21 de abr. de 2015

Camarão (1940 - 2015)

Reginaldo Alves Ferreira, artisticamente conhecido como "Camarão" foi uma das maiores expressões do acordeon nordestino. Nascido em Brejo das Almas, Pernambuco, em 23 de junho de 1940, vindo a falecer hoje, 21 de abril de 2015, em Recife, onde residia com a esposa, no bairro de Areias.
Além de inventivo acordeonista, Camarão era compositor e professor, sendo um dos poucos mestres que conjugava o aprendizado de tradição oral com a escrita musical, era adepto do método do acordeonista carioca Alencar Terra, fato que só é conhecido por aqueles que com ele estudaram.
Tive a oportunidade de conhecer Camarão em 2009, quando visitei-o em sua residência. Deste primeiro encontro, guardo uma entrevista e algumas fotografias.
Embora tenha sido reconhecido fundamentalmente por sua contribuição como acordeonista e renovador do forró - a primeira "banda"de forró com formação diferenciada, foi um conceito empregado por Camarão nos bailes recifenses da década de 1970, Camarão também era um representante do fole de oito baixos, seu primeiro instrumento.
Seu álbum de estreia, em 1964, intitulado "Lá vai Braza", trazia a baila seu estilo único no fole de oito baixos. Até hoje este disco é uma referência a todos os instrumentistas de fole e se constituiria no único trabalho de Camarão como solista de oito baixos
Em meu livro "Com Respeito aos Oito Baixos"dediquei um subcapítulo ao mestre Camarão, baseado em um depoimento do próprio mestre sobre sua vida e com algumas fotografias que ele havia cedido para que fossem publicadas. Abaixo, transcrevo uma passagem do livro "Com Respeito aos Oito Baixos", que, infelizmente, por motivo de força maior, não chegou às mãos do mestre em tempo hábil. 

Na tenra infância aprendeu a desvendar os segredos da sanfona com o pai, o sanfoneiro e afinador Antônio Neto, a quem acompanhava nos bailes do agreste pernambucano. Segundo Camarão, a afinação transportada era localmente denominada de si-bemol.
Alguns anos mais tarde, Camarão ingressaria na Rádio Jornal do Comércio de Caruaru como acordeonista de cento e vinte baixos. Assim como ocorre com outros instrumentistas, Camarão opta pela sanfona de teclado devido aos recursos harmônicos do instrumento. Até que um dia, surge a oportunidade para gravar um disco pela gravadora Rosenblit. No entanto, conforme ressalta o sanfoneiro, “só queriam oito baixos, era na época que estava naquela febre de Zé Calixto, Geraldo Correia, porque vendia muito. As fábricas não queriam acordeonistas, queriam sanfoneiros de oito baixos”.204
Segundo conta o próprio Camarão, ele adquiriu uma sanfona de oito baixos especialmente para a realização do disco. Com o auxílio de um cavaquinista, preparou os arranjos do repertório que havia sido composto especialmente para o disco em apenas duas semanas antes das gravações. A gravação foi realizada ao vivo, “em um único dia”. Como resultado desta empreitada, nasceu o emblemático disco “Lá vai brasa” pelo selo Mocambo.
O fato mais intrigante deste trabalho, segundo Camarão, se deve ao fato de que ele utilizou uma sanfona em um sistema de afinação desconhecido. Sendo assim, “as músicas foram feitas para aquele instrumento. Se eu fosse pegar em uma sanfona de oito baixos e tentar tocar aquelas músicas da maneira que eu compus, elas não sairiam”. Depois que o disco foi lançado, Camarão se desfez da sanfona de oito baixos, vindo a escolher o acordeon de cento e vinte baixos como seu instrumento de devoção.
Nas palavras de Camarão, “o oito baixos é um instrumento misterioso. Tem várias afinações e é muito difícil de encontrar”. Devido a qualidade intrínseca deste trabalho de estreia, Camarão deixou influente contribuição ao instrumento, admirado inclusive por colegas instrumentistas da estirpe de Zé Calixto e Arlindo dos 8 baixos.



7 de mar. de 2015

Quinka dos 8 Baixos - Coletânea de Sucessos





Publicado em 1 de fev de 2015
https://www.youtube.com/user/eversant...
https://www.youtube.com/channel/UCf3S...

Quinka
dos 8 Baixos (Altino de Oliveira) Nasceu no Município de Ipirá no
Estado da Bahia O Quinka aprendeu a tocar Fole de 8 Baixos com apenas 13
anos de idade. Ipirá é um município onde nasceram diversos Sanfoneiros
de 8 Baixos, cito Zé Henrique dos 8 Baixos, Lene dos 8 Baixos Sinval dos
8 Baixos, Machadinho dos 8 Baixos entre outros, portanto o Quinka teve
chance de estar praticando com o Fole de 8 Baixos. O povo de Ipirá gosta
muito de forró tocado a Pé de Bode, pois é uma tradição antiga neste
município. Por ser um bom Sanfoneiro de 8 Baixos, o Quinka tornou-se
muito conhecido e terminou vindo para são Paulo. Aqui em São Paulo o
Quinka foi convidado para tocar no Forró da Catumbí, Salão de Festas do
Pedro Sertanejo. Não demorou muito para o Quinka fazer parte da equipe
de Artistas efetivos do Pedro Sertanejo. No Ano de 1985 o Quinka gravou o
seu primeiro Vinil pelo Selo Iracema intitulado “O bom baiano” e depois
gravou mais 3 vinís e 2 CDs. Quinka dos 8 Baixos faleceu em Feira de
Santana, no dia 14 de Agosto de 2011 vitima de câncer no intestino.

Chico Paes - Os 8 Baixos de Chico Paes

17 de fev. de 2015

Mais um desabafo...

Até quando seremos esta linda e trágica Belíndia, dos extremos contrastes socioeconômicos?
Hoje, soube que um emérito sanfoneiro cearense,de noventa anos de idade, Chico Paes - condecorado com o título de "mestre da cultura", foi obrigado a vender seu único fole de oito baixos por necessidades econômicas!
Dói no coração fazer parte de um país que negligencia sua cultura de tal maneira, não amparando artistas significativos que circulam à margem da mídia e permitindo que os mesmos veículos midiáticos se tornem, cada vez mais, a última palavra em relação à produção cultural, atribuindo valor de mercado ao que simplesmente desejam atribuir.
Se no Ceará de hoje, o mercado fonográfico é controlado majoritariamente pelo "forró de plástico" - também conhecido por "fuleiragem", isto se deve ao simples fato de que meia dúzia de mega empresários controlam a programação radiofônica das emissoras de rádio e televisão por todo o estado, ignorando tudo aquilo que não seja o tesouro sonoro que é produzido e veiculado por suas empresas.
Como explicar a questão das concessões radiofônicas? Não seria também o caso de uma séria investigação?
Cada vez mais, concordo com as palavras de Maurício Einhorn, que foram divulgadas por Antonio Carlos Jobim: "A saída do músico brasileiro é o aeroporto".