20 de mai. de 2012

Correia dos oito baixos em novo CD





















Está saindo do forno o novo disco de Correia dos oito baixos, "Pra quem gosta de forró". 
Produzido por Antonio Carlos Correia, o disco é predominantemente vocal, trazendo interessantes sequências de acordes na sanfona de oito baixos, instrumento que tem sido pouco utilizado no acompanhamento do forró. 
A instrumentação do disco traz uma combinação entre a formação de trio nordestino (sanfona, triângulo e zabumba) com a formação de banda, através da incorporação de baixo elétrico e bateria.
Abaixo, segue o release com mais detalhes sobre o disco


CD "Pra Quem Gosta de Forró, Correia do Oito Baixos"

Trata-se de um trabalho inédito e autoral em sua totalidade, composto por 15 faixas voltadas diretamente às manifestações e ritmos específicos do forró autêntico. 
Arrasta-pés, xaxados, xotes, baiões e forrós dão a cadência do disco. 
Letras que falam de amor, de saudade, de alegria intensa, características maiores de um forró à pé-de-bode. Constam no CD duas homenagens que devem ser referenciadas: "Trinta Anos sem Lindú" é dedicada ao "Gogó de Ouro", apelido dado a Lindolfo Mendes Barbosa, cantor e sanfoneiro da primeira formação do Trio Nordestino, que nos deixou em 1982. Na música, também são citados os nomes de Cobrinha, Coroné, Luiz Mário, Beto e Coroneto, os três últimos membros da atual formação do Trio; a segunda homenagem é um forró instrumental composto por Correia em alusão a Coelho dos Oito Baixos, sanfoneiro sergipano que partiu no início do ano corrente. Ele atuava na Quadrilha Maracangaia, quadrilha sergipana de grande destaque nacional. Mais um forró instrumental, situado na faixa 14, dá nome ao álbum. Na capa, o destaque vai para a Igreja Matriz Nossa Senhora da Purificação, da cidade de Capela/SE, terra natal de Correia do Oito Baixos. Na contracapa podemos observar os componentes que acompanham Correia pelas estradas que levam aos forrós da vida. Da esquerda para a direita: Ray, zabumba; Cicinho, triângulo e voz; Correia, sanfona de oito baixos e vocal; Mamá, bateria e vocal; Antonio Carlos, filho de correia, contrabaixo, voz e vocal. Esperamos que gostem do nosso novo trabalho, feito exclusivamente "Pra Quem Gosta de Forró"!


A seguir, uma das faixas do disco, um forró instrumental em que Correia demonstra sua habilidade técnica e inspiração criativa.

Para obter uma cópia deste CD, basta entrar em contato com Antonio Carlos. correiabass@yahoo.com.br  
(79) 9996-7625
Também vale a pena acessar o blog: http://correiadooitobaixos.blogspot.com.br

19 de mai. de 2012

João Baptista Capelotto


Excelente artigo de Miguel Poberto Nítolo sobre a vida de João Baptista Capelotto, sanfoneiro de oito baixos ítalo-paulista pouco conhecido fora de sua circunferência regional de atuação.
Por Miguel Roberto Nítolo nitolo@uol.com.br

Edição 371 de 11/05/2012

Família Capelotto


A vida em oito baixos
O italiano João Baptista revelou-se um brilhante sanfonista, alegrando festas e tocando no rádio
Lavrador, funcionário público e benzedor contra quebrante eram algumas das atividades que marcaram sua vida e fizeram dele uma pessoa conhecida e popular. Mas foi como sanfoneiro que ele caiu nas graças dos são-manuelenses tal a frequência como se apresentava no rádio e nos festejos de aniversário e dias santos. João Baptista Capelotto não era nenhum Mário Zan, mas dedilhava sua sanfona de 8 baixos com desembaraço, qualidade que o elevaria à condição de instrumentista de encher as medidas. Para quem não sabe, o festejado Zan, que na verdade se chamava Mário João Zandomeneghi, foi um dos maiores acordeonistas em atividade no Brasil até sua morte, em novembro de 2006, aos 86 anos. Compositor, é dele o hino gravado em 1954 em homenagem ao quarto centenário da cidade de São Paulo. Por causa dessas credenciais e habilidades musicais, Mário Zan reunia uma infinidade de fãs, que procuravam tocar como ele ou, pelo menos, tirar de suas sanfonas o som que ele imortalizou.
João Baptista Capelotto era um desses seguidores, e apesar de não ter conhecido pessoalmente o grande mestre, se identificava com ele em alguns pontos: os dois eram italianos, tinham basicamente as mesmas preferências musicais e eram saudados como artistas de fato: Zan ganhou o título de "Rei da sanfona", dado por Luiz Gonzaga, que foi seu parceiro em algumas composições, e Capelotto ficou conhecido como "sanfoneiro de São Manuel".
De resto, foram diferentes em quase tudo. Capelotto, 25 anos mais velho (nasceu em 1895), emigrou para o Brasil com o propósito de trabalhar na lavoura de café e nunca abandonou o interior. Já Mário Zan, natural de Veneza, desembarcou em Santos, em 1924, aos 4 anos de idade, morou até os 12 em Catanduva, no noroeste do Estado e a 396 km da capital, e, aos 13 anos, fez sua estreia profissional em São Paulo. Gravou duzentas músicas e lançou trezentos discos de 78 rotações. 110 LPs e 50 CDs. E compôs mais de cem melodias.
Se tivessem dado a ele a oportunidade de também morar na cidade grande, é possível mesmo que Capelotto, quem sabe, houvesse se projetado como sanfoneiro. Mas como o destino reservou para ele um outro enredo, sua história no Brasil foi toda escrita em São Manuel, desde sua chegada ao país, na primeira década do século passado, até seu falecimento, aos 81 anos.
A Fazenda São José do Lageado figura entre as primeiras empregadoras locais do "sanfoneiro de São Manuel". Propriedade agrícola que pertencia às famílias Gomes e Mellão, e cujas terras eram quase que integralmente dedicadas ao cultivo de café, ficava a apenas 6 km da zona urbana. Quando Capelotto chegou para trabalhar naquela empresa agrícola, ela ocupava 55 alqueires e era dona de quase 100 mil cafeeiros.
É impossível determinar quanto tempo aquele imigrante esteve à disposição da São José do Lageado porque, simplesmente, não há apontamentos sobre essa passagem de sua vida. Assim como ninguém é capaz de afirmar se ele estava acompanhado de parentes ou de amigos quando se apresentou aos patrões. Sabe-se apenas que ocupou uma das quinze casas de sua colônia, residências que, a despeito da época, tinham água encanada. Os descendentes de Capelotto não se sentem seguros a opinar sobre as circunstâncias que envolveram seu desembarque em Santos, se ele veio sozinho para o Brasil ou desceu do navio na companhia dos pais. 
Seis mulheres – Se, de fato, viajou só, sua vida de solteiro acabou no dia em que conheceu Benedita Cândida do Espírito Santo, colona como ele, mas brasileira de nascimento. Trabalhadores rurais no período áureo do café, não precisaram muito para "juntar os trapos", como os antigos diziam. Lugar para se abrigar, ainda hoje um peso no orçamento do recém-casado, não era necessariamente um problema para aquela gente, considerando que, um século atrás, os fazendeiros disponibilizavam aos empregados casa em suas colônias.
Não foi diferente na Fazenda São José do Lageado, onde João Baptista e Benedita Cândida foram morar tão logo pronunciaram o aguardado "sim" no altar e, no cartório civil, colocaram suas assinaturas no livro que os tornariam doravante marido e mulher. Quando foi isso? Ninguém sabe. Os familiares residentes em São Manuel não dispõem de documentos, nada que possa servir de pista. Todavia, fazem alguns cálculos e chegam a uma conclusão mais ou menos óbvia partindo da data de nascimento de João Baptista. E afirmam, sem medo de errar, que "vô João e vó Benedita se uniram pelo matrimônio na segunda década do século passado, portanto, entre 1910 e 1920".
Trapos juntados e responsabilidade dobrada, o casal Capelotto se viu confrontado com uma rotina que é exclusiva das pessoas que fazem juras de amor e trocam alianças. Tudo mudou, menos as obrigações, que continuaram as mesmas de quando eram solteiros: pular da cama bem cedo, antes do sol nascer, preparar a boia e tomar o caminho da lavoura com a enxada no ombro e o picuá nas mãos.
João Baptista se deu bem na roça – é possível que seus pais tenham sido lavradores na Itália e ele, quando criança, mantido contato com algum tipo de cultivo, possivelmente videiras. É claro a cultura de café diferenciou-se de tudo o que havia visto até então, mas não criou embaraços para a sua adaptação na zona rural – assim como não complicou a vida a tantos outros imigrantes italianos.
Era comum que as fazendas reservassem aos colonos pequenos espaços onde eles formavam horta e pomar para consumo próprio. Nos primeiros anos de casados, e ainda empregados na São José do Lageado, João Baptista e Benedita Cândida cultivaram um pouco de tudo nessa porção de terra: arroz, feijão e milho, além de hortaliças e legumes, produtos que acabavam, invariavelmente, na mesa da família e o excedente permutado com outros colonos, comercializado na cidade ou negociado com os patrões.
Tempos mais tarde, o casal Capelotto trocou a fazenda pela "Chácara do Mellão", propriedade próxima da sede da comarca, portanto, a um passo do comércio e das escolas. Esse era um desejo alimentado pelo chefe da casa, que ele compartilhava com a esposa e os filhos maiores. Estavam todos ansiosos diante da porta que se abria e da expectativa de poder dar um outro rumo às suas vidas, virada que somente a cidade ia ser capaz de oferecer.
Nessa altura, os Capelotto formavam uma família de nove membros. João Baptista e Benedita Cândida haviam trazido ao mundo sete herdeiros, seis do sexo feminino e um do masculino: Maria, Inês, Isabel, Terezinha, Helena, Cinira e José. Com exceção de Helena, moradora da Cohab 1 e hoje aos 78 anos, todos já morreram. 
Caladão – Um dia, cansado da vida no campo, isto entre os anos 40 e 50, João Baptista decidiu que o momento de se transferir com a família para a zona urbana havia chegado. Ele ingressou no quadro de funcionários do Colégio Agrícola Dona Sebastiana de Barros, hoje Escola Técnica Estadual (ETEC) Dona Sebastiana de Barros, do Centro Paula Souza, e ali fez carreira, agora como funcionário público. "Ele começou plantando uva", relata o neto Walter Parenti, o "Parentinho", como é mais conhecido.
Foi então que passou a dar asas às suas habilidades musicais, especialmente depois de aposentado. "Se já tocava sanfona antes, depois, quando o tempo livre era maior, não deixava passar a oportunidade de difundir o seu trabalho", relata o neto Rubens de Camargo. E como ele fazia isso? Apresentando-se nos programas dominicais de auditório e de músicas sertanejas da Rádio Clube de São Manuel, então PRI-6. João Baptista também era presença obrigatória em festas juninas e de aniversários, enfim, lá ia ele fazer gemer o fole de seu instrumento sempre que convidado.
Rubens recorda-se que o repertório do avô era amplo, mas que ele nutria especial predileção pela música "Viva a mãe de Deus e nossa", (Viva a mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!). E nunca deixava de tocar em suas apresentações a melodia "Abra a porta e a janela", imortalizada pela dupla são-manuelense Tonico e Tinoco (Abra a porta e a janela, venha ver quem é que eu sô. Sô aquele desprezado, que você me desprezô). "Mas também executava à exaustão ´O bode`, de sua autoria", comenta "Parentinho".
Segundo os netos, o avô era uma pessoa calada, que falava o estritamente necessário. Todavia, se transmudava quando agitava o fole. Ficava alegre, cantarolava, batia o pé para dar ritmo e não deixava ninguém na mão. Atendia aos pedidos mesmo que a música solicitada não fosse de seu agrado ou lhe era desconhecida. "Ele saía de casa em direção à emissora de rádio, metido dentro de uma camisa de manga comprida e um vistoso chapéu branco na cabeça", diz Rubens.
João Baptista teve de abandonar a sanfona, a contragosto, por questões de saúde. "Foi paulatinamente perdendo a visão e, contrariado, nunca mais se apresentou em público" fala "Parentinho". Ele morreu em agosto de 1975, alguns anos depois de amargar o falecimento de Benedita Cândida, desgosto que, sabe-se agora, pode ter contribuído para acelerar os problemas visuais de que sofria.
Informações sobre o paradeiro dos sete filhos do casal Capelotto, fornecidas pelos descendentes que continuam residindo no município, dão conta de que cinco deles permaneceram em São Manuel, ao contrário de Inês e Isabel que, depois de casadas, seguiram para a capital. Maria, a mais velha e que ficou viúva muito cedo, preferiu viver na roça e terminou seus dias na Fazenda Natal, em Igaracu do Tietê; Terezinha, que se uniu pelo matrimônio a Pedro Rodrigues, empregado na "máquina dos Barros" (beneficiamento de café), foi mãe de Neusa, Luiz Carlos, Pedro e Rosa Maria; Helena, casada com Vicente de Camargo, ex-comerciário, empregado de firma de engenharia em São Paulo e reparador de fogões a gás em São Manuel, é mãe de Roberto (falecido), Rubens, Reinaldo, Roseli, Rosângela, Rosemare e Rogério; Cinira foi casada com Walter Parente, ex-funcionário do Colégio Agrícola, e mãe de Walter Antonio, Maria Helena, José Aparecido e Sílvio César; e José, também ex-funcionário do Colégio Agrícola, foi casado com Elza Erpe e pai de Benedito, Maria Cecília, Fátima, João e Antonio Donizete.


17 de mai. de 2012

O Calango no Vale do Paraíba

Amanhã, 18 de maio, às 14hs na UNI-RIO, Daniel Fernandes estará defendendo sua dissertação de mestrado sobre o Calango no Norte Fluminense. Abaixo, detalhes sobre o evento.

 "O Calango no Vale do Paraíba - estudos etnográficos em Duas Barras e Vassouras (RJ)", sob orientação de Elizabeth Travassos e Daniel Bitter. 

Após a defesa haverá uma apresentação com Silvino e Marli, calangueiros de Duas Barras. Com direito a uma pinga de lá.

Data: 18/05 - 14 hs
Local: UNIRIO - Av. Pasteur, 296 - Urca - prédio da música (IVL) - Sala Alberto Nepomuceno

Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis


Agradeço a Marcus Wolff pelo encaminhamento deste cartaz em melhor resolução! Todos estão convidados ao Encontro de Sanfoneiros deste ano, com direito ao show de encerramento com Toninho Ferragutti.

13 de mai. de 2012

João do Vale - o poeta do povo

Aos amigos do Rio de Janeiro ou em passagem pela cidade maravilhosa: está em cartaz no auditório da ABL (Academia Brasileira de Letras) o espetáculo "João do Vale, o poeta do povo". Reunindo atores-cantores e músicos, a peça narra momentos marcantes da história do emblemático compositor maranhense João do Vale (1934-1996).
Segue abaixo a ficha técnica do espetáculo.

JOÃO DO VALE - O POETA DO POVO

texto e direção: Maria Helena Kühner (a partir do livro de márcio Paschoal)
Direção musical: Marco Aurêh
Elenco: Milton Filho, Marcê Porena e Aldo Perrota
Músicos: Marco Aurêh, Leo Rugero, Rodnei Mariano e Dino Fernandes
Iluminação: Djalma Amaral
Videografismo: Jonas Kühner e Luis Mello
Adereços: Leonardo Batista
Produção: Ana Bertinnes e Rômulo RodriguesAssis
Assistente: Yago Boulhosa

O espetáculo, que estreou no dia 11 de maio, prossegue em curta temporada às segundas e sextas-feiras às 15:30hs na Academia Brasileira de Letras.


12 de mai. de 2012

Sextilha para Quinka dos Oito baixos por Antônio Sales.

O Quinca dos oito baixos
Tocava um forró bem quente
Estou triste com sua morte
Mas sinto que ele está presente
Subiu como um raio de luz
E a orquestra de Jesus
Ganhou mais um componente.


Antonio Sales.São Paulo. 

Wilson Monteiro .:. O Professor Poeta: Tudo pronto para o 4º Festival da Sanfona

Wilson Monteiro .:. O Professor Poeta: Tudo pronto para o 4º Festival da Sanfona: O fole vai roncar pra todo lado neste final de semana durante o 4º Festival da Sanfona que começa sábado e segue até a segunda-fei...

6 de mai. de 2012

AMVA- Associação de Moradores da Vila Augusto: BIO MARCELINO

AMVA- Associação de Moradores da Vila Augusto: BIO MARCELINO: Centenas de pessoas compareceram para da o último adeus ao Dedo de Ouro. Fãs, seguidores, artistas, familiares e muitos amigos...

5 de mai. de 2012

Millor Itabira - O Homem Banda



Como se já não bastasse uma sanfona de oito baixos e uma gaita de boca sendo tocadas conjuntamente, se acresce a isso, uma caixa, um bumbo e um pequeno prato pendurados sobre as costas, que podem ser acionados através de um interessante mecanismo em seus pés. Enquanto isso, ele ainda canta...Estamos falando de Millor Itabira, o "homem banda".
Eu estava passando pela Feira do chorinho, como é conhecida a feira da Rua General Glicério, em Laranjeiras, quando fui atraído por um som de sanfona ao longe. Enquanto cantava e executava sua banda ambulante, Millor  transitava entre os passantes, despertando  curiosidade e simpatia . Ao receber uma moeda de um real, sinaliza um simpático toque de campainha em agradecimento...
 Millor (pronuncia-se Milór) veio de Minas e atualmente mora em Guadalupe. Reencarna a figura mítica do homem-banda e seu pregão é "Alegria é o som nosso de cada dia". Na sanfona, ele busca traduzir músicas populares que aparentemente estão a léguas distantes da sanfona de oito baixos, tal como um reggae do Paralamas do Sucesso. Mas basta ouvir, para gostar do resultado estético da parafernália empreendida por Millor Itabira.

1 de mai. de 2012

7º Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis


O SESC Rio de Janeiro apresenta

7º Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis
Viva Gonzagão, o Rei do Baião

Centenário de Nascimento

Dias 18 e 19 de maio, no SESC de Teresópolis



Dia 18 (sexta)

- 18h no teatro: Palestra "A História do Acordeon no Brasil" com o pesquisador Leonardo Rugero e homenagem a cantora Carmélia Alves, Rainha do Baião.

Logo depois o show "Sanfonas da Serra" com Léo Rugero (Petrópolis), Cândido Neto e Alex Wey (Teresópolis), e Charles do Acordeon (Nova Friburgo).

- 21h no SESC Café: Grande Forró Tradição com os sanfoneiros Seu Zé Lopes, Seu Édson do Acordeon, Seu Timbira e Batista do Forró.




Dia 19 (sábado)

- 17h no teatro: Apresentação de quinze sanfoneiros de Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo, São José do Vale do Rio Preto, São Fidélis e Rio de Janeiro, e o encontro de três gerações do acordeon.

Logo depois grande Show de encerramento com um dos maiores acordeonistas do Brasil Toninho Ferragutti de São Paulo.

Entrada Franca


Acordeonistas com presenças confirmadas

De Teresópolis:

Alex Wey
Seu Timbira
Édson do Acordeon
Cândido Neto
Zé Lopes
Sônia Pries
Daniel Vieira

Outros Municípios:

Léo Rugero (Petrópolis)
Charles do Acordeon (Nova Friburgo)
Batista do Forró (São José do Vale do Rio Preto)
Geraldo Pereira (São José do Vale do Rio Preto)
Norma Nogueira (Rio de Janeiro)
André Gandra (São Fidélis)
Toninho Ferragutti (São Paulo)


Produção Cândido Neto

Festejos para o dia do acordeon

Olá amigos,

segue abaixo a programação do evento promovido pelo Conservatório Pernambucano de Música e pela Secretaria de Educação de Pernambuco em torno do "Dia do acordeon". A programação reúne alguns eminentes representantes do acordeom no Brasil, em palestras, oficinas e apresentações. Excelente dica para quem estiver em Recife nos próximos dias. Segue abaixo a programação da mostra, que homenageia o querido e saudoso Luiz Gonzaga, que reescreveu a história do acordeom no Brasil. Destacamos a presença de Luizinho Calixto e Lêda Dias, apresentando o fole de oito baixos em oficina sobre o instrumento.



22 de abr. de 2012

Luizinho Calixto - Escalas para sanfona de 8 baixos e músicas para aprender

Dando continuidade ao "Curso Introdutório de sanfona de oito baixos", Luizinho Calixto reuniu algumas escalas importantes e melodias em um novo trabalho voltado para o ensino do fole nordestino. É um trabalho indispensável a todos aqueles que desejam aprender o fole de oito baixos em afinação transportada e no estilo nordestino.
Neste volume, Luizinho reuniu algumas escalas e melodias em diferentes tonalidades. Assim, existe a digitação das escalas de   dó maior, ré maior, mi maior, fá maior, sol maior, lá maior e si maior. Todas as escalas são abordas em duas oitavas, sendo dividas em "grave" e "médio" ou "grave" e "agudo", de acordo com a região de cada tonalidade. Devemos lembrar que Luizinho utiliza a combinação de tonalidades de fá e dó como referência. Porém, qualquer outra combinação de tonalidades no sistema transportado pode ser utilizada, pois Luizinho se utiliza de um sistema de tablatura, no qual os botões são numerados. Deste modo, basta seguir os números.
Entre as músicas escolhidas por Luizinho para integrar o volume, além de músicas que compõe o repertório tradicional do fole de oito baixos, estão algumas melodias conhecidas que figuram em parte considerável de manuais técnicos como "Parabéns para você" e "Asa Branca". 
Destaques para as melodias de solos muito apreciados, tal como "Festa do Chitão" de Zé Calixto e De Matos, "Forró na Guanabara" de José Dandi e Adolfinho; "Pau de Arara" de Luiz Gonzaga e Guio de Morais; "Pau queimado" de Pedro Sertanejo; "Quadrilha brasileira" de Gerson Filho; "Roseira do Norte" de Pedro Sertanejo; "Xaxadinho das Alagoas" de Severino Januário", "Chorão" de Luiz Gonzaga e "Assum preto" de L.Gonzaga e Humberto Teixeira. Com um repertório desses debaixo do dedo, o sanfoneiro pode encarar um baile sem medo...
Enfim,  neste novo volume intitulado "escalas para sanfona de 8 baixos e músicas para aprender", Luizinho Calixto oferece ao estudante do fole de oito baixos alguns ensinamentos que se complementam em relação ao primeiro volume, destinado unicamente aos acordes. Ou seja, estudando firme este método, o discípulo pode aprender as principais escalas maiores e algumas melodias indispensáveis no repertório dos forrós.
Para aqueles que pretendem comprar uma cópia do livro, basta entrar em contato com Luizinho através do e-mail: luizinhocalixto@hotmail.com

Folia de Reis da Mangueira

Ontem, pude participar do ensaio da folia-de-reis "Sagrada família da Mangueira" tendo a frente o mestre Hevalcy Ferreira da Silva.
Esta folia se originou no município de Laranjal, próximo à divisa entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Acompanhando o fluxo migratório das zonas rurais aos centros urbanos, a folia acabou sendo deslocada para o morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. Qual não foi minha surpresa em conhecer uma folia de reis em plena atividade, reunindo diferentes faixas etárias entre seus componentes, em plena região metropolitana do Rio de Janeiro.
A sanfona de oito baixos sempre foi um instrumento fundamental nesta folia de reis, ao lado da viola, violão e, eventualmente, cavaquinho. Infelizmente, com o falecimento de Seu Tata, o posto da sanfona de oito baixos ficou em aberto, devido a escassez de praticantes deste instrumento no Rio de Janeiro, sobretudo instrumentistas identificados com o estilo mineiro do calango e da folia. Deste modo, o instrumento tem sido gradualmente substituido pelo acordeom de 120 baixos, não apenas na folia de reis da Mangueira, bem como em tantas outras.
A folia possui duas sanfonas construídas por Seu Tão, tradicional sanfoneiro e construtor de Laranjal. São instrumentos peculiares, realmente confeccionados artesanalmente. Jamais havia visto acordeões confeccionados por um construtor particular. São instrumentos coloridos, de intensa luminosidade de cores. As duas fileiras de botões são dispostas em andares diferentes, conforme ainda são construídos instrumentos italianos, como Serenelli e Castagnari.
Além da sanfona e das cordas dedilhadas e palhetadas, os instrumentos de percussão brilham nesta folia. Afinal, estamos na Mangueira, terra de Cartola e Dona Zica, um dos principais núcleos da cultura afro-brasileira na zona metropolitana do Rio de Janeiro. A percussão é extraída de instrumentos da escola de samba: repique, surdo, caixa. Curiosamente, não são utilizadas as tradicionais caixas-de-folia. Por vezes, durante o ensaio, sentia em meu corpo a vibração dos tambores ou das vozes. Lembrei de uma professora alemã que dizia que às vezes é necessário um curativo "banho de som". Banhei-me ao som da folia de reis da Mangueira, saindo de lá com o espírito renovado.

18 de abr. de 2012

Mestre Hevalcy - Folia de Reis da Mangueira

 Meu amigo, o fotógrafo A.C Júnior, enviou via facebook esta foto do mestre Hevalcy, responsável pela tradicional Folia de Reis do Morro da Mangueira. Na foto, o mestre aparece com uma sanfona construída pelo Seu Tão, sanfoneiro e artesão residente em Laranjal. Em breve, esta Folia estará realizando uma festividade, reunindo diferentes reisados. Será lindo, com certeza. Se Deus quiser, estarei lá também...Abaixo, o convite para o evento.


10 de abr. de 2012

Camara Cascudo observa os tocadores de fole texto de Leonardo Rugero Peres (Leo Rugero)

Neste momento, estou relendo o livro "Vaqueiros e Cantadores" de Câmara Cascudo. No capítulo destinado ao desafio, o autor enumera os instrumentos da cantoria nordestina. A certa altura, fala sobre a presença da sanfona entre cegos cantadores, afirmando que "apareceram cegos cantadores com harmônica (acordeão, sanfona, realejo, fole, com dez a dezesseis chaves). Mas a harmônica está fora de ser levada para um desafio" (2000, p.184). De fato, o desafio nordestino está intrinsecamente associado à viola. A partir de meados da década de 1950, a viola dinâmica lançada pela Del Vechio se tornou o instrumento principal da cantoria. A rabeca também aparece, embora cada vez mais rara enquanto instrumento de cantoria, estando mais presente em tradições como o Cavalo Marinho ou até mesmo como instrumento solista de forrós. O pandeiro se tornaria o principal instrumento do coco de desafio, mais associado `à zona da mata. Por fim, a sanfona se tornou o principal instrumento animador dos bailes, com um repertório eminentemente instrumental e, posteriormente, vocal, mas dificilmente relacionada ao ambiente dos desafios entre cantadores. Entre os sanfoneiros, o desafio não é poético nem verbal, é eminentemente sonoro. As pelejas entre tocadores de sanfona não são tão explícitas. Aparecem veladas, debaixo de estritos termos de cordialidade entre seus pares.
Interessante observar que Cascudo se refere às harmônicas de "dez a dezesseis chaves". Devemos lembrar que em modelos de acordeões novecentistas - sobretudo o chamado "acordeom romântico", os botões se assemelhavam à chaves, muitas vezes dispostos em uma única carreira, entre chaves maiores (notas brancas) e chaves menores (notas pretas). Tais modelos extinguiram-se, sendo substituídos pelas sanfonas de quatro a oito baixos com uma ou duas carreiras de botões para a mão direira (modelo vienense), que se tornaria o modelo emblemático utilizado por Januário e perpetuado histoticamente na tradição do fole de oito baixos nordestino.

Referência:

CASCUDO, Câmara. Vaqueiros e Cantadores - Folclore poético do sertão do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.Rio de Janeiro, Ediouro, 2000.