baixos como Zé Henrique e Raimundinho dos 8 Baixos. Pé Duro toca todos os domingos no Forró do Belém junto com vários outros sanfoneiros de 8 Baixos. Teo dos 8 Baixos que comanda o Show nesta casa conseguiu reunir a grande maioria dos músicos que tocavam no Forró do Pedro Sertanejo e hoje tocam no Forró do Belém.
Continuarei indo ao Forró do Belém para gravar todos os Sanfoneiros de 8 Baixos que tocam lá.

Arlindo dos 8 Baixos: "Eu me sinto um herói"


Arlindo dos 8 Baixos: "Eu me sinto um herói"

Patrimônio vivo de Pernambuco comemora 50 anos de carreira como referência no instrumento e lutando contra doença

por Felipe Mendes | sab, 26/01/2013 - 01:03
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Foto: Fernando da Hora/LeiaJáImagensMeus mestres... Um já foi embora, que era Luiz Gonzaga. O outro está bem doente, que é Dominguinhos

São cinquenta anos de carreira. Setenta anos de vida a ser completados no próximo dia 16 de abril. Um legado imensurável que ultrapassa o instrumentista e se concretiza em 18 discos, inúmeros shows, fotos, histórias e no Espaço Cultural Arlindo dos 8 Baixos, que fica no quintal da sua casa, no bairro de Dois Unidos. Pelo espaço, já passaram quase todos os forrozeiros da região, tocando para uma multidão de admiradores da música que encontrou sua síntese em Luiz Gonzaga.
Gonzaga, aliás, teve a companhia de Arlindo dos 8 Baixos no palco durante muitos anos. Foi o Rei do Baião que o estimulou a voltar ao seu instrumento original – a sanfona de 8 baixos – e a utilizá-lo como nome artístico. Admirado como instrumentista diferenciado, Arlindo abraçou os 8 baixos e com ele se destacou. No fim de 2012, o músico recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, um justo reconhecimento por sua contribuição à cultura e à música.
Apesar da história e das alegrias, Arlindo está doente. Já teve um AVC, está cego e sofre com a diabetes, que obrigou os médicos a amputarem suas pernas. O músico esteve internado mais de uma vez e voltou para casa recentemente da última estadia no hospital. Com o semblante triste, confessa: “Faz uns oito meses que não pego no instrumento. Fiquei internado, minha mão direita ficou com os dedos duros, cansados...”. Mas a força do menino criado em um engenho, que virou um jovem barbeiro e se transformou em músico respeitado não o deixou. Arlindo fala em voltar a treinar para recuperar a fluência na sanfona e até em fazer fisioterapia para resgatar alguns movimentos das mãos.
Hoje, bisavô de uma menina, casado há 42 anos com Dona Odete, Arlindo é definitivo: “A música é tudo para mim. Tudo o que tenho hoje foi através da minha música”. Em entrevista exclusiva ao LeiaJá, o mestre da sanfona de 8 baixos conta um pouco da sua história. Fala de seus mestres e alunos, do forró despretensioso em seu quintal que virou lugar obrigatório para músicos e apreciadores, das alegrias de sua caminhada e da sua música.
E qual foi a primeira sanfona que você tocou?
A do meu pai. Eu comecei a pegar a sanfona de 8 baixos com dez anos de idade. Meu pai tocava um pouquinho, umas besteirinhas. E eu aprendi a afinar com meu padrinho, eu levava a minha sanfona para ele afinar. Com poucos dias aprendi e fiquei consertando a minha e a dos outros.
Você teve uma infância musical? Havia bailes, instrumentos musicais?
Não. O que tinha na minha casa era uma estrovenga, uma foice e uma enxada. Meu pai plantava na roça e eu ia mais ele para o roçado. Ele nem queria que eu tocasse. Quando chegava do roçado e eu estava tocando, ele reclamava, dizia que não tinha futuro. Aí eu guardava o instrumento, mas quando ele saía, pegava a sanfona de novo. Um dia ele deixou de reclamar e até comprou um 8 baixos pra mim. Depois troquei numa sanfona grande (de 120 baixos) e com ela conheci um bocado de artistas, fiz shows por Pernambuco todo com a caravana da Rádio Clube, com a caravana da Rádio Jornal. Silveirinha, locutor da Rádio Clube e Jota Austregésilo, me chamavam. Passei quatro anos tocando com Coruja e os Tangarás.
Quando eu viajei com Gonzaga, foi com a sanfona grande. Eu disse a ele que queria gravar, e ele me aconselhou a trocar de instrumento, porque as gravadoras estavam cheias de sanfoneiros e não queriam mais. Queriam a de 8 baixos, que estava resumida demais. Então fui à Caruaru, comprei um 8 baixos e fiquei treinando. Um ano e pouco depois, Gonzaga perguntou como estava e pediu para eu tocar uma coisa para ele ver. Então, ele disse que ia me levar para a (gravadora) RCA, e eu estou gravando até hoje.
Com o que mais você trabalhou antes de se profissionalizar como músico?

Na minha infância eu trabalhava na agricultura. Eu nasci em um engenho, na Usina Trapiche, limpava cana, meu serviço era esse. Depois, fui morar em Santo Amaro de Sirinhaém fazendo o mesmo serviço mais meu pai, nos engenhos. Um dia chegou um barbeiro lá e disse para meu pai comprar as ferramentas para eu aprender a cortar cabelo e ele comprou. Terminei aprendendo a cortar cabelo, montei uma barbearia e fiquei cortando cabelo. Botei um salão em Ponte dos Carvalhos e depois vim ao Recife, para Beberibe, onde cortei cabelo ainda por mais de dois anos.
É verdade que tocar a sanfona de 8 baixos é mais difícil do que a de 120?

É mais difícil. Cada botão desses tem duas notas: uma abrindo o fole e outra fechando. A sanfona é uma coisa só, é mais fácil. Quem toca sanfona não toca oito baixos, e quem toca oito baixos não toca sanfona, tem que aprender nos dois.
No final do ano passado você finalmente reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco. Como recebeu a notícia?

Fiquei muito feliz quando soube da notícia. Muita gente pediu que eu me inscrevesse. Eu me inscrevi três anos e não fui sorteado. Esse ano, fui. Deu uma alegria boa. Ligaram para mim, saiu no jornal com minha foto. Fiquei muito satisfeito. Isso vai me ajudar, a gente tem direito a um salário.
Você é um mestre do instrumento. Quem são seus aprendizes? E quem são seus mestres?

Meus mestres... Um já foi embora, que era Luiz Gonzaga. O outro está bem doente, que é Dominguinhos. Eu adoro as músicas de Dominguinhos e acho muito bonito ele tocar. E eu tenho vários seguidores, porque tenho uma escola aqui onde ensino os oito baixos e a sanfona. Tenho essa escola há mais de quinze anos. Tenho aluno aqui que começou do zero, não sabia tocar nada e hoje já está tocando em palco, gravando, viajando para fazer show. Um deles é Raimundo Santos, e tem outros que já tocam bem. Recife tem muito sanfoneiro novo e bom, tocando muito, e uns tempos atrás a gente não encontrava. De uns dez anos para cá é que se voltou a dar valor à sanfona.
Como surgiu o Espaço Cultural Forró de Arlindo?

Comecei aqui, por que não tinha forró no Recife na época. Aí chamei os colegas para fazer forró no meu quintal, mostrar música um para o outro todo domingo de tarde. Chamei Gennaro, Camarão, um bocado de sanfoneiro. A gente foi começando e todo domingo dava mais gente que o anterior. Isso foi em 1980. Nessa época, quando a gente dizia que tocava sanfona, o povo mangava da gente. Tinha umas fruteiras no meu quintal que eu fui derrubando, fui murando o quintal. Chegou uma quantidade de gente que eu tive que cimentar tudo, cobrir, foi melhorando. Ficou de um jeito que, se eu quiser parar agora, não consigo mais. Só está parado agora por conta do carnaval e da minha doença. Mas, dia 3 de março vamos recomeçar a programação com Alcymar Monteiro.
Durante seus 50 anos de caminhada musical, quais foram as suas maiores alegrias?

Muitas. Quando viajava com Gonzaga, saía para lugares que não conhecia... Tocar um instrumento, seja ele qual for, é muito bom. Faz bem. Eu nunca mais peguei na sanfona por causa desse meu problema de saúde. Os dedos não atendem, tenho que treinar muito.
Depois de tanta vivência e de ser uma referência como músico, como você se sente?

Muito bem. Eu me sinto um herói, porque quando me lembro que trabalhava nos engenhos cortando cana, pastorando boi, e hoje estou como estou, me sinto muito bem. Não dá nem para acreditar.
Com a sua vasta experiência, qual recado você daria para quem está começando a tocar?

Peço a eles que não desistam. Enfrentem, porque eu comecei assim também. Teve hora que pensei: “será que não saio disso, não vou aprender?”. Mas, eu aprendi, não fiquei conhecido pelos músicos e artistas? Então digo que não desistam, sigam em frente. E os instrumentos ruins joguem fora e comprem instrumentos bons. Continuem a treinar, cantar e tocar.
Casa de Arlindo dos 8 Baixos virou Espaço Cultural Arlindo dos 8 Baixos

26 de jan. de 2013

Forró do Belém

 Everaldo Santana



No último Domingo (20/01/2013) estive no forró do Belém, um restaurante localizado no Bairro do Belém, zona leste da cidade de São Paulo. Todos os domingos tem forró pé-de-serra sob o comando do Téo dos 8 Baixos. O Téo conseguiu reunir a grande maioria dos sanfoneiros que tocavam com o Pedro sertanejo, inclusive os sanfoneiros de 8 baixos.
Gravei videos que estou editando para postar; vou voltar ao forró do Belém para gravar todos os Sanfoneiros de 8 Baixos que tocam lá e não tocaram neste dia.  


Abaixo, algumas fotografias do evento que foram gentilmente enviadas por Everaldo Santana.


Pé Duro e Everaldo Santana


Téo dos oito baixos e Everaldo Santana





Pé Duro dos 8 baixos

15 de dez. de 2012

Oficina de fole de oito baixos em Exu


14/12/2012 22h48 - Atualizado em 14/12/2012 22h51

Em Exu, oficina passa tradição da sanfona de oito baixos

Instrumento ficou famoso nas mãos de Januário, pai de Gonzagão.
Luizinho Calixto desenvolveu uma didática para facilitar o ensino.

Luna MarkmanDo G1 PE, em Exu
Luizinho Calixto criou didática para facilitar o ensino (Foto: Luna Markman/G1)Luizinho Calixto criou didática para facilitar a aprendizagem (Foto: Luna Markman/G1)
"Quem sabe tocar sanfona de oito baixos hoje está ficando velho, morrendo. É preciso renovar, buscar novos talentos, para a tradição não morrer". Essa é preocupação do sanfoneiro paraibano Luizinho Calixto, que há oito anos inicia crianças no instrumento, famoso nas mãos de Januário, pai de Luiz Gonzaga. O músico desenvolveu uma didática para facilitar o ensino, que carece de professores em todo o Nordeste. Nesta sexta-feira (14), alunos de uma oficina em Exu, no Sertão pernambucano, receberam o certificado de que aprederam os primeiros passos na "pé de bode".
A sanfona de oito baixos é dividida em baixo, fole e teclado com 21 teclas. Cada tecla faz um som diferente quando o fole abre e fecha, ou seja, são 42 sons ao todo. As teclas do baixo têm que ser tocadas na hora certa, em harmonia com as do teclado. "A sanfona de oito baixos veio da Europa com uma afinação diatônica. Quando chegou aqui no Nordeste, alguém transportou, não se sabe o porquê nem baseado em quê, a afinação para o dó-ré, que é única no mundo todo", explicou Luizinho Calixto.
Sanfoneiro mostra a tablatura (Foto: Luna Markman/G1)Sanfoneiro mostra a tablatura (Foto: Luna Markman/G1)
Esta falta de informação sobre a sanfona de oito baixos foi um desafio que o músico teve que vencer para poder elaborar a oficina de iniciação. "Diziam que só tocava quem tinha dom ou um parente na família para ensinar. Mas criei um sistema onde cada tecla é um número. Se a tecla está pintada de vermelho, é para fechar. De azul, para abrir. Assim, os meninos olham e pronto, já saem praticando sozinhos", disse. O método foi batizado de tablatura.
Foi assim que, em poucos dias, a estudante Ana Flávia Gomes, 15 anos, garante que aprendeu várias músicas na oficina. Ela já tocava violão. Adora música sertaneja. Gustavo Lima é o ídolo dela. "Mas eu gosto de forró também, e queria aprender sanfona de oito baixos. Achei fácil. O complicado só é saber a hora de apertar os botões do baixo. Hoje em dia, as meninas não se interessam por sanfona. Só querem ir para as festas namorar, dançar", falou.
Assim como Ana Flávia, a professora de biologia Ana Vartan, de 24 anos, é apaixonada pela cultura popular e, desde pequena, é fã da música de Luiz Gonzaga. Ela diz que sempre quis aprender a tocar sanfona de oito baixos, mas não tinha quem ensinasse. "Aqui, em Exu, não tem professor para essa sanfona, só para 80 ou 120 baixos, parece que falta esse interesse mesmo, do governo, do povo que tem moleza de participar de eventos assim. Ano passado perdi a oficina, mas dessa vez não marquei bobeira. E é bom que tenham crianças, que é a melhor fase de aprender", disse a jovem, que afirma não tirar o chapéu de couro da cabeça. "Uso a indumentária até na formatura", completou.
Marcos e Antônio adoram tocar sanfona e escutar Luiz Gonzaga (Foto: Luna Markman/G1)Marcos e Antônio adoram tocar sanfona e escutar Luiz
Gonzaga (Foto: Luna Markman/G1)
Criança não faltava nas aulas de Calixto. Os amigos Marcos Filho, 8 anos, e Antônio Santos, 11 anos, eram dos mais animados. Eles já participam do projeto Asa Branca, onde aprenderam a tocar sanfona de 80 baixos, em dois dias da semana. "Eu iria mais dias, gosto de forró, sei tocar "Asa Branca", "Sabiá". Meus amigos ouvem rock, Mamonas Assassinas, Michael Jackson. Eles riem que eu escuto Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Waldonys, mas eles que têm que rir dessas músicas deles", comentou Marcos.
Pedro Sampaio recebe o certificado da oficina (Foto: Luna Markman/G1)Pedro Sampaio recebe o certificado da oficina
(Foto: Luna Markman/G1)
O agricultor Pedro Sampaio, 56 anos, era o único adulto da turma, mas via com bons olhos o grupo ser formado por gente mais nova. "Eu aprendi sanfona de 80 baixos sozinho em casa, vendo meu pai tocando, que aprendeu com Januário, pai de Gonzaga, e me apaixonei. Só agora deu para aprender a de oito baixos, porque naquela época era muito difícil ter uma dessa. E acho lindo menino assim apaixonado também, pela sanfoninha e o som dela", disse.

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12 de dez. de 2012

Oficina quer despertar nos jovens interesse pela sanfona de oito baixos


Oficina quer despertar nos jovens interesse pela sanfona de oito baixos

Allan Walbert - Portal EBC12.12.2012 - 21h03 | Atualizado em 12.12.2012 - 21h10
Exu, cidade natal de Luiz Gonzaga (Allan Walbert)
Dos vários eventos que tomam a cidade pernambucana de Exu para a celebração do centenário de Luiz Gonzaga, as oficinas de formação cultural estão entre os mais procurados pelos jovens. No Colégio Bárbara de Alencar, as tradicionais salas de aula transformam-se em espaços de aprendizagem sobre Gonzagão, Lampião e cultura nordestina. A oficina de oito baixos é uma das atrações.
Até o dia 14 deste mês, uma turma formada por cerca de dez jovens passa as tardes aprendendo a tocar o instrumento que ficou popular nas mãos do rei do baião. O sanfoneiro Luizinho Calixto, professor da oficina e amigo do Velho Lua, diz que ação tem um aspecto histórico e social importante. Ao mesmo tempo em que se fortalece nas crianças e adolescentes o gosto pela cultural local, cria-se um trabalho importante para que a sanfona de oito baixos, tocada principalmente por pessoas de mais idade, não entre em extinção.
No vídeo abaixo, o professor comenta a importância da oficina de oito baixos em Exu. Ao final da explicação, assista a uma palhinha da estudante Ana Flávia, de apenas 15 anos e que em cinco dias já consegue tirar uns acordes da canção “Asa Branca” na sanfona.
Tida no meio musical como um dos mais difíceis instrumentos para tocar, pela facilidade de se tirar tons variados e consequente complexidade em se fazer uma melodia mais harmônica, a sanfona de oito baixos tem características próprias que a diferem até mesmo de outros instrumentos de foles. Confira a explicação.
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