1 de fev. de 2012

Sanfoneiros do Ceará


CONTINUAÇÃO

No reino da sanfona

26.05.2003
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FRANCISCO SOUSA
CHICO PAES ainda agüenta tocar a noite toda, até de manhã. Às vezes, fazia três festas, “encarcadas” uma na outra e um pouco de cerveja ajudava a varar a noite
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ANTONIO BOA HORA “Só não toquei em dois lugares: no céu e no inferno”.
Chico Paes lamenta a invasão das bandas, que tem reduzido seu espaço, mas acredita na volta da tradição. Ele cobra em função da amizade, do lugar e das dimensões da festa, e de quem lhe contrata e “ajusta”, de trezentos a quinhentos reais por uma apresentação. Um amigo, no distrito de Flamengo, em Saboeiro, sempre manda buscá-lo, “porque acha que música velha é que é boa”.

Enumera suas preferências, “em primeiro lugar, Dominguinhos; em segundo, o que era sempre o primeiro, Luiz Gonzaga; Waldonys é terceiro lugar; e Chico Justino é um grande sanfoneiro”.

Às vezes, improvisa na hora da festa. “Outras vezes, me vêm as notas, e eu aproveito a noite, ou acordo bem cedinho, até fazer a música, sempre de cabeça”.

Recebe encomenda de gravação de fitas cassete, e atende às pessoas amigas: “não entrego minhas músicas para qualquer um, eles registram dizendo que é deles”.

Todos os cinco irmãos já tocaram, e o sobrinho, Antonio também resfolega no fole. O mais novo o acompanhava no pandeiro e cantava, adotou a “sanfona grande”, e se revezavam nas festas, até o caçula entrar para a polícia.

Seu “pé-de-bode” italiano, foi comprado em São Paulo, e diz que é “difícil um sanfoneiro dar conta das duas”, com o mesmo virtuoso.

Ainda agüenta tocar a noite toda, até de manhã. Às vezes, fazia três festas, “encarcadas” uma na outra, e um pouco de cerveja ajudava a varar a noite.

Tem recebido promessas de gravação, rapidamente esquecidas, mas gostaria de deixar “uma lembrança“, como ele diz.

ANTONIO BOA HORA

Nascido no Mucambo, pé da serra da Ibiapaba, em dezembro de 1927, Antonio é filho do tocador Manoel, “homem preguiçoso para trabalhar na roça” e de dona Arlinda.

Veio com a família para os Inhamuns, na seca de 1932, em lombo de jumento, trazidos pelo tio Cândido, que vendia rapadura da Ibiapaba no sertão. Foram para Nova Olinda, município de Independência, e depois se fixaram em Crateús.

Não sabe de onde veio o apelido Boa Hora, a família mesmo é Santiago.

O pai sempre “um sanfoneiro fraco, que tocava pouco e fazia zoada para o povo dançar”, mesmo assim era chamado para as festas, apesar de seu repertório acanhado, uma meia dúzia de forrós, se tanto.

O menino aprendeu a tocar “pegando a sanfona escondido, quando o pai não estava em casa” e, aos 12 anos, veio o convite para o primeiro forró. “Seu Manoel, ouvi falar que teu menino já toca...”. E veio a resposta: “faz um barulho aí”.

O pai achou que ele não daria conta, mas foi convencido pelo promotor da festa na fazenda Fidalgo, do finado Zacarias Martins, de que o menino, aos doze anos, já agüentava tocar a noite inteira, e ainda receberia 12 mil réis.

Voltou para casa com o dinheiro no bolso e, a partir daí, sua vida mudou. Pela segunda festa, na Graciosa, o ajustado foi vinte e cinco mil réis, e tomou a primeira cachaça de sua vida. Diz que a bebida atrapalha o tocador: “tem sanfoneiro que, devido ao álcool, não é chamado nem para tocar em dança de São Gonçalo”, ele remete a uma manifestação religiosa em que as pessoas rodopiam em louvor ao santo de Amarante.

Teve oito dias de escola, quando lhe ensinaram a “fazer” o nome. “Não aprendi, mas vontade tinha demais”. A experiência do professor Zé Rodrigues durou pouco: montou escola, reuniu os meninos das redondezas, mas desistiu quando soube que os caititus estavam comendo sua plantação de mandioca, na serra.

Dedicou-se à sanfona com afinco, e sua fama correu a região. Lembra de festas memoráveis, nas latadas cobertas de palha, onde vinha gente de longe ouvir o menino sanfoneiro, que não parou mais de tocar.

No repertório, Luiz Gonzaga, Noca do Acordeon, e, no matulão, uma arma “para se defender”. Aconteciam brigas nos forrós, ele diz que “tem muita gente reimosa no mundo”, mas todos respeitavam o sanfoneiro Boa Hora.

Casou, em 1955, com Gonçalina de Sousa, tiveram sete filhas mulheres, “trabalhei para os outros”, diz, machista, e um único filho, José Nilson, sanfoneiro em São Paulo, tendo gravado Cd, que atesta a continuidade de uma linhagem de tocadores.

Seu Antonio não se apresenta mais profissionalmente, mas não resiste à idéia de tocar para os amigos, abre o fole de sua Scandale, de 120 baixos, e dá um “show”, com Tiago na zabumba, e Robson no triângulo.

A primeira sanfona, uma Todeschini, foi comprada mesmo em Crateús, no armazém de Manoel Sales. Ao todo, foram mais de dez, pois como tocava muito, estragava logo o fole.

Muita gente andou “dezessete légua e meia” para ouvi-lo relembrar os tempos de tocador requisitado, a fama sertão adentro, e a certeza de uma vida bem vivida. “Só não toquei em dois lugares: no céu e no inferno”.

NELSON ARAÚJO

Nascido no Castro, sertão de Quixeramobim, em 1932, Nelson é de uma família de tocadores e, aos doze anos, foi mandado pelo pai para estudar em Água Verde, Guaiúba. Três meses depois, o meninote não suportou as saudades, e voltou para casa.

O pai, Irineu Castelo Branco de Araújo, cultivava a terra dos outros, e também tocava uma oito baixos, que ele não sabe que fim levou. A mãe, Maria das Dores, teve dezessete filhos, dos quais quinze se criaram, sendo 7 homens e 8 mulheres. Ou seria o contrário? Ele não tem certeza, e ri.

Trabalhou muito tempo na roça, até passar a tocar nos forrós com o irmão mais velho, Mário, em cuja sanfona se iniciou, “pegava, experimentava, e fui aprendendo”, e com quem passou a se revezar nas festas. Diz que o irmão, morto em 1980, era “sanfoneiro de verdade”.

Tocou muito, compôs alguns forrós, tendo inclusive alguns gravados, pelos parceiros Clementino Moura e Chico Justino, mas nunca se dedicou, com garra, a esta arte.

No repertório, “Asa Branca”, “Assum Preto”, os baiões de Luiz Gonzaga, além de Noca do Acordeon, e Jackson do Pandeiro.

Alternava o trabalho na roça com a música. Ia para as festas a cavalo, na companhia do irmão, com as sanfonas a tiracolo. Apresentavam-se em Capistrano, Boa Viagem, Pedra Branca, onde fossem convidados.

Casou em 1957, mas não conheceu dona Zeneida no forró. Tiveram doze filhos, dos quais dez se criaram, nenhum sanfoneiro.

Terminou vindo morar em Fortaleza, em 1974, na Granja Portugal, e depois construiu a casa em Maracanaú, onde vive.

Já maduro, veio a possuir uma sanfona cromática, com botões, ao invés do teclado, que dá melhores condições de interpretação, graças à ajuda do sobrinho Irineu, afinador deste instrumento.

No capítulo das relembranças, as latadas de palha, o forró “solado”, a lamparina, a quadra de chão batido a malho, e o “samba”, como se chamavam as festas de então, com poucas brigas, segundo ele.

Uma vez foi tocar no rádio, mas “faltaram os nervos”, e não tocou direito.

Parece viver em paz, com suas lembranças das festas “nos matos”, do forró a noite inteira, quando a sanfona, ganhou o auxílio da zabumba, depois do triângulo, e por fim vieram o pandeiro, e o banjo ou cavaquinho, dependendo da região.

Bebia um pouquinho porque “se beber demais, faz é ficar mais ruim”. De vez em quando “peleja por aqui” ou seja, compõe alguma coisa.

Trabalhou como zelador para uma destas empresas que terceirizam mão - de- obra, até se aposentar, por problemas cardíacos graves, o que o impede de tocar com freqüência uma sanfona que pesa dez quilos, e lhe causa um certo “enfado”.

“Não sou muito chegado às novas bandas de forró, é outro tipo, uma orquestra danada”, diz de modo diplomático, e complementa que não saberia tocar o que chamam de novo eletrônico.

Nelson parece conviver bem, sem mágoas, com o fato de ter ficado nos bastidores, enquanto o irmão Mário, de quem sente muitas saudades, brilhava, e atendia aos insistentes pedidos de bis.
Gilmar de Carvalho - Especial para o Caderno 3

31 de jan. de 2012

Toninho-Souzinha-Calango-composição própria.AVI




Enviado por oliveiranelson em 01/08/2010

O sanfoneiro Toninho Souzinha, de Cordisburgo (MG), apresenta um calango de sua autoria. Toninho é um desses personagens ricos e intrigantes que povoam o universo do escritor Guimarães Rosa (Grande Sertão, Veredas), célebre cordisburguense. Além de tocar a sanfona de oito baixos, como a do vídeo, Toninho encara bitolas maiores. Mestre marceneiro e luthier, ele fabrica, conserta e afina sanfonas. As de sua singela lutherie ganham o nome de "Saracura", em homenagem ao apelido de sua mãe. Toninho tanto nos anima com seus valseados e forrós (nome que ele próprio assinalou) quanto nos emociona com narrativas de suas desventuras amorosas. Apesar da idade, ainda sonha em se apresentar em projetos como o que o levou ao SESC de São Paulo numa homenagem a Guimarães Rosa. Contatos com o Toninho são possíveis por intermédio do Brasinha, pelo e-mail caminhosdoser-tao@hotmail.com.

toninho dos 8 baixos 7 - Calango do Toninho

28 de jan. de 2012

Com Respeito aos oito baixos

Olá amigos,

em breve estará saindo do forno meu primeiro livro, "Com Respeito aos oito baixos - Um Estudo etnomusicológico sobre o estilo nordestino da sanfona de oito baixos". Também será o primeiro livro da Luzluzir Editora. Aguardem!

23 de jan. de 2012

Bastinho dos 8 Baixos - TESOUROS DO CARIRI parte 1/2


Enviado por forrobodologia em 21/10/2011

Marco di Aurélio Produções
http://www.marcodiaurelio.com

OSMANDO SILVA - TESOUROS DO CARIRI

Filmado no Sítio Caboclo, município de Serra Branca-PB, em Setembro de 2011, este é o segundo registro da série que realizamos sobre os valores do Cariri paraibano.

Músicos
BASTINHO
GILSON FERREIRA
JOSÉ DO PATROCÍNIO FILHO

Fotografia
Edição
e Produção - MARCO DI AURÉLIO

Assistentes
CARLOS ARAÚJO
CARLOS CATEB
JOSÉ LEONARDO S. LIMA
ROSELI FERREIRA

Direção - MARCO DI AURÉLIO

NTSC - Cor - 21'26"

Paraíba - Brasil - Setembro de 2011

Bastinho dos 8 Baixos - TESOUROS DO CARIRI parte 2/2



Marco di Aurélio Produções
http://www.marcodiaurelio.com

OSMANDO SILVA - TESOUROS DO CARIRI

Filmado no Sítio Caboclo, município de Serra Branca-PB, em Setembro de 2011, este é o segundo registro da série que realizamos sobre os valores do Cariri paraibano.

Músicos
BASTINHO
GILSON FERREIRA
JOSÉ DO PATROCÍNIO FILHO

Fotografia
Edição
e Produção - MARCO DI AURÉLIO

Assistentes
CARLOS ARAÚJO
CARLOS CATEB
JOSÉ LEONARDO S. LIMA
ROSELI FERREIRA

Direção - MARCO DI AURÉLIO

NTSC - Cor - 21'26"

Paraíba - Brasil - Setembro de 2011

Feira de São Cristovão - O Bazar Musical do Zé do Gato - texto de Leo Rugero

A Feira de São Cristovão surgiu na década de 1940, como um dos frutos da intensa migração nordestina na Região Sudeste. O campo de  São Cristovão, bairro localizado na zona central do Rio de Janeiro, era o ponto final dos ônibus que transportavam os migrantes nordestinos, em busca de melhores condições de vida. Como descreve um dos fundadores da feira, o cordelista e cantador Azulão, 

Depois de dez, doze dias
numa viagem sofrida
o Campo de São Cristovão 
era o ponto de descida
onde cada nordestino 
procurava seu destino 
em busca da nova vida

Portanto, foi neste cenário que a feira se consolidou por volta de meados dos anos 40. Uma feira nordestina, onde não apenas se vendiam os produtos típicos da região Nordeste, mas também, um lugar para as trocas materiais e imateriais. Um espaço para o alicerçamento de amizades, para a edificação de negócios, para  a manutenção do espaço simbólico da cultura. 
Aos poucos, a Feira se tornou menos nômade, se sedentarizou, adaptou-se ao formato contemporáneo dos shopping-centers, tornando-se "Centro Luiz Gonzaga de tradições nordestinas": as barracas se tornaram lojas; o som acústico de trios nordestinos e repentistas adquiriu microfones e amplificadores; adquiriu novas influências, entre o pé de serra e o eletrônico, como se fosse uma representação de um Nordeste que se industrializa e se digitaliza. Porém, por trás das transitoriedades, conserva como fio condutor o palco das trocas simbólicas, e continua sendo entendida como a "Feira".
A Feira de São Cristovão era apenas um ponto turístico para mim até novembro de 2007, quando iniciei minha pesquisa sobre a sanfona de oito baixos na região Nordeste. A partir de então, o lugar começou a adquirir novos significados, conforme se descortinavam, meandros de sutilezas. A Feira também é o lugar das narrativas pessoais, histórias que norteiam o percurso dos migrantes, como  Nilton Amaral, o Zé do Gato, que chegou ao Rio de Janeiro no início dos anos 1970. Sua idéia inicial era trabalhar em construção, ajuntar algum dinheiro, comprar uma sanfona e voltar para sua cidade natal, Garanhuns, que embora identificada com a seresta, tem revelado ao mundo muitos sanfoneiros, a exemplo de Dominguinhos. Acontece que Zé do Gato acabou ficando. Seu irmão, o Zé da Onça, já estava estabelecido no Rio de Janeiro e foi um dos fundadores da Feira de São Cristovão. Então, Zé do Gato enamorou-se com uma jovem carioca, casou-se e começou a labuta de pai de família, sanfoneiro e artesão. Entre seus filhos, o sanfoneiro Maçarico é uma figura de destaque na cena do forró, tendo sido um menino prodígio no acordeom.
Domingo passado, estive na feira, em especial, no Bazar Musical do Zé do Gato, ponto de encontro de sanfoneiros, artesãos, vendedores e compradores de sanfonas, compositores e apreciadores da arte do fole, dos oito aos cento e vinte baixos. Foi um dia especial, em que conheci Adão Ferreira, compositor de cerca de 180 músicas gravadas em disco; Sussú, zabumbeiro de Marinês e Abdias por trinta e seis anos; Assis Filho, o "Dida", sobrinho de Abdias dos 8 baixos, excelente cantor e percussionista que acompanhou o tio em muitas gravações e apresentações; E não foi só isso. Por lá passaram artesãos como Jasiel, do Morro da Pedreira. O sanfoneiro Valdir Callegario, capixaba de Castelo, que sempre visita a Feira quando está de passagem pelo Rio de Janeiro. Também foi bom rever amigos como o Enock Lima, com quem sempre aprendo um pouco da história do forró, ouvindo suas histórias contadas em mil detalhes. Depois, saímos dali, eu, Enock e Assis, caminhando pelas vielas da feira, parando aqui e ali, esbarrando com outras figuras proeminentes da música nordestina como Mazinho do Pandeiro e Chico Mota; conversando com o Deda do Gás, ex-cunhado e motorista do saudoso mestre Abdias dos 8 baixos, enfim, conhecendo a feira nos seus pormenores.
Depois, a volta para casa, e a lembrança saudosa de uma tarde ensolarada e tecida de muitos aprendizados, relatos vindos de histórias contadas e ouvidas.


Abaixo, algumas fotografias que foram tiradas na ocasião.


Enock Lima e Adão Ferreira

Pereira, Zé do Gato, Adão Ferreira e Enock

Enock Lima 
Pereira, Zé do Gato, Leo Rugero e Adão Ferreira

Sussú, Assis Farias, Leo Rugero e Adão Ferreira

Sussú, Assis Farias, Adão Ferreira e Enock Lima

                                                             Assis Farias, Enock Lima e Chico Mota

21 de jan. de 2012

Tio Bilia - Baile Gaúcho vol.3





É impossível falar da gaita-ponto no Rio Grande do Sul sem citar o saudoso Tio Bilia. Obtendo êxito no mercado fonográfico como solista a partir do final da década de 1960, se tornou uma das principais referências da prática musical da "acordeona de oito baixos" no contexto dos bailes populares da região Sul do Brasil. 
Em seu trabalho, se misturam as danças características do baile gaúcho, tal como o vanerão, o xote, o bugio e a rancheira.Em suas gravações, foi fiel à sanfona Todeschini em terças de voz afinada em Eb/Ab, de tal modo que este modelo de instrumento foi coroado como "Rainha do Fandango", emprestando seu característico timbre e afinação como um ícone da sonoridade dos bailes gaúchos.
Tio Bilia nasceu em Santo Ângelo, no dia 5 de agosto de 1906. Começou a tocar a gaita-ponto ainda menino,  absorvendo os repertórios que eram compartilhados pelos instrumentos desta região. Na década de 1960, Tio Bila começa a tornar-se reconhecido além dos arredores de Entre-Ijuís, onde começou a atuar nos bailes quando contava com apenas dez anos de idade. Em grande parte, este reconhecimento se deve a carreira fonográfica que se inicia em 1968, quando grava seu primeiro disco pela gravadora Copacabana, com o fortalecimento dos Centros de Tradições Gaúchas preconizados por Paixão Cortes e Barbosa Lessa, e com o apoio de Maximiano Bogo, grande incentivador de sua carreira. Parte considerável do repertório adaptado por Tio Bilia se tornou consagrado, tendo sido regravado por outros gaiteiros representativos, tal como Renato Borguetti, que fez um LP inteiro dedicado ao mestre, intitulado "Ao Som do Tio Bilia".
"Baile Gaúcho vol.3" foi lançado pela Copacabana em 1976, trazendo o instrumentista no auge de sua técnica e criatividade. A instrumentação é simples, onde a gaita-ponto é acompanhada por dois violões e, eventualmente, baixo e percussão. Entre as músicas que figuram no disco, destacam-se "Vanerão Gaúcho"e "Tio Bilia na oito baixos", que se tornaram verdadeiros "clássicos" do repertório de gaita-ponto. 
Veio a falecer em 1991, aos 85 anos de idade. Em sua cidade natal, foi homenageado com a edificação de uma escultura. Sua música permanece viva, sendo revitalizada pelos jovens gaiteiros que seguem o estilo gaúcho da gaita-ponto, do qual, indubitavelmente, Tio Bilia é uma referência fundamental.






17 de jan. de 2012

Landinho Pé de Bode




Enviado por absinto em 03/05/2011
SINOPSE
Canudos Velho é um povoado situado no sertão da Bahia e que concentra vários músicos populares. Neste vídeo, vemos Seu Henrique, morador mais velho do local com 90 anos de idade, receber na sua simples casa de taipa o conjunto tradicional Landinho Pé de Bode para um ensaio. 2004, 3' 53", BA

FICHA TÉCNICA
Direção, Produção e Roteiro: Marcelo Rabelo
Fotografia: Valnei Nunes
Edição: Íris de Oliveira
Trilha Sonora Original: Landinho Pé de Bode

9 de jan. de 2012

CAETANO DO PRADO OITO BAIXOS

Negrao dos 8 Baixos - Em Cruz das Almas



Enviado por eversantana123 em 08/01/2012

O baú de preciosidades de Tico dos oito baixos não tem fim, segue mais uma raridade digitaizada por Everaldo Santana.

"Este vídeo é uma pequena parte de um show do Negrão dos 8 Baixos realizado no ano de 1986 em Cruz das Almas estado da Bahia. Foi gravado originalmente em fita VHS e foi um presente dado pelo Arcenio dos 8 Baixos que é irmão do Negrão, ao Tico dos 8 Baixos que é seu grande amigo. Tico dos 8 Baixos possui um grande acervo em Audio e vídeo e está me fornecendo cópias deste acervo para que eu poste".

8 de jan. de 2012

Tico dos 8 Baixos - Na Rádio Ipirá


Enviado por eversantana123 em 02/12/2011
Segundo Everaldo, "este é mais um Vídeo retirado dos Arquivos do Tico dos 8 Baixos.
Tico se apresenta num programa de Forró da Rádio Ipirá no Estado da Bahia e interpreta um Forró de autoria do Evaristo dos 8 Baixos, seu primo".

4 de jan. de 2012

Truvinca e Zé Calixto





Enviado por leorugero em 03/01/2012
Truvinca e Zé Calixto tocando informalmente no Forró de Ano Novo 2012, realizado na casa de Zé Calixto. Detalhe para o zabumba improvisado na mesa por Zé Fidelis. Zé Calixto chega de mansinho e começa a dialogar com a melodia de Truvinca.
 E pensar que eu estava ouvindo a isso tudo de camarote, que privilégio...

The accordionists Truvinca e Zé Calixto playing informally in the New Year Party at the home of Zé Calixto. In detail, note the other musician, Zé Fidelis, improvising the rhythm over the table. Zé Calixto comes slowly and starts to dialogue with the tune performed by Truvinca. And I was there, what a privilege!

Zé Calixto e o Forró do Ano Novo

A cada ano que passa, renasce a verde esperança para o ano vindouro. Há alguns anos, Zé Calixto e família tem reunido seus amigos, vizinhos e parentes no "Forró de Ano Novo". Neste evento é importante a presença dos entes queridos para consolidar o início de mais um ano nesta passagem efêmera pela terra. A comemoração é marcada pelo almoço  e transcorre ao som do forró em suas variadas matizes. A música é improvisada, ao sabor do vento e do invento, nas mãos dos músicos presentes que pressentem a energia do momento. Nada é premeditado. O vozerio de crianças brincando e dos adultos conversando se mistura aos acordes da sanfona e aos ritmos dos instrumentos de percussão. Saudações de amigos que se vêem raramente ao longo do ano. Alguns chegam sozinhos, outros trazem a família ou apenas a companhia da pessoa amada. A chuva fininha que tilintava nesta virada de ano foi amortecida pelos toldos amarrados com pedras nas pontas das cordas, lembram a sabedoria do passado cigano. A música ecoa no meio da Morada do Vale, e o nosso ano começa alvissareiro, pleno de alegria, entrelaçado por laços de amizade e pela música que envolve a tudo.


Each passing year, the reborn hope for the coming year. A few years ago, Zé Calixto  has gathered his friends, neighbors and relatives in the "New Year Forró". At this event the most  important thing is the presence of loved ones to consolidade the begining of more one year in our brief passage over the earth. Is marked by a celebration lunch and passes along to the music, divine and human music. The music is the forró in its varied hues. It's improvised, in the wind and the invention, with the musicians hands that sense the energy of the moment. The clamor of children playing and the adults talking is mixed with the chords of the accordions and the rhythms of percussion instruments. Best Regards of friends who are rarely seen during the year. Some of them came alone while others bring their families or just the loved one. A thin rain that tinkling at the turn of the year was cushioned by tarpaulins strung on ropeswith pebbles at the edges, remembering the gypsy past of these people. The music echoes in the middle of the valley, and our auspicious year begins, plenty of joy, Interlaced by ties of friendship and the music that involves all.




Todas as fotos foram tiradas por Claudia Lacerda.
All photos by Claudia Lacerda



                                                     Truvinca e Zé Calixto

                                                    Claudia Lacerda e Truvinca. Ao fundo, Moraes.

                                                   Truvinca

                                                                Zé Calixto

                                          Leo Rugero, Truvinca e Zé Calixto

                                          Truvinca e Zé Calixto

                                                   Dona Ritinha

                                                    Nita, irmã de Zé Calixto

                                          Leo Rugero

                                                    Zé Calixto, Leo Rugero e Truvinca

                                                  Zé Calixto, Leo Rugero e Truvinca
                                                               Sobrinhos-netos de Zé Calixto. Ao fundo, Leo Rugero

3 de jan. de 2012



Belo poema enviado pelo amigo Adão Sanfoneiro, piauiense radicado em São Paulo:


LEO, ESTES VERSINHOS FIZ PARA NOSSO IRMÃO E ARTISTA DANIEL DE ELIAS. ESTOU TREINANDO CORDEL AINDA SEI QUE PRECISO MELHORAR, MAS ANTES, SÓ ESCREVENDO, PODEREI APRENDER. ABRAÇO ADÃO DO PI/SP 



Adão Salina:
Saudoso sanfoneiro de oito baixos.
Deus quando fez nosso mundo:
Tudo feito com perfeição,
Deixou formigas trabalho;
Cigarras para canção,
Um mundo de alegria
Havia, harmonia, união.

Nasceu Daniel Elias;
No dia, onze do mês doze,
Mesmo dia artistas grandes;
Sibelius, um Arcoze
Carlos Gardel, Noel Rosa
Mais o grande Pladaroze.

Artistas sagitarianos
Um Adão de Sousa Lina
Piauiense sertanejo
Filho de uma Rufina
Também por Elias Daniel
Tenho a grande doutrina
Descansa irmão Daniel
Nós cumprimos nossa sina.

DEMPARASO/ ADÃO SALINA 

Zé Calixto no Forró do Ano Novo

Zé Calixto e Truvinca no Forró de Ano Novo





Todo dia primeiro de Janeiro, Zé Calixto e família oferecem uma comemoração, reunindo parentes, amigos e convidados para o "Forró do Ano Novo". Este ano, a festa teve um caráter inaugural, tendo sido realizada no agradável condomínio Morada do Vale,zona oeste do Rio de Janeiro, onde Zé Calixto reside há cerca de um ano.
Neste video, um trecho do diálogo musical entre Truvinca e Zé Calixto.

Every First of January, the accordion player Zé Calixto and his family offer a celebration in honor of the New Year, gathering their relatives and friends. This year, the party had a inaugural caracther, because it was realized on the new house of Zé Calixto, situated in a pleasent neighborhood in western zone of Rio de Janeiro.
This video shows a performance of Zé Calixto and Truvinca, two representatives of the Brazilian Northeastern Brazilian style, playing togueter an "arrasta-pé", a kind of Northeastern Country-dance.

28 de dez. de 2011

Zé Calixto - No Forró do Pedro Sertanejo



Video postado por Everaldo Santana no youtube.

Trechos de uma apresentação memorável de nosso sanfoneiro maior, José Calixto da SIlva, o Zé Calixto, no auge de sua forma técnica. Provavelmente, a apresentação foi realizada em meados da década de 1980, no Forró do Pedro Sertanejo, em São Paulo. No contrabaixo, Carlinhos Calixto. Não identifiquei o zabumba e o triângulo. Mas o forró é arretado, com a impecável atuação do solista e o acompanhamento preciso e suingado dos instrumentos de ritmo. O início do vídeo apresenta um diálogo entre Zé Calixto, Carlinhos e Pé Duro dos 8 baixos, destacado sanfoneiro baiano radicado em São Paulo.

22 de dez. de 2011

Escola de Forrozeiro


Abaixo, matéria de Carolina Santos publicada no Diário de Pernambuco de 17/12/2011,sobre os novos mecanismos de transmissão da sanfona na região Nordeste.

Diario de Pernambuco, 17/12/2011

Escola de forrozeiro

``
Exu – A sanfona era tradicionalmente um instrumento aprendido dentro da família, fosse com o pai, um tio, padrinho ou avô. “Muitas vezes era como um jogo. O pai tinha o instrumento, mas não deixava a criança pegar. Aí os meninos geralmente começavam a tocar escondido, até que alcançavam um nível e o pai começava a ensinar. Era como se fosse um teste, para ver se o menino queria mesmo tocar”, conta o pesquisador de sanfona Leo Rugero. Com a rotina mais pesada das cidades, essa tradição foi se perdendo. Para popularizar o aprendizado do instrumento, o Ponto de Cultura do Parque Aza Branca, em Exu, mantém escola para 24 crianças, dos oito aos 16 anos, ensinando sanfona, triângulo e zabumba.

O único professor da escola, William Kay, de 24 anos, aprendeu a tocar sanfona há 8 anos em um outro projeto, o Asa Branca, que funciona no centro da cidade, bancado pela Prefeitura do Exu. Por conta do déficit de sanfoneiros na cidade – o projeto Asa Branca acabou há cerca de cinco anos e só voltou a funcionar recentemente – William toca em várias bandas ao mesmo tempo. “Com os alunos que estão saindo daqui, isso vai mudar. Tem muito grupo de forró precisando de sanfoneiro”, diz. “Com um ano de aulas o aluno já está apto a tocar profissionalmente. Dependendo da dedicação, até em menos tempo”, completa.

Alguns alunos se anteciparam e já montaram bandas. Edcarlos Rodrigues, de 10 anos, é o sanfoneiro da banda Forrozeiros de Gonzagão, ao lado do primo Mateus Cassiano Lopes, também de 10 anos, que toca triângulo. “O meu sonho é continuar com a banda e ser médico”, diz Mateus. Os dois já apareceram em três emissoras de TV da região e já fizeram alguns shows no Ceará e no Sertão do Araripe.

O principal pré-requisito para entrar no curso é estar matriculado na escola. A maioria quer transformar a sanfona em instrumento de trabalho, mas ao mesmo tempo ter um emprego convencional. Aos 16 anos, Felipe Bruno se prepara para o vestibular do curso técnico de construção civil. “Mas nunca vou deixar de tocar sanfona. É um hobby que quero pra vida toda”, diz.

Nas aulas, só é ensinado a tocar forró e a primeira música que os alunos aprendem é Asa Branca. “Nem digo que é forró pé-de-serra, porque aqui abolimos esse termo. Esse é o verdadeiro forró e ponto. O que chamam de forro eletrônico não tem nada a ver com forró, é uma adaptação do vaneirão do Rio Grande do Sul”, define o professor. Os alunos aprovam o conceito. “A gente só toca músicas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Targino Gondim...”, enumera Edcarlos.

20 de dez. de 2011

Zé Gonzaga - Tocando no 8 Baixos de Januário



Enviado por eversantana123 em 18/12/2011
Nas palavras de Everaldo, "esse é mais um excelente vídeo retirado dos Arquivos do Tico dos 8 Baixos. Zé Gonzaga toca na Sanfona de 8 Baixos que foi do seu pai; fala de suas composições e das músicas que ganhou da sua mãe para gravar".

18 de dez. de 2011

Lene dos 8 baixos - Na Churrascaria Cabana Show




Enviado por eversantana123 em 10/12/2011
Vídeo gravado por Zé Santana dos 8 Baixos na Churrascaria Cabana Show. Lene dos 8 Baixos se apresenta com o seu grupo de sanfoneiros e percussionista quinzenalmente nesta Churrascaria. A Churrascaria Cabana Show fica na Estrada Pirajussara-Valo Velho, 853 no Campo Limpo - São Paulo SP.
Telefones: 11-5824-2055 - 11-6130-1133 (oi) - 11-7653-7296 (claro)
Recado do gaiteiro Daltro Vieira via e-mail:


Saudações:
 
Obrigado pela referência ao meu trabalho no seu Blog, Léo.
 
Ano passado, estive fora do Brasil (Europa, África). Agora, estou editando mais algum material de vídeo,levando o som do Brasil, através da Gaita Ponto, pelo mundo!
 
 
Aquele Abraço,
 
                     DALTRO VIEIRA.          LAGES - SC.









5 de dez. de 2011

Tico dos 8 baixos - Visita Zé Calixto



Video postado por Everaldo Santana no youtube.

Visita de Tico dos oito baixos e Tranquilo dos oito baixos à antiga casa de Zé Calixto no Morro da Pedreira, Pavuna. Considero o Tico dos oito baixos um documentarista nato, sabe, como poucos, retratar um encontro utilizando poucos recursos. Este vídeo trouxe-me saudades desta casa, que tanto frequentei durante a realização de minha etnografia pela UFRJ. Atualmente, Calixto reside em Santíssimo, zona oeste do Rio de Janeiro.
Provavelmente, este vídeo foi gravado no início dos anos 90, ainda preciso checar esta informação com Everaldo. Vale a pena assistir este encontro.