28 de out. de 2009

CENA LIVRE Marcos Santtana no lanç Doc Arlindo dos Oito Baixos


Nesta reportagem,alguns flashes documentário "Arlindo dos 8 baixos - o mestre do Beberibe" e alguns pareceres de figuras significativas da cena cultural pernambucana. Destacaria a frase de Anselmo Alves: "Essa história não é nossa, é do mundo".

27 de out. de 2009

Anselmo Alves e Leda Dias

Leda Dias, Leo Rugero, Marcelo de Feira Nova e Anselmo Alves



Ontem à noite, ainda sob o impacto da perda de meu pai, voltei do cemitério do Caju, setor de cremação, e, ao chegar em casa, resolvemos vivenciar esta "triste partida", com porções generosas de pasteizinhos "Baurú"- do tipo que ele gostava - regados com cerveja Skol, que era uma de suas marcas prediletas. Lembramos então, eu e Cláudia, de rever três vídeos que eu havia recebido de Anselmo Alves, no dia 14 de Agosto, último dia de minha estada em Recife. Ei-los: Arlindo dos 8 baixos - o mestre do Beberibe, Luiz Gonzaga - A luz dos sertões e Especial Luiz Gonzaga 95 anos. Antes de comentar a respeito dos filmes, devo prestar meu agradecimento e homenagem ao jornalista Anselmo Alves e à historiadora Leda Dias, pelo incansável trabalho de dedicação à memória da sanfona de 8 baixos, esta rica tradição da música nordestina, que jamais, em seu percurso histórico, galgou o devido apoio institucional e, quiçá, midiático. E a árdua tarefa desempenhada por estes dois "mandarins miraculosos" não concerne somente à conservação, mas sobretudo o estímulo à renovação desta arte, através de projetos como o curso de sanfona de 8 baixos ministrado por Luizinho Calixto no Memorial Luiz Gonzaga, além da produção de shows, vídeos e mais do que tudo, um "carisma", que tem sido o sustentáculo do forró instrumental em Recife, que atualmente talvez seja o principal pólo irradiador desta magnífica prática musical.



Luiz Gonzaga sempre será o ícone de afirmação do homem nordestino. Todos os personagens do sertão pairam nas letras de suas parcerias com Humberto Teixeira, Zé Dantas, Onildo Almeida...mas também se presenciam na própria atmosfera produzida pelo efeito instrumental das melodias que trouxe consigo, cultivando-as e depurando-as, criando uma nova instância na música popular brasileira - o baião, e, posteriormente, o forró. Tanto o especial 95 anos como Luiz Gonzaga - a saga dos sertões, conseguem, com esmero, radiografar Luiz Gonzaga, no âmago, mostrando este "matulão" gonzagueano que reflete em sua vasta produção, e por ela é refletido.Estão presentes neste "matulão", as ladainhas em latim, os aboios de vaqueiros, a dança guerreira do cangaço, a canção de exílio diante do êxodo da seca, enfim, o cerne do que constituiria a "alma nordestina". Também há um caráter historicista nos dois filmes, pontuando as atividades musicais de Luiz Gonzaga com o entorno sócio-politico, de tal modo que se estende sua influência a partir da afirmação profissional de seu trabalho. Indispensáveis, estes dois curta-metragens, a todos aqueles que o admiram. Imagens de arquivo se misturam à depoimentos e participações de sanfoneiros ilustres. E, melhor de tudo, com direito à canjas dos mesmos. A sanfona de 8 baixos, que pontua a tradição musical da família Gonzaga - o pai Januário e seus filhos, Luiz, José, Severino e Chiquinha, matrizas fundantes desta tradição musical, é lembrada pela participação especial de mestres vivos, mantenedores e renovadores deste importante vértice: Zé Calixto, Luizinho Calixto, Truvinca e Arlindo.


Aliás, Arlindo dos 8 baixos - o mestre do Beberibe, marca o reconhecimento de Arlindo como um dos ícones da sanfona de 8 baixos. Diante da ausência de uma videografia dedicada à sanfona de 8 baixos, este filme constitui um oásis. A trajetória de Arlindo é narrada, através do próprio, numa viagem de retorno à suas raízes na zona da mata sul pernambucana, até chegar ao "forró do Arlindo", que já é uma atração turística de Recife. No filme, há passagens surpreendentes, como a paixão de Arlindo pelo cinema e consequentemente, pelas canções que pontuam os clássicos do cinema americano, como Over the rainbow. E novamente, somos conduzidas à onipresença de Gonzaga, quando se descreve como o Rei do Baião apadrinhou a carreira artística de Arlindo e criou a alcunha "o mestre do Beberibe" que serviu de título ao primeiro álbum gravado por Arlindo em um grande selo fonográfico. Um filme que merece ser exibido mais vezes em nossas cinematecas...


Mais uma vez, meus agradecimentos sinceros aos novos amigos Anselmo Alves e Leda Dias, pelas belas imagens e sons com os quais me presentearam.

19 de out. de 2009

MIGUEL JANUÁRIO DA COSTA



Sempre me encanta descobrir um novo mestre da sanfona. E o youtube, enquanto canal de difusão de vídeos que independe, em certo sentido, de uma relação de atravessadores culturais, permite uma circulação mais ampla do que aquela imposta pelas antigas leis de restrição mercadológica. A cada dia que passa, surgem nomes restritos a estreita circulação local, aonde trafegam anonimamente. Este senhor Miguel Januário da Costa é um destes.Neste video, postado por José Lobo Januário, fiquei a indagar sobre o lugar - aonde foi gravado, os sanfoneiros - há momentos em que há 3 ou 4 deles, e em que circunstância - foi um encontro casual ou programado? Quais são ( e de quem são) as músicas que tocam.Enquanto não tenho as respostas, vou curtindo este forró...

PROJETO NAS ONDAS DO RADIO - ADEMILDE FONSECA, EYMAR FONSECA e ZE CALIXTO (4).

MIGUEL JANUÁRIO DA COSTA

Sempre me encanta descobrir um novo mestre da sanfona. E o youtube, enquanto canal de difusão de vídeos que independe, em certo sentido, de uma relação de atravessadores culturais, permite uma circulação mais ampla do que aquela imposta pelas antigas leis de restrição mercadológica. A cada dia que passa, surgem nomes restritos a estreita circulação local, aonde trafegam anonimamente. Este senhor Miguel Januário da Costa é um destes.Neste video, postado por José Lobo Januário, fiquei a indagar sobre o lugar - aonde foi gravado, os sanfoneiros - há momentos em que há 3 ou 4 deles, e em que circunstância - foi um encontro casual ou programado? Quais são ( e de quem são) as músicas que tocam.Enquanto não tenho as respostas, vou curtindo este forró...

29 de set. de 2009

Heleno dois 8 baixos


Heleno dos 8 baixos é um dos mais destacados sanfoneiros em atividade no Brasil. Neste interessante video postado por chikynuaj, temos a performance de Heleno acompanhado por sua familia - esposa e filhos, na percussão, fazendo um forró arretado tendo como pano de fundo a Torre Eifel.Provavelmente este video foi gravado durante a estada de Heleno em Paris, no ano do Brasil na França.
Arrocha tocador!

19 de set. de 2009

xote


Carmindo Alves da Silva, natural de Rochedo - MG, e radicado em Petropolis - RJ, é um dos poucos sanfoneiros em atividade na região serrana. Embora não tenha se profissionalizado, é um represantante da sanfona de 8 baixos no estilo calangueado, típico de Minas e interior do Rio de Janeiro. As terças paralelas, a harmonia entre a tônica e a dominante, os arpejos, e os adornos são algumas caracteristicas evidenciadas neste video. Aqui, Carmindo toca em sua casa, no bairro Nova Cascatinha, em Petropolis, uma scotish (xote). Esta, entre as danças de salão européias do seculo XIX parece ser a mais disseminada pelo Brasil, apresentado diferentes inflexões quanto à interpretação, aclimatando-se ao ritmo orgânico de cada região.

são João - Forró dá o tom nas escolas do Recife


O estímulo à revalorização da arte da sanfona de 8 baixos. Maria Piedade Araújo, educadora recifense aponta algumas estratágias em sala de aula - o resgate da história da sanfona, o resgate da história do baile, a importância do forró, seus instrumentos e repertório. E a oportunidade das crianças de visitarem o "forró do Arlindo".

12 de set. de 2009


"Encontro de sanfoneiros do Recife", é, como o próprio título indica, uma espécie de who is who da sanfona recifense. O livro, escrito pelo pesquisador Edivaldo Arlégo, reúne 53 sanfoneiros, com uma foto em preto-e-branco e uma pequena biografia de cada um dos artistas enfocados. Consiste em uma obra de grande utilidade aos pesquisadores e apreciadores da arte deste instrumento. Partindo do pressuposto que o livro de Arlégo seja um apanhado fiel do panorama da sanfona na capital do frevo, reitera a preocupação da historiadora Leda Dias e do jornalista Anselmo Alves, em torno da ausência de tocadores de 8 baixos, que poderia gradualmente conduzir este nobre instrumento à extinção.
Senão vejamos: entre os 53 sanfoneiros resenhados por Arlégo, 49 se dedicam ao acordeom de 120 baixos, enquanto somente 4 (!) são assumidamente sanfoneiros de 8 baixos. Destes 4, tiremos 1, pois Chiquinha Gonzaga, irmã caçula de Luiz Gonzaga, infelizmente está impossibilitada de tocar devido à problemas de saúde. Restam três: Arlindo dos 8 baixos, Severino dos 8 baixos e Evandro dos 8 baixos.

Porém, a continuidade de uma tradição musical pode vigorar por maneiras insuspeitáveis. Em minha breve estada em Recife, em agosto último, tive a oportunidade de assistir à dois exímios acordeonistas de 120 baixos: Cicinho do Acordeon e Marcelo de Feira Nova. Tanto na prática musical de um, como de outro, as sementes do fole de 8 baixos estão presentes, trazendo não apenas o vasto repertório, bem como técnicas e efeitos que afloraram na obra de mestres da sanfona de 8 baixos, como Gerson Filho, Abdias e Zé Calixto. Ainda que podemos considerar que o instrumento esteja em desuso, a musicalidade imanente, que foi registrada em fonogramas ao longo de seis décadas, é uma verdadeira escola do forró instrumental e servirá de referência dos futuros instrumentistas, seja quais foram os seus instrumentos - um acordeom de 120 baixos, uma guitarra, um saxofone...
Referência: Arlégo, Edivaldo. Encontro de sanfoneiros de Recife. Edições Edificantes, Recife:2004.

29 de ago. de 2009

Feira de Mangaio - Marinho do Acordeon e Zé Henrique.


Alguém sabe algo a respeito de Zé Henrique? Só sei que ele mora em São Paulo - exatamente aonde não sei - toca sanfona de 8 baixos, tendo já gravado ao menos um disco, e também é artesão, consertando e reparando acordeons. Quem souber algo mais deste valioso sanfoneiro, por favor, dê noticias.
Obrigado

Os Bilias Pout Pourrit de vaneras Tio Bilia arquivo galpão de Estância Deon

24 de ago. de 2009

indo e voltando


Estive ausente do blog cerca de vinte dias. Periodo que estive longe de casa, percorrendo Recife e Campina Grande, no intuito de realizar algumas entrevistas para a minha dissertação de mestrado sobre a sanfona de 8 baixos. Em Recife, estive com o "mestre do beberibe"Arlindo dos oito baixos e sua esposa, Dona Odete. Conversamos muito.Foi bom poder beber das águas do beberibe. Conheci também Severino dos 8 baixos, uma revelação. O memorial Luiz Gonzaga, idealizado por Anselmo Alves e gerenciado por Leda Dias. E assistir a forrós inesqueciveis. O forró do Arlindo, já tradicional, e o Encontro de Sanfoneiros numa casa chamada "Nossão chão" dirigida por outro entusiasta da sanfona, Marcos Veloso. Encontrar casualmente velhos conhecidos como Enoque.A conversa enriquecedora com o professor Roberto Benjamim, presidente da Comissão pernambucana de folclore, que conheci através de Hugo Podeus. Zé Fernando, que me conduziu a residência da professora Cirinéia de Amaral, da Universidade Federal de Pernambuco. Sem esquecer as conversas com Leda e Anselmo, casal que tanto tem realizado em prol dos 8 baixos. Fora os acordeonistas, Cicinho do Acordeom e Marcelo de Feira Nova, dois virtuoses que deixaram-me de queixo caído. E o mestre Camarão, patrimônio cultural de Recife.
Em Campina Grande, minha estada foi curta, mas nem por isso menos intensa. Realizei um sonho, conhecer o mestre Geraldo Correia. Emocionante também foi o encontro com Bastinho Calixto. E João Calixto. Dona Luzia, a irmã mais velha, matriarca deste importante ramo da sanfona brasileira, a familia Calixto. Por fim, o museu fonográfico Luiz Gonzaga, dirigido pelo professor José Nobre.

Meu corpo retornou, mas a minha alma ainda está chegando, pois resolveu voltar a pé, para curtir melhor as reminiscências desta viagem.

29 de jul. de 2009

A bordo do navio


Sem dúvida, na região sul, é onde temos a melhor documentação sobre a trajetória da sanfona de 8 baixos no Brasil. Na foto acima, extraída do sitehttp://www.projetoimigrantes.com.br/int.php?dest=fotos&pagina=2, podemos conferir a hipótese que parece cada vez mais acertada, sobre a relação intínseca entre a migração italiana e a história do acordeom em nosso país.

Há três músicos presentes nesta imagem: um homem tocando um instrumento não identificado, uma mulher tocando um tamburello basco e outra, tocando um organetto (sanfona). Pela fotografia, não podemos precisar detalhes sobre o instrumento (número de baixos de mão esquerda ou carreiras de mão direita). A data da fotografia remonta ao ano de 1880, o que nos leva a crer que estes músicos estão entre as primeiras levas de imigrantes. De fato, no Rio Grande do Sul, se concentraram não apenas praticantes do instrumento, bem como artesãos, através dos quais se originou uma prática e construção de grande expressividade.
Restam as perguntas: - quem serão estes músicos, de que região da Itália provinham e que músicas eles tocavam?

23 de jul. de 2009

Orquestra Sanfonica no Globo Comunidade


A Orquestra sanfônica de 8 baixos, organizado por sanfoneiros do municipio de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco, é um dos principais indícios do refortalecimento da prática do fole de 8 baixos na região nordeste.
Agradecimentos à excelente postagem de Gilgeraldo.

14 de jul. de 2009

além - fronteiras

Durante a etapa inicial de minha pesquisa sobre a sanfona de 8 baixos e suas expressões no Brasil, minha primeira constatação foi a incomunicabilidade entre as três fronteiras geográficas que havia delimitado, isto é, as regiões sul, nordeste e sudeste/centro-oeste.
Estas não são apenas regiões geográficas, mas sobretudo, territórios imaginários carregadas de sentido identitário. Os movimentos migratórios nordeste-sudeste constituem um exemplo vivo deste processo.
Notei também, certo "etnocentrismo", que se torna em impecílio para que uns vejam aos outros, e do mesmo modo, uns vejam-se nos outros. "Trata-se de um jogo sutil de toma-lá-dá-cá, uma supervalorização de sua cultura, dentro de uma aparente anomia"(1992:33). Entre os sanfoneiros de cada região, tenho observado uma generalizada falta de interesse na música produzida pelo "outro", entendendo aqui o outro, como aquele que é oriundo de outra região.Em alguns casos, este desinteresse conduz à depreciaçao da arte alheia, não só por ser a arte do "outro", como por estar-se alheio à ela. Claro que falo em termos gerais, deixando escapar honrosas exceções.
Se, por um aspecto, este isolacionismo permitiu a construção de músicas com fronteiras tão nitidas quanto são as fronteiras geográficas, por outro lado, observo, em muitos momentos, uma tendência epigonal, (como a cobra que morde o próprio rabo), não permitindo o diálogo potencializado pela revolução digital e a fluidez que poderia se estabelecer no descentramento inter-regional, possibilitando novos lugares, não mais delimitados por uma identidade, mas por várias identidades.
Talvez esta reflexão seja possível (ou impossível) mediante o lugar em que ocupo neste diálogo. Um lugar do "sujeito pós-moderno", "não tendo uma idetidade fixa, essencial ou permanente"(2006:12), ocupando este lugar "itinerante"onde a identidade torna-se uma força móvel, menos biológica e mais histórica. Como estudioso da sanfona e sanfoneiro, minha natividade é itinerante: não sou gaúcho da fronteira, nem nordestino, quanto menos mineiro. Transito entre estas identidades que travam lutas acirradas entre si.
Meu olhar ( e minha escuta) transitam entre fronteiras, e como tal, proponho uma trégua, um entreouvir-se, como nova possibilidade estética. E retomo a pergunta formulada há quas três décadas atrás pelo compositor Tom Zé: - Com quantos quilos de medo se faz uma tradição?

Referências:

Hall, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro, DP & A Editora, 2006.
Settl, Klza. Questões reltivas à autoctonia nas culturas musicais indígenas da atualidade, consideradas no exemplo Mbyá-guarani. Revista Brasileira de música. Rio de Jneiro, 20:33-41, 1992-93.

ABORDAGEM PRÁTICA NA GAITA PONTO


Daltro Vieira da Rosa, musico catarinense, leciona há cerca de dez anos a arte da gaita-ponto de 8 baixos. Lembrando que "gaita" é a denominação sulista para o instrumento que nas regiões sudeste, cantro-oeste e nordeste, é mais conhecida como sanfona.
Nesta pequena lição introdutória, Daltro ensina a escala de dó maior na afinação diatônica brasileira (afinação natural).

7 de jul. de 2009

Hermeto Pascoal toca no Showlivre.com/2004


A música interpretada por Hermeto Pascoal e Aline Morena neste vídeo, é "Garrote". Hermeto, teve a sanfona de 8 baixos como primeiro instrumento, embora ao longo de sua carreira tenha a utilizado raramente. A partir de "Festa dos Deuses"(Selo Radio MEC, 1999), é que Hermeto retoma a "pé-de-bode", que está entre as suas mais profundas raízes musicais.
A afinação utilizada por Hermeto, é a "natural", afinação diatônica típica do Rio Grande do Sul.É uma adaptação da afinação diatônica italiana. Em Alagoas, onde nasce Hermeto, é uma afinação muito difundida, a julgar por outros sanfoneiros alagoanos como Gerson Filho, Edgar dos 8 baixos e Robertinho dos 8 baixos.
No caso de Hermeto, é interessante notar o uso que faz do instrumento. Ainda que se apoie na técnica tradicional, Hermeto consegue, como sempre parece conseguir, sair pela tangente, encontrar uma brecha para algum lugar desconhecido, ou melhor, pouco conhecido. Aqui, parece que este "lugar" é o compasso de sete tempos, incomum na cultura musical brasileira de modo geral.

13 de jun. de 2009

Encontro de sanfoneiros de 8 baixos

1º Encontro de Sanfoneiro de Sanfona de 8 Baixos Os sanfoneiros Zé Calixto, Luizinho calixto, Rato Branco e Landinho Pé de Bode apresentam o melhor do forró pra não deixar ninguém parado. >> 20h, Gratuito, Largo Pedro Archanjo

Hoje ocorre mais um evento que marca a revalorização da sanfona de 8 baixos.Malogrado duas décadas em que o instrumento chegou ao limite de ser colocado como em vias de extinção, ressurge gradualmente o interesse na prática da sanfona de 8 baixos. Assim, criam-se novas possibilidades para os profissionais da sanfona na área de educação musical, transmitindo seus saberes, bem como, na área da prática, onde surgem novos espaços e projetos de formação de uma nova platéia e reintegração de uma platéia antiga, mas que andava carente de apresentações de sanfoneiros.
Este Encontro de sanfoneiros de 8 baixos, promovido pelo IPAC - Instituto de Patrimônio artistico e cultural da Bahia, é de suma importância, estando inserido neste contexto da revalorização. Estarão presentes, Zé Calixto e Luizinho Calixto, dois grandes mestres do fole de 8 baixos, oriundos de Lagoa Seca, Paraiba. Zé é um dos últimos remanescentes da "geração de ouro" dos 8 baixos, e soma 50 anos recém-completos de carreira profissional. Luzinho, seu irmão, inicialmente discipulo de Zé Calixto, tomou um rumo proprio, incorporando novas influ^encias como a Bossa-Nova.
Atrações inusitadas são Landinho pé-de-bode, que reside na histórica Canudos, e Rato Branco, um virtuose que andava sumido dos grandes palcos.
Parabéns à prefeitura da Bahia pelo valoroso acontecimento!

6 de jun. de 2009

Geraldo Correia

Geraldo Correa é um destacado sanfoneiro pernambucano. Iniciou sua carreira fonográfica no Rio de Janeiro, por intermédio de Jackson do Pandeiro, em 1964, pela gravadora Philips, que na ocasião investia em valores da sanfona como Zé Calixto. No entanto, sua carreira principia bem antes, nas feiras e cabarés de sua terra natal, Campina Grande. O depoimento acima é de grande importância, pois atualmente este músico octogenário vive distante dos palcos, sendo um dos ultimos remanescentes da "geração de ouro" dos 8 baixos.