21 de jun. de 2014

Em defesa da memória de Arlindo dos Oito Baixos


Em defesa da memória de Arlindo dos Oito BaixosFamiliares, amigos e músicos tentam manter viva a tradição dos oito baixos em Pernambuco

AD Luna - Diarios Associados
Publicação: 20/06/2014 16:00 Atualização: 20/06/2014 18:59
Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
Em outubro do ano passado, a voz e a sanfona de Arlindo dos Oito Baixos silenciaram. Nascido em 1942, na cidade de Sirinhaém, Mata Sul de Pernambuco, o músico era um dos grandes mestres desse instrumento de difícil execução. Oito meses depois da partida dele, familiares, amigos e músicos tentam manter viva a tradição dos oito baixos em Pernambuco.
Um dos grandes sonhos de Arlindo era fazer o maior número de discípulos musicais possível. Ele costumava dar aulas particulares em sua casa, no Bairro de Dois Unidos, e queria ver crianças e jovens da sua comunidade tocando.

Arlindo transformou o quintal de sua casa em espaço para apresentações. No Forró de Arlindo, que funciona no quintal de sua casa, ele costumava tocar para e com os amigos e fazer o povo se divertir ao som da sua arte. Além das festas, que neste mês ocorrem semanalmente, a família do cantor e sanfoneiro deseja abrigar uma escola e um memorial no espaço.

Na parte educacional, a ideia é oferecer cursos de zabumba, triângulo, canto, dança e, claro, de sanfona. Quanto ao museu, Raminho da Zabumba, filho do sanfoneiro, conta que a família está reunindo e catalogando materiais relacionados à memória de Arlindo dos Oito Baixos. "Tem muita gente que liga pedindo pra conhecer o local, até em dias de semana”, expõe.

Segundo Raminho, seu pai tentou fazer parceria com governos municipal e estadual para ampliar o trabalho, mas não obteve sucesso. Outra dificuldade para levar o ensino do instrumento amado por Arlindo é dificuldade em tocar o instrumento. “Muitos desistiam de tocar a sanfona de oito baixos e mudavam para a de 120, que é mais fácil”, expõe.

Em família
O sanfoneiro, cantor e compositor Aécio dos Oito Baixos, 56 anos, tem marcado presença no Forró de Arlindo, durante os domingos à tarde. Ele é irmão do mestre criador da festa e tenta levar à frente a tradição dos oito foles. “Quando peguei na sanfona, pela primeira vez, tinha 12 anos. Mas meu pai não deixou”, relembra.

O irmão Arlindo bem que tentou incentivá-lo nessa época, doando-lhe uma sanfona de oito foles. “Eu achava bonito ele tocar. Meu pai não queria, dizia pra eu estudar e acabou vendendo o instrumento”, lamenta Aécio, que mora em Ponte dos Carvalhos, distrito de Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife.
Aécio se aquietou por uns tempos. Depois que seu progenitor partiu, se voltou novamente para a sanfona. “Faz uns 15 anos. Já tava casado. Isso atrapalhava um pouco porque você tem outra vida e não pode se dedicar totalmente”, conta.

No entanto, com persistência e ajuda do irmão, ele foi evoluindo e hoje se diverte e diverte os outros tocando com uma banda que montou para lhe acompanhar. Possui três CDs, sendo que o último, Eu e tu, foi feito em parceria com Arlindo dos Oito Baixos.

O dinheiro dos shows, porém, é pouco. A maior parte do seus sustento vem do trabalho como protético.  Aécio é casado há 31 anos, tem dois filhos e um neto.

entrevista//Lêda Dias
A pesquisadora e cantora foi uma das privilegiadas alunas de Arlindo dos Oito Baixos. Ela define como “riquíssima” a experiência de aprendizado que teve com o artista. “Não foi uma experiência de aprendizado comum. Envolveu uma vivência como os antigos faziam, de aprendiz e mestre de ofício, de tradição oral, como ainda ocorre o aprendizado do fole de 8 baixos em geral”.
Foto: Breno Laprovitera/Divulgação
Foto: Breno Laprovitera/Divulgação


De que forma a herança artística de Arlindo tem sido perpetuada?Através de suas gravações e dos seus intérpretes. Mas precisamos reforçar essa memória musical, porque parece que o instrumento está novamente entrando numa fase de esquecimento. Há algum tempo temíamos que o fole de 8 baixos fosse completamente esquecido. O próprio Arlindo fez esse apelo, para que não deixássemos o fole morrer. Depois, houve um interesse crescente sobre a sanfona de 8 baixos, e muitos sanfoneiros se animaram, colocaram o fole no peito, e muitos começaram a pesquisar e produzir conteúdo sobre o pé-de-bode. Hoje vejo muitos sanfoneiros se queixando que não tem mais palco. Quantos vemos tocando no São João? No próprio palco que tem o nome de Arlindo, em sua homenagem, quantos vão tocar? Se não houver um empenho de preservação de um instrumento tão importante, o que garantirá a sua continuidade?

Quem seriam os principais continuadores da tradição da sanfona de oito baixos em Pernambuco e no Nordeste?Em Pernambuco temos Baixinho dos 8 Baixos em Vicência, que não vive só da música, mas também trabalha como mestre de obras. Em Salgueiro temos Antônio da Mutuca, que também vive da roça. Alguns estão tentando ensinar aos mais jovens. Nego do Mestre em Salgueiro e o próprio Baixinho em Vicência. Em Campina Grande tem Luizinho Calixto ensinado. Mas é preciso que formemos novos públicos, novos instrumentistas.

19 de jun. de 2014

Em memória de Negrão dos Oito Baixos


Sempre admirei o trabalho de Negrão dos Oito Baixos, desde que tomei conhecimento de seu trabalho. Instrumentista inventivo, aprecio particularmente a primeira fase de sua carreira, com ênfase mais instrumental. Sua destreza é lembrada por Zé Calixto, que afirmou por vezes que ele foi o principal sanfoneiro de oito baixos vindo da Bahia, ao lado do filho mais afamado deste estado, Pedro Sertanejo. Enock Lima me disse que Gonzagão gostava muito de seu dedilhado e parece que o rei do baião sabia das coisas. Infelizmente, sei pouco a respeito deste mestre do instrumento, e fico feliz que a matéria abaixo referencie o documentário "Com Respeito aos Oito Baixos". Se Negrão dos Oito Baixos foi lembrado é porque jamais haveria de ser esquecido. Onde quer que estejas, será semmpre fonte de inspiração aos sanfoneiros de oito baixos de hoje, ontem e sempre. Segura o fole Negão, que ele é seu.

                                                                                                                                  Léo Rugero
  

Água Fria – Comunidade onde nasceu e viveu Negão dos Oito Baixos quer mais apoio

maio 10, 2014 em Sem categoria
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A equipe do Girando Pela Bahia, visitou a Fazenda Jacaré, em Água Fria, distante 20 km da sede do município, as margens da principal estrada de acesso ao distrito de Pataíba, onde nasceu André Araújo, mais conhecido por Negão dos Oito Baixos, um dos inúmeros instrumentistas brasileiros à espera do merecido reconhecimento póstumo pelo conjunto de sua obra como destacado instrumentista, cantor e compositor. Negão morreu a dezenove anos vítima de câncer.
O GB encontrou o ex-vereador Jacó Cardoso da Silva (PMDB), hoje membro da Igreja Batista Lírio dos Vales, cantor gospel, gravou dois CDs evangélicos, mas não esquece do período que trabalhou fazendo a segunda voz no grupo de forró liderado pelo cunhado sanfoneiro, Negão dos Oito Baixos. Além de Jacó, Laudelino e Clemente, irmãos de Negão, também integrava o grupo.   
IMG-20140509-WA0010Jacó (foto) contou que o Negão ganhou muito dinheiro e naquele tempo trazia dentro de “sacolas”, pois não tinha risco de assalto. Ele lamenta apenas a falta de respeito das gravadoras que não pagavam o que é justo para o Negão e lembrou que foram gravados em São Paulo 21 LPs. Negão não deixou filhos.
Muito amigo de Luiz Gonzaga, Jacó disse que uma das últimas viagem que fez ao lado do Negão fora do estado, foi em 1989, foi a cidade de Juazeiro do Norte, para participar do velório e enterro do rei do Baião. Ele se emocionou ao falar sobre o enterro acompanhados por mais de 50 mil pessoas e cantou o estrofe de uma das músicas do Rei: “Minha vida é andar por esse país pra ver se um dia descanso feliz Guardando as recordações das terras onde passei. Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei”.
Negão morreu ao cinquenta anos e o último show foi realizado durante uma festa de Vaqueiros no Parque Manelito Argolo, em Entre Rios. Ao sentir mal, foi para São Paulo e depois voltou para Salvador, onde morreu.
Músicas conhecidas gravada pela gravadora Beverly, como selo AMC, no ritmo arrasta-pés “Quero me casar” e “Noite de São João”, contando com a participação especial da dupla caipira Mestiça e Zulmara, fizeram muito sucesso e Jacó disse que foi um disco muito bem produzido, com um instrumental afiado composto por violão, cavaquinho, afoxé, agogô, triângulo e zabumba.
 O Negão foi lembrado no documentário ” respeito aos Oito Baixos”, um documentário do músico e pesquisador Léo Rugero, realizado através do Prêmio Centenário de Luiz Gonzaga 2012. O filme narra a trajetória da sanfona de oito baixos na música nordestina, contando com o depoimento de sanfoneiros e pesquisadores como Zé Calixto, Luizinho Calixto, Geraldo Correia, Anselmo Alves e Lêda Dias  e foi filmado nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro, consiste em um belo documento sonoro e visual da música nordestina. Para adquirir um exemplar do DVD, entre em contato conosco.
André Araújo, mais conhecido como “Negrão dos Oito Baixos” foi um sanfoneiro baiano que atuou principalmente em São Paulo, aonde desenvolveu intensa carreira profissional desde o início da década de 1970 até o final dos anos 80, quando veio a falecer.
IMG-20140509-WA0015A comunidade onde viveu o Negão – Líderes das comunidades ao entorno a Fazenda da Jacaré, estiveram reunidos com o vereador Wagner Carneiro Ribeiro (PP), discutindo os problemas que envolve a região, ou seja, as comunidades de Bate e Não Escuta e Nova, que sofrem com a falta d’água, e estrada. Wagner destacou a força econômica da região, principalmente na questão da agricultura familiar e falta estrada de qualidade para escoamento dos seus produtos.
Redação: Girando pela Bahia

18 de jun. de 2014

Cezar Ferreira - Oficina de Gaita-Ponto

O gaiteiro gaúcho Cezar Ferreira realizará uma oficina de gaita-ponto de 8 baixos neste mês de julho. Imperdível para os estudantes e apreciadores da arte da gaita-ponto no Sul. Na ocasião, também será exibido o filme "Com Respeito aos Oito Baixos".


10 de jun. de 2014

XIII Fórum de Forró encerra ao som da sanfona dos oito baixos


09/06/14 - 09h13

XIII Fórum de Forró encerra ao som da sanfona dos oito baixos

Durante três dias o XIII Fórum de Forró, com o tema "Forró Temperado", inspirado na música que ficou conhecida
na voz da cantora Elba Ramalho, reuniu forrozeiros, artistas, compositores e interessados da área, no Teatro Atheneu.
O Fórum, este ano, homenageou cinco ícones: o sanfoneiro, Zé Calixto, os compositores Antônio Barros e Cecéu,
o  cantor e compositor, Rogério e cantor e compositor, Edgard do Acordeon.
"A escolha do tema desta edição deve-se a importância da valorização do artista como compositor.
O Forró Temperado é uma música bastante conhecida em todo Brasil e é de autoria da paraibana Cecéu.
 A musicalidade nordestina tem ultrapassado limites há muito tempo e com o Fórum de Forró podemos
 homenagear e reconhecer a importância do artista e discutir nossa cultura", justificou a vice-presidente
 da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (SEC/Funcaju), Aglaé Fontes.
Entre os dias 4, 5 e 6 de junho foi debatido a identidade da música genuinamente nordestina e sua
relevância na história de um povo que encanta através dos diversos ritmos. "Desde 2001 participo
do Fórum de Forró, sou pesquisador da cultura popular e encontro aqui uma riqueza de histórias e tradição.
Poder conferir a mesa redonda, palestras, homenagens para os grandes nomes da música popular nordestina
é um momento de agregar conhecimento, além de assistir as apresentações musicais com grandes encontros
como Luizinho Calixto e Robertinho dos Oito Baixos é para ser gravado para sempre", explicou o professor
de história, André Vieira Santana.
De acordo com o idealizador do Fórum de Forró, Paulo Corrêa este evento teve como objetivo estudar a música
nordestina, além de propagar conhecimento. "Sempre pensei em um espaço para discussão e valorização
 da música nordestina. As letras das músicas, os instrumentos, os personagens, além de envolver os interessados
 do tema, fazem com que a gente conheça nossa própria história cultural", disse.
"Estou muito feliz em participar desta edição do fórum. São anos tocando com os maiores nomes da música nordestina,
este é um momento de agradecer a todos que fazem parte deste evento, primeiro pela homenagem e depois
 por valorizar o artista e inspira outras pessoas. Muito obrigado", salientou o instrumentista dos oito baixos, Zé Calixto.
A novidade desse ano foi à oficina "Sanfona dos Oito Baixos", ministrada pelo Luizinho Calixto, um dos principais
nomes deste seguimento. "É gratificante ver que a sanfona dos oito baixos está viva. Existem pessoas
interessadas em aprender e levar adiante esse instrumento típico do Nordeste.
 Participar do Fórum trazendo pela primeira vez esta oficina é ótimo, porque reúnem interessados e músicos", disse.
A noite de homenagens e resgates históricos contou ainda com a palestra do escritor Léo Rugero.
 "É raro momentos como este, que abrem espaço para debater sobre o forró. Discutir a respeito deste instrumento 
e resgatar toda a tradição, permite que a nova geração conheça e possa pesquisar sobre a sanfona dos oito baixos", 
disse.
O XIII Fórum do Forró encerrou com os agradecimentos da vice-presidente da Funcaju, Aglaé Fontes e entrega 
dos Troféus Gerson Filho, além da participação musical da dupla Antônio Barros e Cecéu cantando a música
 "Forró Temperado" e o encontro musical mais esperado da noite com Robertinho dos Oito Baixos, Luizinho Calixto, 
Zé Calixto, Léo Rugero e os alunos da oficina "Sanfona dos Oito Baixos".


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Falece em Laranjal o "Seo Tão", famoso fabricante de sanfonas de oito baixos


Bela homenagem do mestre da folia de reis "Sagrada Família da Mangueira" Hevalcy Ferreira da Silva em virtude da passagem de Sebastião Félix das Chagas, conhecido como "Seo Tão", fabricante de sanfonas de Minas Gerais.
Infelizmente, não tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, mas hoje guardo comigo uma de suas sanfonas de oito baixos, construída em 2002 e outrora pertencente a Folia de Reis "Sagrada Família". O instrumento, afinado em fá maior e si bemol, é curioso sob todos os aspectos, devido a originalidade de sua confecção. Nele, está guardada a sonoridade da sanfona mineira, do calango, da folia, da chula e da cantoria. Siga com Deus, Seu Tão, em seu caminho iluminado. Agradeçemos sua contribuição indelével a continuidade da tradição da sanfona de oito baixos no Brasil. 
Abaixo, o texto de Mestre Hevalcy.
O maior sanfoneiro de folia de reis que eu ja vi e ouvi tinha cada estribilhos lindos!

Faleceu neste domingo na cidade de Laranjal (30 Km de Muriaé), Sebastião Félix das Chagas, uma importante personalidade, conhecida como “Sr. Tão Sanfoneiro” que dedicava também aos trabalhos da igreja. Tão Sanfoneiro ficou conhecido ainda através de reportagens da TV Integração e TV Alterosa. A neta Cristiane Ribeiro agradece pelas manifestações de pesar. O sepultamento aconteceu nesta tarde de segunda-feira.


Luthier: Sebastião Félix das Chagas _Sr. "Tão"_ de Laranjal (MG)
O LUTHIER DAS FOLIAS


Sebastião Félix das Chagas __Sr. Tão_ nasceu em 1914, em Laranjal (MG). Filho de um carpinteiro tocador de sanfona, “seu Tão” nos diz que sua

" profissão é arte musical. Realmente, a música é a alegria da gente, remédio pro corpo da gente, né. A música é uma coisa muito necessária pra mim."

Além de sanfoneiro, seu Tão era sineiro e compositor: "Eu tenho muita música e cantoria. E as minhas músicas têm o sentido da vida, da vida humana."

Conheça um pouco mais sobre a fascinante trajetória deste "luthier das folias" no curta (3 mim) intitulado "Som da Rua: Seu Tão"

UM POUQUINHO DE SANFONA


A sanfona de oito baixos é tradicionalmente utilizada nas Folias de Reis;

Vai com Deus Sr.Tão tocar sua 14 baixos de fabricação propiia ao lado de Deus pai!
e obigado por seu empenho e habilidades na influencia e autenticidade de nossa folia de reis mineira.


Mestre Hevalcy

31 de mai. de 2014

XIII Fórum de Forró

Na primeira semana de junho, mais precisamente nos dias 4, 5 e 6, ocorrerá o XIII Fórum de Forró, promovido pela Fundação de Cultura de Aracajú.
Na ocasião, será homenageado o sanfoneiro paraibano Zé Calixto, último remanescente da primeira geração fonográfica da sanfona de oito baixos e um dos mais representativos sanfoneiros nordestinos de todos os tempos. Luizinho Calixto estará realizando uma oficina e realizando uma apresentação, onde demonstrará, mais uma vez, seu virtuosismo. Também terei a honra de participar deste evento, falando sobre a pesquisa etnomusicológica que engendrou uma dissertação de mestrado e, posteriormente, um filme e um livro sobre a tradição nordestina da sanfona de oito baixos.
Abaixo, o folder do evento.
E vamos nóis...

24 de mai. de 2014

Com Respeito aos Oito Baixos - matéria na revista Casa e Campo

Belíssima e cuidadosa matéria publicada na revista Casa e Campo sobre o filme e o livro "Com Respeito aos Oito Baixos". Escrito por Claudia Magno, foi publicada em fevereiro deste ano e agora compartilho aqui no blog. Agradeço a redatora da revista, Samanta Dias, por sua sensibilidade na escolha do tema.












5 de mai. de 2014

OITO BAIXOS DO LÉO RUGERO - um cordel de Adão de Souza Lina


Entre as homenagens que tenho recebido pelo meu trabalho pioneiro de pesquisa sobre a sanfona de oito baixos, eis que surge um cordel do amigo Adão de Souza Lina, outro apaixonado pela arte do fole de oito baixos. Obrigado Adão.



OITO BAIXOS DO LEO RUGERO
O homem nasce com à música,
Primeiro inventou a flauta,
Cheng A.C lá na China,
Se a memória não falta;
Na Alemanha Harmônica,
E Rússia do astronauta.

França e Itália acordeon,
Toda Europa floresceu
Bandoneon Argentina;
No Brasil ela cresceu,
Gaita Ponto, no R Sul
Foi pra nordeste Dedeu.

Sudeste, veio A Silva,
Zé Cupido, do calango
Tio Bilia missioneiro,
A. S, marcha candango
Espalhou Brasil todo,
Fez forró para Pres. Jango.

Pé de Bode no nordeste,
Lampião tocou sanfona,
Bandoleiro Volta Seca,
Também tocava na zona,
Para os cabras namorar,
Debaixo de uma lona.

Seu Januário com seus filhos,
Zé Gonzaga, Severino
A sanfoneira Chiquinha
Luís, fez forró granfino,
Mané Vitor, no escuro
Ajudou Trio Nordestino,

Sivuca, H Paschoal,
E Waldick Soriano
Mais o Milton Nascimento,
Forró metropolitano,
Do fole de oito baixos,
Camarão pernambucano.

Mestre Pedro Sertanejo,
Com o forró pernambucano
Geraldo Correia, fez festa
No sertão paraibano,
Manoel Maurício foi bom,
Oito Baixos Alagoano.

Irmãos Kalixtos são feras,
Zé poeta da oito baixos
Bastinho e Luizinho,
Harmônicas em prelúdios,
Dominam a Pé de bode,
Paraíbas cabras machos.

Gerson Filho e Negrão,
Que tocava gamadinha,
Seu Adolfinho no choro,
Com forró na fazendinha,
Do Gerson, Zé Piatã,
Zé H canavierinha.

Leo Rugero também toca,
Maior incentivador,
Da oito baixos Brasil,
Um grande pesquisador,
Fez filme ainda um livro,
É fiel respeitador.

(Adão Desousalina)
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19 de abr. de 2014

A metodologia para o ensino da sanfona de oito baixos na Europa no Século XIX - texto de Léo Rugero

Neste momento em que se reanimam os esforços individuais de alguns instrumentistas na organização de material didático para o ensino da sanfona de oito baixos, devemos conduzir nosso olhar ao passado, a procura de referências que podem estar perdidas nas prateleiras empoeiradas de sebos ou bibliotecas.
Pois, se hoje o acordeon diatônico é um instrumento praticamente obsoleto - a exceção do Sul do Brasil, onde a tradição do instrumento se mantém viva, isto se deve ao fato de que, ao menos em nosso país, a prática do acordeon diatônico arrefeceu mediante as possibilidades técnicas e mecânicas do acordeon-piano e do acordeon cromático.
Uma das premissas que cercam a prática musical deste instrumento é a de que a sanfona de oito baixos não possui metodologia escrita. A transmissão oral de seus conteúdos teria gerado a impressão de que técnicas e repertórios foram transmitidos oralmente desde sempre. Se, em parte, isso constitui uma verdade, não nos parece necessariamente que este corpo repertorial tenha sido edificado pelas mãos de intrumentistas anônimos e pautados pela oralidade. Durante nossa pesquisa sobre os repertorios tradicionais do acordeon diatônico, nos deparamos com estruturas de recorrência - motivos, frases, técnicas e até mesmo melodias inteiras que haviam sido compartilhadas e recicladas no processo interpretativo e composicional de sanfoneiros, pressupondo a presença de fontes irradiadoras desta tradição sonora. Mediante este fato, não seria difícil imaginar a influência de alguns praticantes enquanto polos irradiadores deste corpo repertorial, como o caso do sanfoneiro paraibano João de Deus Calixto. Pai dos sanfoneiros Zé, João, Bastinho e Luizinho, João de Deus, mais conhecido como "Seu Dideus" foi uma figura exponencial na prática instrumental do fole de oito baixos na primeira metade do séc.XX. Seus filhos herdariam seus repertórios, que, por sua vez, haviam sido adaptações e estilizações de uma parte considerável dos repertórios tradicionais praticados no agreste e sertão paraibanos. O próprio João de Deus teria aprendido o ofício de sanfoneiro com o acordeonista paraibano Zé Tempero, considerado um dos precursores do estilo nordestino do acordeon diatônico de oito baixos.
Este caso ilustrativo de transmissão se torna ainda mais interessante quando nos deparamos com as "variações" - pequenas fórmulas introdutórias edificadas sobre motivos melódicos, arpejos e escalas, praticados pelos sanfoneiros como "aquecimento" e identificação de tonalidades. Parte considerável deste verdadeiro "tesouro" melódico e metodológico se encontra na pesquisa que edificou o documentário e o livro "Com Respeito aos Oito Baixos" de nossa autoria, editado em 2013 através do Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música.
Porém, se o olhar para o passado e seus desdobramentos de repertórios e práticas no processo adaptacional possuem um alto valor para a compreensão de como teriam se edificado os repertórios tradicionais seja realmente um interessante objeto de estudo, devemos ressaltar, que no momento em que o acordeon diatônico de duas carreiras de botões para a mão direita e oito baixos para a mão esquerda desponta em solo europeu, a metodologia impressa em livros e transmitida através de notação musical (tablatura e/ou partitura) foi algo importante e que arrefeceria com o predomínio dos acordeões unissonoros na virada do séc XX e o consequente declínio do acordeon diatônico entre as camadas mais privilegiadas economicamente. Olhar para estes documentos pode ser o vislumbre de uma das principais fontes irradiadoras de repertórios, técnicas e estéticas musicais que se amoldariam no processo adaptacional no estilo gaúcho da gaita-ponto, no estilo mineiro do calango e no estilo nordestino da sanfona de oito baixos "transportada", as três principais vertentes que envolvem a prática deste instrumento no Brasil. 
Entre os métodos publicados na Europa na segunda metade do séc XIX, está o "Novo Método de Acordeon de Irineo Echevarria", editado pelo autor em Aragon, Espanha e publicado em 1878. O estudo deste método pode conduzir a reveladores "insights" acerca de repertórios e técnicas. A primeira curiosidade deste trabalho é a transcrição musical estruturada em sistema de tablatura, mostrando a longevidade da escrita "prática" para instrumentos, tal como podemos verificar em métodos de alaúde escritos no séc.XVII. Neste caso, vale apontar o interessante sistema de tablatura com sinais gráficos da escrita musical - compassos, figuras de tempo e ritornelos.

Outra característica do método é a metodologia essencialmente prática, edificada sobre os repertórios, e se dividindo no acordeon de uma fileira de botões e o de duas fileiras. Na época, o modelo mais utilizado era a afinação dó/fá, substituída historicamente pela afinação sol/dó, mais brilhante e aguda. Abaixo, a planta de afinação diatônica europeia transcrita por Mario Salvi, que se distingue da afinação diatônica mais difundida no Brasil, devido a presença de notas alteradas (sustenidos) nos primeiros botões de cada fileira e no quinto botão da carreira interna apresentar as notas sol/lá.
Por fim, a coleção de danças que compreende o método reforça a influência das danças praticadas nos salões nos bailes do final do séc.XIX, até hoje praticados nos repertórios europeus e das colônias. Entre essas danças, estão as polcas, valsas, habaneras e schotis, entre outras modalidades menos difundidas no Brasil, como a Redowa, muito praticada pelos acordeonistas de países hispano-americanos como o México, por exemplo.

Assim, concluímos que a influência dos conteúdos impressos nos métodos oitocentistas podem ter sido uma importante fonte irradiadora da prática  musical do acordeon diatônico em países europeus e em suas respectivas colônias, podendo ter norteado os conteúdos transmitidos posteriormente no processo de transmissão oral que delimitaria este instrumento no séc.XX.

18 de abr. de 2014

Cezar Ferreira - Com respeito aos 8 baixos



Nas palavras de Cezar Ferreira - Essa música é uma homenagem ao músico, pesquisador e cineasta Léo Rugero, e a seu filme, inspirado em dissertação de mestrado homônima, “Com Respeito aos Oito Baixos”. Obrigado Cezar, pela belíssima homenagem.